sábado, abril 16, 2016

que fase

Não tenho esperanças sobre a votação no domingo. O Pontual, da globo, foi muito criticado ao dizer que o impeachment não precisa ter base criminal, mas sim política. Dilma perdeu o apoio do congresso e precisa sair. Palavras dele. Acho que disse o óbvio de como as coisas funcionam, não é o que eu ou a bolha pensamos sobre democracia, mas é o que a maioria acha. É claro que passa a ser relevante. Eu tenho analisado os cenários. Na eleição passada quis muito essa vitória, mas dado a crise mundial que o brasileiro pensa ser local, adoraria ver o Aécio ou a Marina segurando essa marimba. Se o impeachment não passar no domingo (o que acho pouco provável), outros pedidos serão acatados pelo Cunha e outras votações serão convocadas. Até Dilma sair. Só não sei se passa no Senado, mas o desgaste de um afastamento é enorme. A oposição não sossega enquanto ela não cair. Não existe governabilidade desde que Dilma assumiu o segundo mandato. Um pedido de impeachment baseado em pedaladas fiscais e, que sequer há consenso no STF de ser um crime de responsabilidade, é a única arma palpável da oposição. Cada vez que o crime de responsabilidade é questionado, os chavões aparecem. "Golpe é destruir o país" . Eu entendo quem não vai pra rua para defender o governo, o que acho puxado é o chavão, porque tira a possibilidade do diálogo. Dilma e o PT viraram uma espécie de Voldemort que precisa ser abatido para a vida seguir bela como antes (bela pra quem?). Eu poderia falar o quanto desse ódio é motivado pelas conquistas sociais, mas não é só isso, claro. Não dá pra situação martelar nessa tecla, se temos n questionamentos: Belo Monte, direitos das mulheres rifados em troca de apoio, ex diretor de manicômio como coordenador da política de saúde mental etc. Entretanto, assusta ver o pmdb passar incólume a tudo, assusta a bancada evangélica, assusta Cunha ainda estar na presidência da Câmara, assusta sobretudo o nosso congresso. Pontual, criticado, disse, repito, o óbvio. O processo é político. Isso também é uma visão de democracias recentes. Talvez faça parte mesmo de uma evolução, para que sirva de lição lá na frente, caso alguém olhe para trás e passe a ponderar que uma democracia não se constrói dessa forma. Enfim. Nunca pensei que viraríamos uma Argentina. Viramos uma Argentina.

10 comentários :

Oh, Laila! disse...

Cismaram que tudo é culpa de Dilma/Lula/PT e acabou. Tem horas que eu queria ver também se Aécio ou Marina dariam jeito, ou se seriam só mais um nome para levar a culpa.

Felicia Luisa disse...

Meu pitaco: se Dilma fica, a situação piora, se ela cai, tb piora, só que mais.

Lívia disse...

Acho que criticaram o Pontual não pela análise política, mas pela afirmação de que não precisa ter base criminal para o impedimento. A verdade é que precisa, sim, ter base criminal. E, mesmo fazendo muita força, cavando em tudo que é canto, não conseguiram ligar a presidente a um crime. Tem claro, a questão da responsabilidade fiscal, porém está beeeem longe de ser considerado crime. Só podemos acusá-la de má gestão. O que obviamente não é crime, como qualquer trabalhador chateado com seu chefe pode afirmar.

A falta de governabilidade da Dilma e boa parte do caos em que estamos foi criado pelo congresso, que rasga a constituição diariamente e simplesmente se recusa a votar as pautas necessárias para sairmos dessa espiral rumo ao fundo do poço. E aí agora, os aliados dos criadores do caos surgem como salvadores. A mesma história da carochinha de sempre. Impressionante como essa balela sempre cola com o cidadão médio, em qualquer lugar do mundo.

Se o impeachment passar, qualquer presidente a partir de agora vai poder ser impedido se resolverem que sim. Criar esse precedente é que me assusta.

Gabriela disse...

:(
Medo.

Sara com Cafe disse...

dói. dói muito. estou achando que vão ganhar e o Cunha vai virar vice presidente. não consigo explicar... me sinto triste com meu país... e com medo. com muito medo!

Blogueira honesta disse...

Análise muito lúcida, Patricia. Que fase, não?

Não sou blasê disse...

Pelo menos na Argentina escolheram o Macri, né?
Aqui não importa muito esse negócio de ser eleita democraticamente.

Marina disse...

Adoro suas análises críticas da sua esquerda. Não entendo: ignorar mensalão/petrolão. Isso, nunca entenderei. Se existisse o julgamento da AIME no TSE, o que seria? Perseguição? Não dá. Beijos!

Marina disse...

Adoro suas análises críticas da sua esquerda. Não entendo: ignorar mensalão/petrolão. Isso, nunca entenderei. Se existisse o julgamento da AIME no TSE, o que seria? Perseguição? Não dá. Beijos!

Anaijuli Arierep disse...

Acho q o pior de tudo( ou melhor, dependendo do ponto de vista) é a revelação da verdadeira face do ''cidadão de bem brasileiro'', q apoia candidatos corruptos e de caráter questionável.
É uma crise não só econômica e política, mas moral tbm.