terça-feira, janeiro 01, 2013

opa, não era isso que eu queria, desculpa

Estava fazendo um paralelo aqui entre o que aconteceu em 2006 e o que eu acho que vai acontecer em 2013.

Pensei ontem enquanto almoçava.

Meu calcanhar de aquiles é a faculdade e sempre foi. O que desencadeou toda a depressão de 2006 foi o início das aulas. A gota d'água no copo cheio. Porque se colocar na balança normal, não ter uma faculdade é menos grave do que cuidar de um pai doente que te batia quando você era uma criança. A obrigação de cuidar de quem não cuidou de você. Na balança normal, isso tem mais peso. Mas é curioso que justamente uma merda de uma faculdade tenha aberto os portões do inferno. É curioso também que, duas semanas antes, eu tenha me sentido abandonada por todo mundo. Julgada. Sozinha.

Acho que eu conseguiria se tivesse alguém para conversar. Passei dezembro inteiro pensando em 2006 e as consequências que me trouxe.

A ordem natural das coisas. A culpa é minha. Claro que é impossível não transferir a mágoa para o outro, mas tenho absoluta consciência: a culpa é minha.

Ninguém é obrigado a cuidar de mim.

Não sei explicar, é mais uma sensação mesmo. A volta da indiferença. Da apatia. Da porta.

Talvez eu não consiga em 2013 passar por tudo aquilo sozinha. Mas quem disse que eu consegui em 2006?  Foi muito mais um acaso qualquer do que propriamente a minha coragem. Nunca tive. O mundo caindo e eu andando sozinha sem me desviar de nada, porém, contrariando tudo, nada de grave aconteceu. Sorte talvez. Só não sei se terei de novo.

13 comentários :

Anônimo disse...

Pois eu espero que sim.
Admiro muito você.
Feliz ano novo.

Helô

Inaie disse...

Vai ter sorte sim! As vezes a gente fica anestesiada, pra conseguir passar pelo joguinho de obstaculos que é a vida...

dorinnha radashy disse...

esse lanse que vc disse que " a faculdade abriu os portões do enferno", se parece muito com o que aconteceu comigo em 2009. mais mesmo assim nós temos que lutar sabe patricia, mesmo que tudo caia. mesmo que as forças acabem. mesmo que ninguém nos acompanhe.

Luciana disse...

Patrícia, não pense na "derrota" de antemão. O tempo passou e você não é mais a mesma. Não é mais a pessoa de 6 anos atrás. Tira essa memória afetiva "do mal" da sua cabeça. Eu sei que é fácil falar, mas tenta olhar para frente e parar de se culpar. Isso só te puxa para baixo e não te leva a lugar algum.

Outra coisa: reconheça as vitórias que você obteve, mulher! Reconheça, também, sua inteligência e capacidade! Para de se cobrar tanto assim, plmdds. Você é uma pessoa incrível. De verdade. Espero que tudo fique bem!

Beijos!

Vitor Morais disse...

Paty, acompanho seu blog há anos, então não se assuste com o tratamento íntimo, é que realmente me sinto íntimo de tudo que você vive. E, mais uma vez, vários comentários positivos e tentando te colocar pra cima. Me perdoem, mas Blá. Mais blá. Vir aqui todo dia e ler é fácil, difícil é passar por tanta luta e dificuldade na pele. Aí sim o negócio fica tenso. O Ano Novo me fez comentar seu post. Não porque tudo se fez novo e existem novas possibilidades. Não porque tudo começa do zero. Nenhum desses blá blá blás. A vida continua, quer a gente queira, quer não. E isso é a única coisa que nos faz olhar e seguir em frente: é impossível parar. Já que não dá pra parar, vamos tentar. Vamos em frente e esperando por coisa boa. Seja sorte, seja a sua hora, seja alguém diferente. Mas vamos tentar, pelo menos tentar, levar de um jeito melhor. Meu ano já começou uma merda, mas vamos tentar. Então, minha única palavra pra você é essa. Tentar.
Admiro muito você, deve ser incrível compartilhar o dia a dia ao seu lado. Mas... vamos que vamos.
Beijão, boa sorte e muita animação pra este ano.

Anônimo disse...

Oi Patrícia. Como o Vitor acima, também te leio há anos e nunca comento porque não sei se você lê e fica mais irritada que feliz com gente estranha que comenta, mas... Dessa vez venho te dizer que, se você fosse minha amiga te diria o seguinte: 1- eu também não cuidaria de um pai desses; 2- agora que você se mantém sozinha, sinta-se no PODER de escolher fazer outra faculdade ou não (eu faria); 3- agradeça por ter amigos e essa mãe fofa que você tem (só tenho 1 amiga que efetivamente me dá atenção e minha mãe também me dá umas dores de cabeça). 4- você não está sozinha, lembra disso.

Nunca disse disse...

Não seria agora, uma oportunidade de começar a cogitar Fundão? Duvido que seja tão ruim assim, vai.. :)

Anônimo disse...

Foco, Patrícia.

Anônimo disse...

passou na uerj, patricia? torci por voce

eu tambem sou leitora ha anos, é tao estranho isso.

enfim, jamais cuidaria de um pai que me bateu. e eu acho que sou bem mais sozinha que você, já que só tenho a minha mae com quem eu possa contar. vc tem amigos.

Anônimo disse...

Patrícia, não vou desfiar positividade aqui, foda-se isso. Mas vou te dizer uma coisa que costumo dizer pra mim mesma quando começo a noiar que tudo vai voltar, que vai ser sempre a mesma merda que vai acontecer e etc: tu não sabe.
A gente não sabe se vai acontecer. Nem pro bem e nem pro mal. E se não sabe, então, tem que esperar pra ver o que vai mesmo rolar.

Anônimo disse...

Te leio há séculos e nunca comentei.
Não queria ser a pessoa que lê a experiência do outro e vai logo dizendo "comigo foi assim", desviando o foco pra falar de si, mas quis muito comentar porque 2006 também foi meu ano terrível, e também tenho problemas com a faculdade.

Desejo que as coisas melhorem pra você neste ano.

Marcia P disse...

Não pude deixar de comentar...2006 tb foi o ano de merda pra mim, foi o ano q meu pai morreu e eu, toda cagada, inventei que eu tinha q fazer outra faculdade que me desse grana achei q seria minha salvação. Só faltam 3 matérias e eu nem sei se consigo faze-las em 2013. No fim, foi uma cagada, pq a carreira não tem nada a ver comigo. Mais outras merdas aconteceram, coisas boas tb. Mas no fim ainda tô perdida sem foco. Então, te desejo que vc acerte mesmo e que isso te traga muita coisa boa! beijo!

Verônica Ponce disse...

Patrícia, leio o seu blog há uns dois séculos e só posso te dizer uma coisa após esse comentário: Vai ser diferente! Como? Tentando fazer diferente. Tenho fé em ti, você é muito inteligente. Espero que esse ano você consiga se sentir mais realizada!