sábado, maio 23, 2015

sobre RPDR 7, Kennedy e Ginger

 

Eu já tinha lido a boot list, então já sabia quem saia, sabia o TOP 3. E, de verdade, isso não me tirou a emoção de nenhuma eliminação. Chorei com Trixie, Katya e Kennedy, mas eu gostaria de falar dessa última mesmo porque me incomodou muito a postura dos fãs nessa sétima temporada.

A impressão é que quando se nasce ou se tem algum defeito, precisamos compensar. E, para um uma sociedade racista, gordofóbica, homofóbica, transfóbica etc, ser negro ou ser gordo é um defeito. Só podemos perdoar o negro se ele agir com humildade, só podemos perdoar o gordo se ele for engraçado, só podemos perdoar o gay se ele for invisível. Essa ideia necessita de muitos parágrafos para ser debatida, mas meu foco é a Kennedy, não quero perder.

Serei bem sincera. Kennedy e Ginger não trouxeram nada de novo, como por exemplo, Bianca e Sharon nos trouxeram com o clown e androgenia. Porém, não é um reality essencialmente sobre criatividade, mas sobre ser drag. Silvetty Montilla, a maior drag brasileira, não duraria um dia em RPDR, e quem perde, pra mim, é o show, não a Silvetty que é maravilhosa. Como fã do reality, não foco criatividade, foco ser drag. E isso, tanto Kennedy, como Ginger, têm de sobra. Kennedy inclusive é venerada por grande parte das queens de outras edições.

Então, volto para a postura dos fãs. O ódio gratuito. A comemoração como se fosse o tetra na eliminação dela. E por quê? Fazendo um paralelo com a Violet, as duas desde o início foram venenosíssimas e pouco simpáticas com as outras competidoras. Violet é amada por grande parte dos fãs. Kennedy é odiada. Volto a questão do "defeito" (como a sociedade enxerga) e me pergunto: se Kennedy fosse branca e magra, esse ódio persistiria? "Ai, não é racismo, a gente amou a Latrice". Gato, quem no mundo não ama Latrice? Ela é o anjo que veio nos salvar. Até um membro da KKK amaria Latrice. Hitler na morte casando com Eva Braun era capaz de chamar Latrice para celebrar o casamento. Não dá nem para comparar. Muitos falam sobre Kennedy não ter carisma, Pearl também não tem e taí, favorita para levar a coroa.

Pontuo mesmo essa questão da compensação. Gay em novela só é aceito se for engraçado ou possuidor de um caráter irretocável. Ele não pode ser humano com todos os seus defeitos. Gordo só é aceito se for sweetheart. Negro só é aceito se for humilde e por aí vai. Não afirmo que a postura dos fãs seria outra, apenas tenho minhas dúvidas.

Minha final dos sonhos seria Ginger, Kennedy e Katya. Amo as duas últimas, mas Ginger é a minha favorita desde o dia 1 e estou felicíssima com ela na final. Fez um bom snatch game, mostrou vulnerabilidade, superou suas dificuldades na raça e entrou na competição para ganhar. Tem minha torcida para grande final.

#TeamGinger

4 comentários :

Nadja Pereira disse...

Minha torcida é da ginger também. É engraçado que negros, como kanye, não podem ser arrogantes. Tem sempre um ser pra encher o saco. Sempre o critica mais do que os outros... Se for mulher então.

P.s. Como pearl que é fraquíssima chegou na finaL?

Fabi disse...

Latrice entra no que vc disse de compensar. Ela, no programa, era divertida, generosa, tinha um grande coração por isso foi tão bem aceita, uma pena não ter ganhado.

Luana disse...

Latrice eh maravilhosa, tem toda razao.. Ate hitler ia ama-la! Se ele tivesse ganho a guerra ia acabar com todas nos, menos a Latrice.
Eu torci MUUUUUITO pela Katya e a eliminacao dela foi a unica vez que chorei assistindo RuPaul.

E sim, tenho CERTEZA de que as coisas seriam bem diferentes se a Kennedy fosse branca e magra...

Wesley Lacerda disse...

Ótimo texto, Pat.
Eu também penso assim.
Ah, você viu que a Globosat comprou os direitos do programa? Fiquei muito feliz!