quinta-feira, agosto 13, 2015

aquele dia

Quase 32 anos e ainda me pego aqui com graves problemas de autoestima por coisas que aconteceram há tanto tempo. Outro dia eu tive uma discussão, dessas que a gente se envergonha só de lembrar "meu deus, como pude descer tanto, como pude me humilhar tanto?". E nela eu joguei pra fora. Nunca fui elogiada em alguma coisa. Parabéns pela sua nota 10 no colégio. Parabéns por ter voltado do fundo do poço. Parabéns por ter aguentado o inferno. Parabéns por ter levado a eleição no grêmio. Parabéns por ter passado. Nunca escutei nada disso. As vezes penso ser ridículo a necessidade de aprovação, mas o que é a minha vida mesmo? Uma sucessão de coisas ridículas. Aquele cartaz que circula na internet "Damares, você não fez mais que a sua obrigação". E é isso. Parece cômico, em essência acaba sendo isso aí. A minha obrigação, por isso não mereço parabéns. Volta tudo novamente. Você nunca será nada. Sua letra é horrível. Outro dia me disseram. Que garrancho. E eu percebi. Parei de escrever bonito porque simplesmente cansei e voltei a escrever ao natural. Incomoda as pessoas. O que você escreveu aqui, não consigo entender. E esse incômodo do outro me incomoda. Pelo amor de deus, esse não é um desabafo sobre falta de elogio e letra feia. É sobre aguentar as pequenas e as grandes coisas em silêncio. Como se as pessoas esperassem de mim mais do que posso fornecer. Pode fazer tudo com ela, ela aguenta. E eu queria dizer que não, me desculpa, mas faz muito tempo que não ando aguentando. A resignação com o lixo no quarto durante 4 dias no último acesso de fúria não irá se repetir jamais. Desculpa, mas de novo não dá. A menina espírita que aturava tudo em prol de um bem maior hoje não acredita mais em deus. Não tenho mais desculpas. Lembro da cara de espanto quando eu disse no aeroporto que pensava em desistir. Você desistir? Que isso, não é possível. Não é concebível você desistir. Lembro da gatinha indo pra Bahia e não aguentando 2 meses e só não foram visitar porque ela voltou antes. Quem foi me visitar em 2 anos? Silencio no hay banda. Saio calada, como aliás sempre fiz. A diferença é que deixo claro. Aqui não. E se perguntarem o que aconteceu, eu vou responder que a culpa foi minha. A culpa é sempre minha.

12 comentários :

Anônimo disse...

Sou filha única de pais divorciados, meu pai sempre cagou pra mim, então na minha vida contei mesmo foi com minha mãe e minha avó e avô, que já se foram.
Atualmente, pra mim, família mesmo é só minha mãe. Só me importa a opinião dela e embora ela não seja muito de falar pra mim, se derreter, sei que se orgulha das minhas conquistas (é o jeito dela, vai ver o jeito do seu parente em questão também é)
Até vou em festinha, aniversário de família, mas é mais quando a grana tá curta e não tenho coisa melhor pra fazer. Sou da turma que acha mesmo que amigo de verdade é mil vezes melhor que qualquer parente.
Não que não goste de meus parentes, mas é falta de afinidade ou de paciência mesmo.
Acho família no geral, um saco. Se metem em tudo, falam mal uns dos outros, brigam e na hora que a coisa aperta de verdade, só dá pra contar com um ou dois.
Não dou intimidade pra meu pai, pra tios, primos, porque as poucas vezes que dei, pisaram na bola, então larguei pra lá. E cago pro que eles pensam de mim e mesmo não falando com todas as letras, deixo mais ou menos claro.

Anônimo disse...

minha mãe e meu pai se derramam em elogios (pros outros) sobre a minha aparência e inteligência. é um troféu pra eles, principalmente pra minha mãe. e principalmente da minha mãe eu só recebo paulada atrás de paulada sobre como eu não faço nada direito e que nunca me esforço ao máximo e tudo que provavelmente tu já deve ter ouvido, ao mesmo tempo em que eu seguro a minha barra, uma casa, três cachorros e a barra emocional do meu pai (divorciado dela e querendo se divorciar de novo), de todos meus amigos e namorado. eu vivo resolvendo os problemas deles e nunca ouvi um muito obrigada, b. eu já cheguei a carregar tijolo e saco de cimento seis andares acima pra minha mãe pra ela não pagar um servente de pedreiro. eu já troquei fraldas e dei de comer pra mãe dela, quando era adolescente. até hoje eu to muito magra, ou muito gorda, ou muito pálida, ou desempregada de novo, ou errando de novo, nunca tá bom. eu sofri um acidente bem problemático há umas semanas, um breakdown + remedios que ela insistiu que eu tomasse pra ser e funcionar como uma pessoa "normal". por sorte não fiquei tetraplégica ou paraplégica. por muita sorte. meu corpo e rosto sofreram algumas alterações, umas permanentes e outras não, nada que seja extremamente desegradavel ao olhar. quando cheguei do hospital em casa, ela simplesmente disse que eu podia ter acabado com meu rosto e ficar feia pro resto da vida. um dia depois disso, enquanto eu ainda não conseguia levantar da cama pra ir ao banheiro, meu namorado disse que eu era fresca por não querer ir a um show com ele, afinal eu tava viva mesmo. e assim a vida se repete há anos. tenho que estar sempre pronta e inabalável, com a aparência impecável e humor em cima pra não assustar ninguém. eu te leio há um bom tempo, Patricia, não quero me identificar por razões de privacidade e por não comentar essas coisas com as pessoas, mas me identifico completamente com teu relato. não tem mais como aguentar. espero que a sorte vire pro nosso lado. beijo, b

Lara Mello disse...

É dessa forma que me sinto, a gente não pode existe, sempre tem alguém pra jogar vdds na cara, e ops, as vezes não é tão vdd assim.. Obrigada por mais uma vez me lembrar, porque estou aqui...

Lara Mello disse...

É dessa forma que me sinto, a gente não pode existe, sempre tem alguém pra jogar vdds na cara, e ops, as vezes não é tão vdd assim.. Obrigada por mais uma vez me lembrar, porque estou aqui...

Lara Mello disse...

É dessa forma que me sinto, a gente não pode existe, sempre tem alguém pra jogar vdds na cara, e ops, as vezes não é tão vdd assim.. Obrigada por mais uma vez me lembrar, porque estou aqui...

Allan Penteado disse...

Adorei esse seu post porquê eu tô me sentindo assim. Acabei de escrever algo parecido no meu blog e vi que a merda tá fedida pra todo mundo! Já tô assumindo meu papel de péssimo filho a tempos e meus pais insistem em me olhar com positividade e expectativas.

Não sou blasê disse...

O que a impede de dizer?
É a natural dificuldade de elaboração diante daquilo que causa nos violenta?
Elaborar é preciso.
Quando a "vontade" de desistir se instala, isso já é um sintoma. Um sintoma é algo que surge a partir da falta ou dificuldade de elaboração de traumas.

É preciso dizer. Pra si e pra quem precisa realmente ouvir. Não se engane. Mesmo que pareça que aquilo que lhe perturba não diz respeito a ninguém, diz sim.

Tente elaborar. Não sei como você faria isso. Não sei quais são seus recursos. Você precisa dar nomes e conseguir narrar pra si mesma, porque certas coisas perturbam seu espírito. Elabore e não sei muito bem como, mas nesse processo terrível que é a elaboração de nossos terrores, você vai saber exatamente pra quem deve dizer isso e se libertar (um pouco), de alguns terrores.

Rosana Tibúrcio disse...

Patricia, te entendo e espero que tudo melhore, que você fique bem com essas questões.
Eu me identifiquei muito com seu texto porque passei por coisas um tanto parecidas. Consegui superar um tanto bom e torço para que você também consiga.

Má aí fico pensando: será que erro nesse nível com minhas filhas, com quem precisa de meu apoio, com quem eu gosto? Se sim, te juro: não é por querer, é por dificuldades que também carrego.
Tomara que você consiga identificar quem te gosta de verdade nesse monte de coisas repetitivas e sofridas.
beijo e carinho

Susan Barbosa disse...

Nossa, super entendo e me identifico!
Parabéns por se expressar tão perfeitamente por todos nós!
bjo

Vanessa Negrão disse...

___________o_____________

tem gente que tá feliz só porque você existe, tipo eu.

Mariana Botelho disse...

" a gente espera que tudo mude pra gente ser feliz, até que um dia a gente muda e nada mais precisa mudar" depois de 3 anos de terapia comecei a mudar e finalmente tô caganda pras expectativas alheias... não é sobre eles, é sobre você

beijos! p.s: te gosto muito

Janah disse...

ainda estou por aqui lendo algumas postagens. tem uma galera nova aqui né? nova no pedaço e nova na idade. legal q vc vai atravessando o tempo.

me identifiquei demais com o texto.
quem nunca pensou em desistir?
quem não é ou está depressivo nesse mundo cu hj em dia?

estranho ver q essa falta de aprovação (a qual passei na infância, e hj em dia não sei aceitar os louros q recebo por continuar com a auto estima cagada), estranho essa falta de aprovação marcar a gente pro resto da vida. cagar a gente assim definitivamente.

hj em dia resolvi minha aparência, pelo menos em partes.isso me doía, não sabia lidar. casei com alguém q amo. me realizei e tive reconhecimento na minha dança.

mas lá dentro está sempre a garota cagada que descia a rua do colégio correndo pra não apanhar. que fugia do bullying do c.a à 8ª. e que nunca conseguiu reconhecer sua mãe como tal.

é sempre assim:
_Vc é boa no q faz. R: não sou não.
_Vc é linda. R: Não sou não.


Super compreendo.