quarta-feira, maio 01, 2013

não

Tenho evitado falar sobre a família porque consequentemente está atrelado ao merda. E é mesmo um assunto muito caro e consumidor de todas as boas energias. Quando percebi que me transformei num poço de negatividade para as pessoas, quando conto e falo sobre a história, parei de falar. E para mim, é ruim. Porque se não externo, fico ainda mais embebida em ódio. Não consigo esquecer a história um só minuto. No trabalho, nas aulas, bebendo com os amigos, estou pensando nisso o tempo inteiro, mas não externo e finjo que está tudo bem para evitar ser uma dementadora.

Tudo isso só para dizer que a Rita me chamou para ser madrinha do filho dela. Não falou diretamente comigo, mas pediu a minha mãe que me convidasse. "Eu queria muito, tia, que ela fosse a madrinha do meu filho, porque considero ela uma irmã".

Minha mãe, que já sabia a minha resposta, falou: "Rita, não vou falar com ela para a criança não ser rejeitada, acho que ela não vai aceitar". Mas acabou me contando do convite.

Durante 26 anos, a Rita, minha prima, foi o mais perto de irmã que eu pude ter. Tínhamos nossas diferenças, mas eu sempre pensei no futuro, que quando a velhice chegasse, ela estaria ao meu lado e vice-versa.  Passamos por dificuldades, problemas de confiança, mas no fim, ela estava lá.

Estava.

Até que veio a agressão.

E ela não apenas tentou defender o merda, como disse a célebre frase.

- A coluna da sua mãe já tinha problemas, né?

Minha mãe tendo que usar colete ortopédico por 6 meses, mas "ah, a coluna dela já era fodida né?".

Jamais esquecerei. Nunca mais pisei na casa dela. Argumentei, mas foi em vão. Ela estava martelando o discurso do perdão e mimimi-a-bíblia-diz. Engraçado que quando ela foi agredida pela ex do marido, ela correu para a delegacia, processou e nem quis saber de perdão.

Mas quem sou eu. Quem é a minha mãe.

Não vou mentir e dizer que sigo a minha vida bem. Ainda me dói ter cortado todos os laços. Dói eles terem agido como se fosse uma briga normal entre irmãos, quando na verdade foi uma agressão que poderia resultar num assassinato se a empregada não se metesse no meio. Dói ver que o merda só foi defendido porque tem dinheiro. Não quiseram se queimar com o Eike da família.


Então, não, Rita. Não vou ser a madrinha do seu fílho. Desejo saúde para o pequeno Daniel, mas não posso ser madrinha de uma criança cuja mãe eu não tenho o menor respeito. Cuja mãe sinto nojo e não desejo ter o menor contato.

30 comentários :

Lari e Dé disse...

Só te desejo tudo de melhor do mundo!

Mariana disse...

Sério mesmo? Eu entendo bem você e, em seu lugar, agiria da mesmíssima forma. Você sabe onde dói, onde a coisa aperta e ninguém vai viver seu sentimento. Só você mesma. Força aí.

Anônimo disse...

Dessa vez concordo plenamente com vc. Que a crianca seja feliz, e quem sabe essa sua prima um dia tenha um momento de lucidez e veja que o que seu tio fez e inaceitavel. Infelizmente a familia pode ser uma fonte de enormes decepcoes.

Angeles

Anônimo disse...

Estou numa situação semelhante, mas o filho é da minha irmã de sangue, e ela está querendo amizade comigo porque está grávida, todavia, ela passou minha vida toda me agredindo (fisicamente e verbalmente).
Sou uma idiota, e toda vez que ela chega para conversar e pedi ajuda, chego junto e digo que vou ajudar.
Puta merda! Me odeio.
Desculpa o desabafo.

Anônimo disse...

Tá certíssima.

Anônimo disse...

Cara, na fala da sua mãe:
""Rita, não vou falar com ela para a criança não ser rejeitada"

eu ri alto.
sua mãe é foda.
sua mãe te conhece.
amei sua mãe.

Passo por situaçãoes semelhantes e sei o quanto dói. sei o quanto revolta, sei o quanto a gente se sente uma merda por não estar entre aquelas merdas que a gente julgava gostar...como se pudéssemos dizer: Quem merda! Pq vcs fizeram isso?
eu admiro MUUUUUUUUUUUUUITO VC por dar tua cara aqui e escrever isso.
eu sou praticamente sua fã.

vc tem pra mim a total coerência de vida que eu julgo necessário para as pessoas no mínimo se respeitarem hoje em dia.

Mas uma coisa te digo: A resposta de DEUS vai vir sobre eles cara. pode acreditar. Não ficar impune não. A justiça dos homens se vendeu, mas a de Deus não se vende.
fica no camarote que vc vai ver.

Anônimo disse...

coloca uma coisa na sua cabeça. sua FAMÍLIA é composta APENAS por sua mãe e você. esse resto que vc menciona é PARENTE. e se essas pessoas não merecem consideração, finja que estão todos mortos e fim. sua mãe aceitará mais cedo ou mais tarde e vc será livre. remoer desavenças faz mal pra gente mesmo.

Fernanda disse...

Concordo...Família é pai e mãe, às vezes, qdo muito, irmão. O resto....é família na hora do pudim!

Anônimo disse...

E quando a agressão parte da sua mãe?

Minha mãe é doente. Bipolar, tem TOC com arrumação. E a vida toda me agrediu. Me espancou uma vez porque eu decidi ir pra casa da minha avó de ônibus. Tinha 18 anos, e minha vó morava no bairro do lado, 20 minutos.

Também rolaram outras agressões/espancamentos gratuítos por nada. Eu nunca a perdoei, de fato, por isso, e em toda discussão (sim, 25 anos e eu convivo com ela por motivos de: tenho coração bão. E pena, afinal ela é doente e meu irmão, graças a ela, muitas vezes é um boçal)jogo isso na cara.

O que ela fala? Você tem que superar. Fazer terapia. Como superar? Só você sente. Só você sabe o que é uma pessoa que decididamente deveria cuidar de você/ficar do teu lado te causando tanta dor.

Isso tudo pra falar que eu te entendo, e te desejo boa sorte, e lhe dou os parabéns.

P.S: Minha arma é querer me mudar urgentemente deste Estado. Tenho tanto trauma com isso, que não quero ela convivendo com meus filhos, se eu os tiver.

Anderson Kbção ® disse...

azar da criança que perderá uma madrinha que, acima de tudo que passa, no fundo seria mais que uma mãe...

marquinhos disse...

Patrícia, se tem uma coisa que admiro em você é a sua total coerência, embora lamente que o perdão não faça morada em você. Considero muito mais nobre esquecer do que perdoar, mas o esquecimento também não faz parte dos seus planos,né? De qualquer modo, meu desejo é que você viva muito bem, apesar dos pesares, e que você tenha muitos motivos para sorrir, porque você merece.

Juliano Correa disse...

A gente só "perdoa" quando a dor de se afastar de alguém que fez alguma merda pra gente é maior do que a dor de engolir um sapo. O sapo (seu tio e as pessoas que o defendem/eram) é muito grande e muito amargo e a dor de se afastar da prima, por maior que seja, não é maior do que ter que aceitar esse traste do Eike da família como um ser humano normal. Ele não é normal e quem o defende tem muitos probleminhas. Tua sanidade reside no fato de você não se conformar com o que todo mundo se conforma. Você é admirável, garota. Todo mundo deveria ter 10% da tua sanidade, no mínimo. Não deixe ninguém te fazer acreditar que é você a louca da família; você é a mais sã, por tudo que já li do que você posta.

Renata disse...

tá certa.

Wesley Lacerda disse...

É difícil dar opinião sobre isso, já que estamos falando da sua vida, mas penso que você fez o certo. Antes não aceitar e deixar que a mãe faça uma “escolha melhor” (num bom sentido, rs) do que aceitar e depois não ligar pro garoto.

Rafael M. disse...

As pessoas enchem a boca pra falar em perdão, mas quase sempre advogam em causa própria. Ou têm culpa no cartório e querem aliviar a consciência suja, ou pretendem tirar algum proveito daquele a quem feriram. Você tem todas as razões do mundo pra sentir mágoa dessa guria, no teu lugar eu sentiria o mesmo.

Anônimo disse...

Olha, me vi nesse teu texto. Pq há bem pouco tempo atrás eu me sentia assim o tempo todo. Essa questão de estar fingindo viver normalmente e por dentro ser um poço de mágoa, cheia de raiva acumulada e reprimida? Eu entendo.

Uma hora a gente explode. Eu explodi e tive de procurar ajuda profissional. É, voltei pra terapia. Foi isso que me ajudou a canalizar essa raiva, a dissipar tanta mágoa, pq a verdade é que eu e mais ng estava penando.

A merda sabe qual é? Se bobear ela tá cagando pra vc e fez isso pra pagar de boazinha (vai saber), ou não pensa nisso a missa metade, e é vc que tá sofrendo com isso, se envenenando com ódio. É foda, mas enquanto isso te importar é pq não está bem resolvido. Enquanto vc não conseguir cagar na cabeça deles, só vai fazer mal a vc mesma :((((
Espero que vc consiga se livrar desse fardo.

Anônimo disse...

Sobre o ódio: faça terapia. Não que o ódio vá passar (nem acho que deva), mas pelo menos vc vai conseguir viver a sua vida sem essa história dementadora te rondando.

Anônimo disse...

Só uma pergunta: como sua mãe esta história? porque pelo o que entendi, ela continua tendo contato com os defensores do monstro ( sua tia e sua prima).Posso estar entendendo errado, afinal só sei sobre isso, o que você escreve aqui, mas sua mãe que foi a principal vítima não está morrendo de ódio da irmã e da sobrinha, por que você tem que ter?

uma coisa que eu aprendi desde cedo, é : jamais compre a briga dos outros.No final quem se fode é sempre você!

Anônimo disse...

Errata: como sua mãe vê esta história?

Anônimo disse...

Sensata!

David disse...

Acho muito engraçado as pessoas virem aqui falar em "perdão" diante de uma situação como essa.

Realmente, é suuuuuuuuuuper sensato perdoar uma pessoa que apoiou um sujeito que surrou tanto a sua mãe a ponto dela ir parar no hospital e usar um colete ortopédico por 6 meses.

É suuuuuuuuper sensato deixar as diferenças de lado quando, após sua mãe se recuperar da surra de um parente endinheirado, a pessoa chegar e mandar que "a coluna dela já estava fodida" numa tentativa vã e desnecessária de amenizar uma situação para o lado de um sujeito em que só porque ele é cliente Private de um banco qualquer.

E querer perguntar o que a mãe da Patricia pensa da história? Na boa, vocês já leram os posts mais antigos? A Patricia já cansou de dizer que a mãe dela não tem discernimento pra isso e vagabundo quer saber o que ela acha disso tudo???

É cada sem noção que aparece aqui, que vou te dizer, viu...

Anônimo disse...

Parece que sua prima tá mesmo querendo bancar a boazinha, tentando se reaproximar e conciliar uma situação. Muita gente acredita que os bebês têm esse poder. Chegam nas famílias e podem amolecer todos os corações. Ela pode estar sentimental e pensando assim até mesmo sinceramente.

O que eu acho é que as pessoas precisam entender que tem coisas não dá pra conciliar, tipo a violência. A não ser que o cara se retrate com a sua mãe, reconheça o erro, peça perdão etc etc - ainda assim, cabe a vc e sua mãe responderem a isso.

Infelizmente essa mágoa tá totalmente fundamentada numa situação de injustiça. É difícil perdoar uma injustiça. Mas o problema é que neste caso são todos contra vc. Até sua mãe não está do seu lado, porque escolheu uma certa neutralidade.

Então, talvez seja a hora de vc pensar em se cuidar. Não falo em perdoar, esquecer, nada disso me parece possível. Terapia seria uma alternativa bem razoável pq seria um lugar pra trabalhar isso um pouco na lógica da desintoxicação, sabe? Vc vai falando e isso vai saindo de vc - não resolve a sua vida, te dá um pouco mais de força e discernimento.

Fico muito na torcida pra q vc encontre um mecanismo pra lidar com essa situação que não é nada fácil e não tem fórmula.

Boa sorte demais.

beijo,

Paola

Anônimo disse...

Oi Patricia,

acompanho você e suas histórias anonimamente há mais do que eu gostaria de admitir, nunca entendi essa história da agressão e também não encontrei aqui no blog, talvez eu tenha esquecido, alguém ou você pode me mandar o post com essa história? É a primeira vez que comento pois essa curiosidade está me matando! Agiu muito bem.

Anônimo Incompetente

Rosana Tibúrcio disse...


Perdoar é complicado e quase impossível quando o outro não se arrepende. E, pra mim, não existe isso de esquecer depois do perdão.

Perdoar é uma coisa; esquecer é outra coisa e as duas ações não estão interligadas. Seria o ideal, mas não estão.

E você parece querer já querer bem ao Daniel. Que pena essa Rita ser tão bostinha de cobra assim.

Anônimo disse...

Não tenho o que opinar a respeito do que vc disse. Eu me afastei de todos da minha família, então não sei como é estar na sua pele. Mas passei aqui pra te dizer que você está crescendo muito, amadurecendo o comportamento e os sentimentos. A essência é sempre a mesma, mas há amadurecimento ai. E isso é bom. Você saiu do imobilismo, conquistou pequenas coisas, porém significativas, tá tentando, e eu vejo até uma tentativa sua de se auto perdoar. E isso é magnifíco! Desejo-lhe força e coragem. E amor também. Um bjo

Anônimo disse...

concordo com a pessoa que falou da terapia. ficar embebida em ódio é péssimo. falo por experiência própria. pode passar primeiro por um psiquiatra, pode ser do plano mesmo, não tenha preconceito. é muito mais tranquilo do que a gente costuma imaginar. serião. nenhum bicho de sete cabeças. ALÉM DE QUE no pinel tem ótimos profissionais, que podem te encaminhar pro pedro ernesto, onde tem gente melhor ainda. fikdik

Anônimo disse...

Isso mesmo,não aceita. Isso é golpe para arrumar madrinha sem filhos e que, em tese, vai disponibilizar dinheiro para a criança por "não ter onde gastar". Já cai nessa e a mãe veio me consultar se eu pagaria o colégio da criança para ela poder se separar, só pode ser piada né? Porre de gente abusada.

Anônimo disse...

O anônimo da 01:23 tem razão. Meus pais são padrinhos de uns primos meus e eles vivem pedindo coisas caras para seus pimpolhos, e olha que eles têm grana pra comprar, ninguém ali é pobrezinho coitado.

gláucio s. disse...

faria o mesmo.
pessoas já morreram pra mim por menos, quanto mais pra algo assim tão sério.
você está certa, e acho inadmissível que as pessoas não consigam enxergar o quanto estão erradas. talvez quando sofrerem alguma agressão, ou nem assim. dois pesos, duas medidas, etc.
um beijo, querida!

Anônimo disse...

E tem gente que acha que "novela" é ficção pura, que autores inventam situações jamais acontecidas (ou possiveis de acontecer) na vida "real"... triste saber que a realidade supera e muito a ficção, mas deixo aqui meus votos de que alguém lhe grite um bom e sonoro TE AMO, PORRA! Não há nada que cure mais do que ser "amada"... isto vc ainda não experimentou, é só ler seus textos que, recheados de dor e amargura, são sinceros e disfarçam um pedido de socorro que não foi ouvido ainda por ninguém que (lhe) valha a pena. Que a vida nos seja mais leve sem nunca nos esquecermos de que "o inferno são os outros".