quinta-feira, maio 26, 2016

que merda ser mulher nesse mundo

Uma vez escutei a história de um estupro coletivo. Já faz tempo. Mas me contaram como foi a emboscada e, claro, "a motivação". A motivação sempre pretende tirar o status de barbárie. Eu escutava perplexa a história e esperando do interlocutor uma opinião sobre aquilo. Porque os detalhes eram contados, mas eu não pesquei ali um julgamento de quem fez. Era só a descrição de um fato. Escutava atenta para perceber uma condenação aos estupradores que nunca veio. No fim da história me passou pela cabeça "será que ele estava lá e participou?". Então indaguei, tremendo de medo da resposta. E o interlocutor foi taxativo. "Não, eu era casado". Eu era casado, por isso não participei do estupro coletivo. Eu choquei tanto que não disse mais nada naquela tarde. Tem uma questão. A gente sempre pensa que o vilão é o outro. Alguém distante. Alguém que já tem a nossa antipatia. Meu interlocutor naquele dia foi alguém a quem eu tinha uma certa admiração e respeito. Alguém do meu convívio. Alguém que muitas pessoas próximas a mim adoram. Depois daquela tarde nunca mais consegui manter uma conversa por mais de 5 minutos, é um desconforto muito grande, sempre saio de perto, evito ir quando sei que ele está lá. E me traz um problema muito sério porque ele de fato é uma pessoa próxima. Hoje lendo sobre outro estupro coletivo, me veio na mente toda aquela conversa. O horror que eu senti. O estuprador, quem apoia o estuprador, quem reforça a cultura do estupro, não é o outro na outra margem do rio, é alguém aqui do nosso lado. Nosso pai, nosso irmão, nosso filho, nosso amigo.

5 comentários :

Marina disse...

Essa história foi horrível. Denunciei, pedi para um monte denunciar. Mas me arrependo de ter visto o vídeo. Maa queeia ter certeza. Aff. :(

Marina disse...

Essa história foi horrível. Denunciei, pedi para um monte denunciar. Mas me arrependo de ter visto o vídeo. Maa queeia ter certeza. Aff. :(

Luciana Nepomuceno disse...

e só quando a gente entender que não há monstros é que se vai avançar. enquanto isso, inventam-se desculpas, fecham-se os olhos e, claro, descrevem-se os fatos, sem condenação e, quase, sem surpresa. :-(

Rosana Tibúrcio disse...

Alguns relatos me apavoraram muito, parece que há um certo prazer. tenho pavor dos relatos. Que pena você conviver com um escroto desses. Ninguém merece!

DENIS DIAS disse...

por isso tenho poucos amigos.