domingo, novembro 15, 2015

rio doce

O meu tempo para processar as coisas é lentíssimo. Preciso sempre de uma pausa para a digestão. 

Essa semana cheguei em casa e minha mãe estava chorando. 

Por segundos bateu um desespero de algum familiar (que ela ainda gosta) ter falecido e outra vez aquilo tudo de novo, minha vó, o rompimento sempre doloroso etc. Quando conseguiu me explicar, nem veio um alívio, mas uma tristeza também. 

Ela cresceu brincando no Rio Doce. Estava chorando por isso. 

A lama deixa um rastro de destruição por onde passa. Milhares de animais mortos de Minas ao Espírito Santo. O rio morto. E tem essa questão sobre o meio ambiente que eu tenho refletido muito. Sobre como é essencial hoje. E eu não vejo uma política voltada para isso nos dois maiores partidos do país. Tem a Rede que vem com a Marina, mas na Marina eu não voto por um princípio de jamais votar em fundamentalista religioso. O que sobra, o PV? Que em diversas cidades se une ao pior da direita?

 Eu não sei muito para onde ir.

3 comentários :

Daniela disse...

Tragédia anunciada, fiscalização negligenciada, com direito a financiamento de campanha política. Direita e esquerda se fundem no que há de pior no país, na corrupção, na destruição... Sou mineira, Minas sangra, chora sem lágrimas, e nem um pedido de desculpas foi feito. A impressão que dá é de proteção as mineradoras, humilhação do povo e extermínio da fauna e do rio. Sem nenhuma manifestação, sem nenhuma resposta, sem nenhum culpado, apenas declarações vagas e abstratas. Cena triste...

Não sou blasê disse...

Não tem muito mesmo. Mesmo a bombordo desse navio ideológico capenga, nós, de esquerda, também somos muitos subservientes as diretrizes econômicas.Além disso, vivemos das conquistas civilizatórias, e é difícil pra gente se imaginar sem as coisas que nos deixa confortáveis e nos categorizam como habitantes de um mundo moderno. Parece que é dolorido pra gente pensar a vida de outra forma. Não aceitamos abrir mão de nada. Não tô dizendo que devemos viver em caverna e voltar a ser caçadores coletores. Mas é que não queremos pagar a fatura da conta do nosso jeito de viver. A economia (e seus derivativos simbólico e subjetivos) não pode MESMO ser o norteador de nosso impulso conquistador.

Até pq, somos meios burros de achar que a Natureza pode ser acabar. Costumamos pensar em Natureza como planta, água e bicho. Mas a Natureza é um negócio pirocudíssimo! Que não se acaba assim não. Por uma questão ainda que não se sabe, somos considerados humanos por conseguir produzir cultura, aquilo que nos separa dos outros seres. Achamos que os recursos naturais são, de fato, recursos para nosso usofruto. Esquecemos que o planeta continuar, a natureza continua pq não depende da gente. Nos, pelo contrário...

Mas ó... acho que tem jeito. Ainda.

Mariana Botelho disse...

Reveja seus princíios! votei na Marina e toda notícia que vêm do desmatamenteno na Amazônia uma pequena parte de mim vai sendo minada pela desesperança... Ninguém faz nada sozinho, mas o problema pe que não temos um alguém que ao menos se importe.