sábado, outubro 31, 2015

Romero Rômulo


Demorei para engolir o Romero. Nós da esquerda temos que aprender que somos muito arrogantes. Hoje acho esse personagem incrível. JEC saiu do lugar comum, do pastor corrupto, do rico intragável, do bandido sem salvação. Ele nos apresenta o Romero, que engana a sociedade com o seu discurso de direitos humanos e igualdade social, mas que em uma segunda camada, apresentada para o público, sofre diversas oscilações de caráter. É um personagem dúbio. E vou além, o Romero oscila, de verdade, entre os dois mundos. Não oscila apenas superficialmente quando é uma pessoa diante da facção e é outra como figura pública diante da sociedade. Romero é peça fundamental nessa trama das regras do jogo e da vida. Toda a história dele é construída dessa forma. Ele foi abandonado aos 12 anos pela mãe. Djanira desistiu dele, expulsou de casa. Foi educado pelo Ascânio, uma figura execrável. Quem consegue superar um passado desses? O interessante é que ele deu uma boa educação para o Dante. Falo que nós somos arrogantes por esse incomodo causado quando vemos o Romero. Apresentar o Gibson pró-militares como surtado é tranquilo, mas apresentar alguém que tenha um discurso parecido com o nosso como tal, aí não? Só pode apontar o dedo para o outro grupo, quando aponta para o nosso aí a brincadeira não vale? Indo para a realidade das figuras públicas citadas como possível inspiração, Freixo e José Junior, coisa que o próprio ator desmentiu, quem nos garante que essas personalidades são boas? Uma personalidade pode representar somente o bem ou somente o mal? Ridicularizar o nosso discurso dói, mas também traz uma reflexão. JEC vai numa linha maravilhosa desde A favorita, ninguém é 100% do bem ou do mal. Precisamos parar de canonizar as figuras. Precisamos des-santificá-las. Donatela, na minha opinião, é a melhor mocinha de todas as novelas. Gostava do luxo e da riqueza, foi fácil enganar o público por 100 capítulos de que ela era possivelmente a grande vilã. Parece que as qualidades e defeitos, na cabeça do público, já estão separadas para quem é vilão ou mocinho. Com JEC não funciona assim, por isso eu amo.

10 comentários :

Anônimo disse...

textão para per.so.na.gem.de.te.le.no.ve.la. sério isso?

Anônimo disse...

amei esse post.

Felipe Fagundes disse...

Nossa, eu realmente estava refletindo sobre uma situação parecida hoje. De como uma pessoa pode ser julgada como MERECE MORRER por causa de 1 ato falho, enquanto outras são santificadas por causa de 1 atitude também, como se as pessoas fossem apenas aquilo e não existisse toda uma gama de possibilidades para aquela personalidade. Julgar caráter é muito difícil, ainda mais quando é pela internet.

Adorei seu texto.

Mesquita disse...

Ótimo texto!

Gosto das novelas do JEC, por causa disso, os personagens são ambiguos e portanto, reais.

JEC, melhor autor!

Anônimo disse...

Colocar O freixo junto do José Junior não dá e olha que não sou Freixete.

Não sou blasê disse...

Eu não entendi o texto, pq não tô por dentro dessa novela. Mas gostei da pegada "crítica do próprio discurso".

Rosana Tibúrcio disse...

Mas que maravilha de análise. Apenas penso que Alexandre Nero gostaria de ler seu post, Patricia. Apenas.

Anônimo disse...

Que vontade louca de dar meu cu

Gabriela disse...

Adorei a análise. Eu gostei do personagem desde que apareceu, apesar de ter ficado com o pé atrás no início justamente por esse "colocar uma pessoa altruísta de esquerda como vilão". Felizmente a trama é mais complexa que isso. E apaixonei ainda mais pela construção de personagem depois de ver a reação dúbia dele aos acontecimentos, o ódio pela mãe junto com a necessidade de se sentir amado - e como ele oscilou entre esses dois polos, entre continuar a vingança ou largar tudo pra lá e ser cuidado... lindo demais.

Só uma pena que a novela tá com uns arcos tão lixentos...

Anônimo disse...

Só assisti ao primeiro capítulo, nem sabia do boato que o josé jr tinha sido apontado como inspiração, maaas faz bastante sentido. moro perto dele, tem duas mansões, vários carros de luxo e escolta policial 24h. nojento.