quarta-feira, julho 01, 2015

redução não é solução

Cada vez que uma pessoa favorável à redução posta algo raivoso como "tomara que você seja estuprada por um menor" ou "tomara que um menor mate sua mãe pra você ver o que é bom", penso que isso reforça mais ainda o meu lado nessa discussão. Sem contar que eu jamais desejaria isso para um oponente num debate, a vibe aqui é outra. Nossos pontos de partida já são diferentes porque vejo a prisão como ressocialização não como punição. É pra isso que o estado de direito nasce. Se fosse para ser olho por olho era melhor inventar uma máquina do tempo e voltar pra idade da pedra. Um mundo sem lei. 

Em 2010 a minha mãe foi agredida por um parente, teve a coluna fraturada, quebrou um dedo e foi parar no hospital com hemorragia interna, quase morreu. Teve que usar colete ortopédico por 6 meses. O responsável? Só foi chamado para depor 2 anos depois. Os inquéritos demoram, os responsáveis por n crimes sequer são chamados pra depor porque fogem e a PM não tem quadro pra procurar ninguém. Não é mais urgente revermos essa falha no sistema com crimes que representam a grande maioria dos casos? Por que esse furor midiático para discutir crimes minoritários? 

Entra mais uma vez na discussão da punição. Ninguém quer solução para o problema da criminalidade.
Roubou um celular e saiu correndo? Pega ele, mata.
Estuprou e matou? Pega ele, coloca cada membro preso em um cavalo selvagem, de modo que ao correr, cada cavalo arranque um membro e fique exposto em praça pública apenas o tronco do bandido (relato que está em Vigiar e punir, do Michel Foucault).
E por aí vai. 

Já dizia Saramago, "olho por olho e acabaremos todos cegos".

 Frequentemente, nós apoiadores da não redução, somos chamados de inocentes. "Tá louco, o cara de 16 sabe muito bem o que tá fazendo, o cara estupra, mata, assalta e o estado vai proteger?". Então, eu sempre devolvo a acusação. Alguém pode realmente achar que o estado protege crianças e adolescentes de alguma coisa? Principalmente quando esse menor é negro? Talvez um inocente pense que sim. Quem compreende o sistema, quem enxerga as estatísticas, sabe bem que o estado e a sociedade empurram esses menores para o crime. Um assunto que vai muito além de uma redução na maioridade penal. É imprescindível uma reforma no sistema prisional, reestruturação da educação e a legalização do aborto. Inocente, pra mim, é quem pede a redução sem se ligar que esses 3 temas são a raiz da situação e devem ser tratados primeiro.

11 comentários :

Carla Moura disse...

Concordo. O mal da sociedade é tentar mitigar as consequências sem reparar as causas. O fato é que ainda me surpreendo (negativamente) com alguns pensamentos disseminados por aí desde evocação da ditadura à intolerância religiosa/afetiva/racial. Dá medo de ser gente num mundo (quase) animal.

Felicia Luisa disse...

Obrigada <3

Anônimo disse...

A pessoa que adora se gabar de ser rancorosa, de desejar o mal ao seus inimigos pregando que ~pena n é castigo, é ressocialização ~???? É sério isso?

Asas Negras disse...

Ainda preferiria a pena de morte de modo massificado como na China. Nosso governo não é competente, nossa policia só trabalha com eficiência quando o crime é contra ela ou alguém importante. Se é solução? Não. Mas eu ficarei feliz que um menor que mate alguém fique mais alguns anos longe da sociedade. Muita coisa no Brasil é bonita no papel. Lugar de bandido deveria ser na vala. Já que ressocializar no Brasil? É quase promessa politica.

Asas Negras disse...

Ainda preferiria a pena de morte de modo massificado como na China. Nosso governo não é competente, nossa policia só trabalha com eficiência quando o crime é contra ela ou alguém importante. Se é solução? Não. Mas eu ficarei feliz que um menor que mate alguém fique mais alguns anos longe da sociedade. Muita coisa no Brasil é bonita no papel. Lugar de bandido deveria ser na vala. Já que ressocializar no Brasil? É quase promessa politica.

Leticia disse...

Que as coisas deveriam ser reestruturadas não há dúvida.. e que talvez enfiar todo mundo numa prisão não vai resolver, até concordo. Mas um cara que mata e estupra ser encarado pela lei como um adolescente sem condições de responder por seus atos pera lá! Já é demais. Certos crimes hediondos pra mim deveriam ser punidos com perpétua ou pena de morte. Uma coisa é vc roubar pq não teve condições, vender droga pq cresceu nesse meio etc etc... agora homícidio e estupro entram em outra categoria. E o pessoal que diz "ah, vc não é a favor da redução então espero que seja assaltado por um menor" provavelmente diz isso mais pela agonia de não ser compreendido do que realmente desejando mal à alguém.
Duvido que uma pessoa que sofresse um estupro violento ou tivesse algum parente assassinado por um menor olhasse para ele com pena por ser um produto de uma sociedade injusta. Embora ele seja, e não deixo de concordar com isso. Mas quando a pimenta está nos seus olhos, não dá pra não pensar "matem esse fdp! prendam ele!".. e aí vc tem que escutar, "coitadinho, ele é uma criança". Pff.. faça-me o favor.
A redução não soluciona os problemas base do país, mas deixar essa galera solta aprontando a vontade até os 18 anos resolve menos ainda.

Anônimo disse...

Tb sou contra.
Não esperava outra coisa de você, Patrícia.

Anônimo disse...

Qualquer pessoa inteligente com o mínimo de raciocínio lógico pensa exatamente igual a você.
Palmas Patrícia.

Anônimo disse...

já eu acho que um acusado de cometer um delito ou, principalmente, um crime, deveria ser julgado e, se for o caso, cumprir a pena integralmente (ou seja, penas de 120 anos significam até a morte do elemento e não 5 ou 6 anos, como se vê por aqui) independentemente da idade, seja ele uma criança de 8 anos ou um idoso de 90.

Anônimo disse...

legalização de aborto? não seria mais fácil um plano visando planejamento familiar?

sim, eu seria a favor se nosso país fosse sério, e penalizassem esses menores, em instituições com o objetivo de ressocializá-los.

Patricia C. disse...

aborto é um direito da mulher sobre o seu próprio corpo. porém, uma coisa não exclui a outra. também sou a favor de campanhas para o planejamento familiar.