sexta-feira, maio 13, 2016

na corda bamba de sombrinha

Hoje foi a audiência do agressor da minha mãe. E por algumas razões alheias à minha vontade, não pude estar ao lado dela. A audiência foi em Minas. Enfrentamos muitos percalços para chegar até ali. Delegado comprado, inquérito arquivado, um racha irreversível na família. Até o dia que eu denunciei ao Ministério Público e me parece que a coisa andou, se dependêssemos do curso natural de uma delegacia do interior, jamais essa audiência aconteceria. Dói que ela tenha ido sozinha, foi com uma testemunha e teve que aguentar o lado de lá com seus irmãos dando apoio ao agressor. É como se ela estivesse errada em não perdoar, em arrastar a família para essa vergonha que é um processo penal. A acusação é de tentativa de assassinato. Eu nem sei como mensurar o dano que causa em mim tudo isso. Ele consegue tirar todos os sentimentos bons que eu tenho, só fica o buraco. Não consegui ler muita coisa sobre o golpe de ontem pra cá por isso, mas por alto li alguma coisa. E o que mais me pegou é a questão da mulher. O papel que nos cabe nesse mundo de merda. Tenho um mantra que sempre me apego em momentos assim. "Vai melhorar". Eu sei que vai. Mas também sei que está longe. Penso em todas as coisas que ela foi obrigada a presenciar, as cenas que foi obrigada a passar. Essa família é a pior coisa que existe. Então entro no facebook dele. Volta e meia entro pra me martirizar. Evangélico, pró golpe, a favor da família etc. Todos os clichês reunidos. E começo a ter raiva de qualquer pessoa que tenha o discurso parecido. Hoje quase saí do grupo de amigos (não o show de horrores, o de amigos mesmo). Respirei fundo e pensei nas consequências. Engoli mais essa. Hoje eu lembrei que também é dia dos pretos velhos, lembrei da minha infância com Vovó Maria Conga, fechei os olhos e pedi ajuda pra minha mãe. Só pra ela. Eu não posso pedir pra mim. Ontem me mantive forte até onde deu. Quando ela foi se despedir, desabei. Foi tudo bem patético. Coitada mais uma vez. Quem precisava de apoio era ela, no final ela quem tava dizendo que ia dar tudo certo e pra eu ficar bem. Eu tive vergonha das lágrimas no momento em que elas escorriam, mas não teve muito jeito, não conseguia parar. Tentei. Ela me liga da rodoviária. Adivinha quem esta aqui? Era a irmã dela. Indo pra Minas dar apoio ao agressor. Tudo que ela teve que aguentar. Choro mais uma vez. É só o que tenho feito desde ontem. Vamos esperar o resultado da audiência. Ela saiu tranquila de lá. Eu estou na merda, mas ela está bem, isso que importa.

21 comentários :

Ana Paula Almeida disse...

Força querida! Muita luz e fibra para persistir na luta contra as injustiças.

Gilson Rosa disse...

força pra vc e pra sua mãe.

Jackson Morais disse...

Força aí! Fiquem bem. <3

Marina disse...

Vai dar tudo certo. Para essas pessoas só o fato de ser réu, mesmo que não seja condenado já é uma dor. Força!

Marina disse...

Vai dar tudo certo. Para essas pessoas só o fato de ser réu, mesmo que não seja condenado já é uma dor. Força!

Allan Azambuya disse...

Força Amiga! Realmente sei o que ela aguentou e tb sei o que vc aguentou justamente pra que a justiça seguisse seu curso e principalmente sua luta dentro da sua familia pra pra esse processo fosse a frente. Mesmo que não dê em grandes punições,afinal estamos num pais em que justiça não é levada a serio, o fato de vocês colocarem ele na vergonha do banco dos Reus e marcar o historico dele perante a justiça como agressor já é um começo..Pequeno,sabemos...Mas um começo..

Luciana Nepomuceno disse...

meu abraço solidário.

Lusco Jr. disse...

Impossível não sentir sua dor no texto. Desejo força!

Marina disse...

Nossa, Patrícia, muita força pra vocês duas nessa hora! Tenho uma família(parentes, né, não vou nem chamar essa gente de família) um bocado problemática, demagoga e tudo o mais que já prejudicou DEMAIS a minha família(nem vou me estender, mas tenho uma mágoa grande).

Acredito o quão profundamente triste deve ser a gente ser traído por irmãos que ficam ao lado de alguém que quis te matar. Deve dor demais mas acho que no limite de algumas situações a gente às vezes encontra um "bonus extra de força" que a gente até então nem sabia que tinha. E eu fico impressioanada de como maes (vejo isso na minha, ao menos) são fortes. Fortes eu digo aqui num sentido muito amplo que é até difícil expressar em palavras.

Acho que não há problema em chorar. Às vezes a gente está tão pior SEM chorar (e é perceptível assim também a tristeza). Gostaria de conseguir chorar mais, acho um alívio tão grande. Chorar a ponto de cansar o corpo acho que é um recurso muito abençoado da natureza pra ajudar a gente a lidar com o mundo.

E mesmo que tenham 500 pessoas, 500 irmãos ao lado do agressor da sua mãe para defendê-lo, justiça comprada e o escambau: SÓ VOCÊS merecem ter a cabeça erguida numa hora dessas. Contra tudo de ruim que o outro lado pôde comprar (e hoje parece que tudo se compra), vocês conseguiram pôr esse homem num banco dos réus.

Percebe a grandeza de vocês aqui? Percebe o quanto vocês estão se impondo nessa história? Cabeça erguida e tenham muito orgulho da sua força!

Mary W. disse...

só posso te mandar vibraçoes. e nem sabemos se acreditamos nelas. mas eu mando mesmo assim. saiba q vc tem amigos aqui na ~virtualidade~. beijo.

Ana Paula disse...

Que triste! Mando muitas boas energias pra você e sua mãe. Sinta-se abraçada!
Ninguém merece passar por uma dessas. Realmente espero que passe logo.

Rosana Tibúrcio disse...

"vai melhorar", Patricia... vou agarrar esse mantra de cá pensando em você e em sua mãe.
beijo e carinho

Laurinha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana P. disse...

Força, força, muita luz pra você e pra sua mãe, Patricia!

Mandando muita vibração positiva porque o contexto geral não é fácil, mas seu mantra tá muito certo: vai melhorar!

Sisa disse...

Patrícia, leio seu blog faz muito tempo, mas acho que só comentei uma vez. Nas duas últimas semanas eu estava péssima, chorando todo dia, e justamente de desesperança, de sensação de injustiça, de desilusão com família. Então te entendo. Espero que tenha corrido bem. Espero que vocês tenham justiça. E espero que vocês entendam que têm uma à outra. Amor só conta quando é de quem importa. Estas pessoas não fazem falta a vocês. Vocês hão de se bastar, sempre.
Força, fé e paz para vocês duas. Fiquem bem.

juliana meireles disse...

Oi Patrícia,
eu acompanho o seu blog a muito, mas muito tempo mesmo. Nunca comentei, mas tenho que dizer agora que desejo do fundo do meu coração que justiça seja feita pela sua mãe e por você. Eu espero que o coração de vocês duas consiga ganhar alguma paz, espero que dê tudo certo. Sei que não tenho noção nem de metade do que vocês estão sentindo, mas saiba que estou mandando toda luz possível, todo tipo de pensamento positivo. Nunca deixe de pensar que tudo vai melhorar, nunca desista de esperar porque realmente vai melhorar!

Fiquem bem!

Ana disse...

Muita força e não pense que você não está dando apoio a sua mãe por ter chorado, pois você está. A sua solidariedade com a dor dela é demonstrada através da suas lágrimas.Fique firme, o bem um dia há de vencer.

Hellen disse...

Oi, Patrícia. Também acompanho seu blog há muito tempo e raramente comento. Só gostaria de dizer que você tem muitas vibrações positivas indo em sua direção, de gente que não te conhece pessoalmente mas compartilha de suas ideias e sabem que de fraca você não tem nada.
Aguenta firme aí, mesmo que esteja chorando.
Confia que tudo vai melhorar.
Um abraço.

Renata Lins disse...

Passo pra deixar um abraço solidário também, Patrícia.

Bia A. disse...

Patrícia, sempre venho aqui e no seu twitter e nunca comento. Adoro você virtualmente, igual a Mary W (outra que amo virtualmente). Eu trabalho com violência doméstica e esse seu relato me enche de compaixão e carinho por você. A dor de parecer lutar sozinha, a família estar do outro lado. Você deve saber disso, mas você tá certa e que inspiração a sua luta.

Unknown disse...

Força e paz. Você e sua mãe merecem.