quinta-feira, abril 28, 2016

fiscal da militância alheia

Uma coisa que eu tenho curtido demais acompanhar é o fiscal da militância alheia.

Pode reparar. Toda vez que surge um assunto que envolva direta ou indiretamente um grupo, aparece um avulso pra comentar "e aí, o que as feministas tem pra dizer hein?". Note que o avulso não está interessado em conhecer uma causa, ouvir as pessoas dessa causa etc. A pergunta é retórica. E os avulsos também querem, com sua magnanimidade, nos auxiliar com seus ideais de militância. Eles nos apontam modelos a serem seguidos, que nós, seres longe da luz, não somos capazes de enxergar. 

Daí vem a alusão ao "por que você não é igual ao meu vizinho gay que ninguém sabe que é gay, precisa ser desse jeito afeminado?" ou "pra que ir pra marcha das vadias, que nome horroroso, isso não representa minha esposa" etc. 

Outra coisa maravilhosa é quem exige nota de repúdio.

Acompanhando aqui com interesse as opiniões dos fiscais.

10 comentários :

Lara Mello disse...

Das coisas que morro de medo: Virar militante de qualquer coisa, são pessoas que não se permitem a ouvir nem o outro lado, não procuram entender PN, um saco, dá vontade de dormir...

Não sou blasê disse...

Pode ter militante, pq se não fosse certos militantes tava tudo nois vivendo na Londres da revolução industrial. Mas também podia ter mais capacidade de suportar diferenças, pq se fazer de dono da verdade é o passatempo preferido da gente. Mas tudo bem... Vamos seguindo assim tudo torto mesmo, até o fim do mundo.

Não sou blasê disse...

Pode ter militante, pq se não fosse certos militantes tava tudo nois vivendo na Londres da revolução industrial. Mas também podia ter mais capacidade de suportar diferenças, pq se fazer de dono da verdade é o passatempo preferido da gente. Mas tudo bem... Vamos seguindo assim tudo torto mesmo, até o fim do mundo.

Marina disse...

Não concordo. Acho que quando alguém se propõe a cagar regra - e é isso que militantes fazem - deveriam fazer por inteiro e não pela metade. O problema é que os militantes - estes sim sers iluminados - se ressentem quando são cobrados porque, antes de tudo, têm de passar pano para a ideologia. Logo se a esquerda violenta mulheres, negros, lgbt de alguma forma é preferível fingir que não viu a fazer autocrítica.

Marina disse...

Não concordo. Acho que quando alguém se propõe a cagar regra - e é isso que militantes fazem - deveriam fazer por inteiro e não pela metade. O problema é que os militantes - estes sim sers iluminados - se ressentem quando são cobrados porque, antes de tudo, têm de passar pano para a ideologia. Logo se a esquerda violenta mulheres, negros, lgbt de alguma forma é preferível fingir que não viu a fazer autocrítica.

Tomas disse...

...

Gente, acho que o texto se refere ao fato de alguém que não esteja lutando junto (principalmente parte de um grupo privilegiado) querer criticar quem escolhe fazer algo para melhorar alguma coisa.

Simplesmente porque não acha que essa pessoa esteja lutando da forma "certa". Ou porque a luta dela não abarca todas as lutas. Ou lutas tidas como mais importantes.

Críticas importam. Mas sabe aquela diferença entre críticas construtivas e destrutivas? Apois.

"Sempre há um defeito a ser descoberto na fala de quem se levanta". Essa é minha frase favorita do blog. Não deste texto, mas desse aqui: http://teamoporra.blogspot.com.br/2016/02/sobre-ana-paulas-e-patricias.html (E, na minha cabeça, acaba sendo sobre a mesma coisa.)

Marina disse...

Patricia, sou sua fã, leio seu blog desde que o descobri há us 6, 7 anos (e era justamente aluna de Letras da Uerj, olha a coincidência) e em geral tenho muita preguiça de comentar, mas hoje precisei vir aqui.

Eu não entendo essa fiscalização de que toda vez que acontece algo, é um "Ah, queria saber o que [insira aqui um grupo específico] tem a dizer". Eu não me imagino vendo uma coisa, uma notícia que me revolte tipo "marido mata esposa" e, no lugar de simplesmente ficar puta, triste, comentar a noticia, comentar com alguem eu vir de "Ahhh quero saber o que os machistas têm a dizer agora"... Alguem me deve explicação por tudo o que acontece no mundo? Ah, vao viver suas vidas.

Fora isso, gente do céu, queria saber de onde o povo de cima do muro tirou que militante é cagador de regra, é dona da razão e por aí vai. Tem quem seja, tem quem não seja e o PROBLEMA É DELE. A VIDA É DELE. Antes militante de uma causa do que fiscal do comportamento alheio. Como lembrou lindamente José Eduardo Cardozo ontem (pegaria), "a ditadura acabou no fim do regime militar"- às vezes é bom relembrar o óbvio-, então acha chato? Acha errado?Eu também acho isso de quem fiscaliza meu comportamento e nem por isso fico praguejando por aí (só aqui pq está na pauta agora).

Isso me lembra muito aquele papinho de "manifestações apartidárias", de gente mandando o outro abaixar a bandeira naqueles protestos esquisitos de 2013 e bem...Apartidarismo, pra bom entendedor, muitas vezes tem partido sim. E fora isso, não se meta com a bandeira dos outros pq eles não estão tomando o protesto pra eles. Eles estão SE representando e estão mostrando que ESTÃO ALI SIM, então se preocupe com a sua voz ao invés de estar preocupado em calar a do outro.

A gente tá num momento tão difícil, tão crucial e tem gente se preocupando que "ah, temos que ouvir o outro lado". Gente, não tô com cabeça pra isso.

Já tive que ouvir que bolsa família é esmola pra vagabundo.
Que na época da ditadura era melhor.
Que tudo é uma questão de meritocracia.
Que escola pública é fábrica de marginais.
Agora meu voto e o da maioria nas urnas parece ter menos valor e ser menos Brasil porque decidiram que o Brasil tem que ser liberto da vontade "dessa gente que não sangra, se reproduz" (PASCHOAL, Janaína).

Gente, eu não sou obrigada a ouvir mais nada e não faço questão nenhuma. Muito menos de fiscal da militância alheia, pq a vida é muito curta pra dar atenção a quem não merece

Marina disse...

Esse negócio me lembra uma colega (tenho várias assim) que vive reclamando de salário atrasado do estado (somos funcionários publicos estaduais e estamos com tudo atrasado, como é de conhecimento geral) e é SÓ reclamação. Você abre Whatsapp e é quase um monotema. Só se fala nisso, do salário desse mês e do mês que vem e blablablá. PMDB faz o que quer com o RJ há anos, dá isenção pra quem quiser e faz os acordos com quem quiser, e vida que segue, mas vai que uma hora a bomba explode? Seja como for, parece que é só um "não falemos disso" e"político tudo bandido"

Aí você fala de política um pouquinho que seja e "ainnn, vou sair pq não gosto de política". Você não é obrigada a gostar, mas gente, vamos ficar vivendo eternamente na superfície da reclamação?

Elis Bastani disse...

Nossa,muito. Uma colega minha é super chegada em animais, resgata, cuida, etc.

Sabe o que ela mais ouve?

Nosssaaaaaa, com tanta criança passando fome no mundo, você só se importa com os animais, é um absurdo!

Quer dizer, a pessoa não pode, né, se importar com as coisas que ela se importa em paz.

lallorona disse...

o que me incomoda mais desses fiscais é que eles só cobram o posicionamento de grupos bem específicos que eles querem desmerecer, sobre causas específicas que... bem, eles também querem desmerecer.
se você retruca, se responde no mesmo tom ou com a mesma malícia, eles se sentem atacados, ofendidos de graça.
deus me livre de virar fiscal da vida dos outros. ninguém me deve nada assim como eu não devo nada a ninguém. aceito críticas construtivas e tento relevar as destrutivas.