quarta-feira, fevereiro 17, 2016

que delicia de resultado

- Pô, bróder.
RIP

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Já falei algumas vezes aqui que meu reality show favorito é Survivor. O mecanismo do programa é algo que merece ser debatido a exaustão, mas isso é papo pra outro post. É meu reality favorito porque de fato quem ganha, na maioria esmagadora das vezes, é quem jogou melhor. Não consigo odiar nenhum vencedor, todos mereceram. Na temporada 28, tivemos o Spencer, um estudante inteligentão que fez parte de uma tribo de inteligentões. Não por acaso, a tribo mais flopada da história de Survivor, mas que nos rendeu personagens ótimos. Isso é só uma introdução pra dizer que o Spencer tinha um problema: o jogo social. Ele simplesmente não conseguia. Via as pessoas como meros peões em um jogo de xadrez, não fez laços com ninguém, não viu nenhuma traição se aproximando. Quando tentou remediar, era tarde. Então, o Spencer volta três temporadas depois, Survivor costuma fazer revivais frequentemente com ex participantes. E era um Spencer querendo aprender. Veja bem, ele não era outra pessoa, ele não estava mudado por completo, ele estava em processo de mudança. Foi maravilhoso acompanhar. Spencer leva um tapa na cara logo no início, diante de um plot twist, sua aliança, então majoritária, fica em minoria, ele corre e pede ajuda pra outro participante que diz "Você nunca nem olhou pra mim, por que eu deveria te ajudar agora?". Pá. Eu ri o mundo com a cara do Spencer. Tenho certeza que ali também foi um aprendizado. As pessoas não são peões. Durante toda a segunda chance dele (a participação em uma segunda temporada), vemos um Spencer tateando mudanças de comportamento. "Preciso dizer pra minha família que os amo", "Preciso montar alianças, respeitar essas pessoas" etc. É um processo difícil pra quem é calculista. A mudança de comportamento é tão grande, que quando ele precisa agir friamente, o coração fala mais alto e ele comete o famoso erro de um milhão de dólares: levar pessoas erradas para a final. 




Tudo isso só pra dizer que eu acho o Ronan meio assim, mas com um aporte. A mudança do Ronan começa já na primeira edição em que participa. Obviamente porque os tapas também foram fortes. Spencer só percebe os erros depois que sai e se vê no programa (a temporada passa na tv americana alguns meses depois da gravação). Ronan enxerga a necessidade de mudar a partir do momento em que toma uma rasteira da macholândia. E me parece que a mudança também vem acompanhada de um foda-se. Ele mesmo se achava peso morto, até Ana Paula enxergá-lo como excluído e tentar uma inclusão. Uma coisa que eu sempre amei no Ronan é que ele assume. Assume tudo que fez. E topa qualquer paredão também. Se tiver que sair, beijo tchau saiu. Alemão que era Alemão, não topou o paredão com o Alberto. 99% de certeza que ficaria, mas aquele 1% vai que eu me engano. Ronan tem uma visão bem clara de tudo e fala sobre. Quando Ana Paula volta do paredão fake, ele chama num canto e diz "Cuidado pra não ser uma Maroca 2", é um toque que ela não recebe de mais ninguém na casa, só dele. Depois do paredão hoje, os dois na cozinha, Ronan é direto "Acho que fiquei por sua causa", comentou sobre ele ser uma máquina e AP diminuir isso.

Muito se falou sobre Ana Paula ter chamado Tamiel e contado dos votos. As contas batem, se Ana Paula não fizesse isso, dificilmente Ronan teria o voto do Tamiel e o paredão empataria. Com o voto de minerva da Munik, seria Daniel x Tamiel. Num primeiro momento, pensei que foi burrice ou precipitação. Hoje acho que não. E se Ana Paula quisesse esse paredão? Seu maior aliado contra seu maior inimigo? Que benefício ela teria de um paredão Daniel x Tamiel? Número, claro. Menos um do outro lado, mas o jogo precisa de mais. Um reality com votação popular precisa de sinalização do público para quem está na casa. Ana Paula precisa saber quais passos deve tomar, pode continuar do jeito que está ou precisa dar uma maneirada?

Há três questões pontuais nessa divisão de grupos:
- Adélia
- Geralda
- Catheus

Adélia não é opção de voto de ninguém. Será a última de uma aliança. É um problema porque ela transita livremente. AP desabafa com ela, Geralda adora, Catheus idem. Gera a seguinte coisa. Em um dado momento do jogo, alguém briga dentro do grupo e diante de uma votação, vota em alguém da própria aliança no lugar de votar na Adélia.

Geralda não suporta Ronan. Também não suportava Daniel. Depois do paredão hoje, ela nem ficou junto, foi lá pra fora ficar com, pasme, Renan-Juliana-Adélia-Tamiel. Pode inclusive flipar.

Cacau faz tudo que Adélia e Juliana querem. Sente ciúmes da Munik, mas claro que após o paredão foi lá conversar com Ronan "blablabla tive a resposta que queria". Matheus faz o que Geralda quer, mas também é esperto.

Entramos nesse paredão pensando que com a vitória seríamos maioria. Hoje só consigo enxergar um sólido trio.

Ana Paula
Munik
Ronan.

5 comentários :

Carina Burriel disse...

Patricia, adoro suas leituras de jogo! Fiquei órfã depois que o Cartas Para Pi acabou e encontrei um ótimo lugar aqui.

Magô Tonhon disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Magô Tonhon disse...

Foi maravilhosa a saída desse tosco. O mais delicioso é que todos do grupo zen inclusive ele tinham cer-te-za de que ficaria. Mas eu tô feliz pq a AP deu uma segurada na emoção né. Teve festa ontem e ela nem brigou! rs

Rosana Tibúrcio disse...

Adorei a análise. Como sempre, aliás.

Helô disse...

Todo ano é a mesma coisa: depois que leio um de seus textos sobre o BBB, passo a seguir. Começando hoje.