sexta-feira, junho 01, 2012

analisando: a imbecilidade do forrest

Perguntaram aí qual é a doença do Forrest. Cara, eu não sei. Nem sei se ele é doente no sentido real da palavra, de ter alguma deficiência mental, ser autista, não acho. É perceptível em um minuto de conversa que a pessoa é sem noção, mas até aí já tive amigos assim. Pessoas que não sabem parar, que se constrangem etc. O Forrest vai além.

Contei em outro post que ele é inteligentíssimo. Praticamente a Barsa ambulante "você sabia que o tubarão blablabla?", ele passou num concurso público super concorrido, ele não entrou na cota de deficiente como muita gente acha. Ele não é deficiente. Não no sentido que a gente conhece. Acho que é mais problema psiquiátrico. Eu sempre disse que um dia ele vai entrar na repartição e matar todo mundo (claro que serei a primeira, rysos). Tem 40 anos e os amigos são todos do trabalho. Não tem amigos da época do colégio, não tem amigos da faculdade, é como se lá no trabalho todo mundo fosse uma mãe com ele. E realmente são, menos eu. Ele deu muita sorte de entrar ali, de ser convocado ali, em outro lugar duvido que teria a mesma aceitação.

Volta e meia nos posts sobre o Forrest alguém comenta indignado como se fosse um desrespeito meu aos deficientes. Uma vez o Gil me escreveu sobre isso:


"ele se aproveita de uma deficiência pra ficar nas suas costas. e é isso que te incomoda. pq se ele fosse so deficiente vc trabalharia pra ele sem piscar. é e isso que vc não consegue fazer as pessoas entenderem.

e dai vc se sente mais uma vez injustiçada. pq as pessoas MAIS UMA VEZ estão te pintando de uma coisa que vc não e. INJUSTA, PRECONCEITUOSA, MAU CARÁTER, MESQUINHA..

e dai vc fica com raiva, se fecha e usa aquilo que vc sempre usou como defesa: o sarcasmo. o deboche. a ironia.

e dai as pessoas so conseguem enxergar isso: vc debochando de um deficiente"


Disse tudo, né?

Sinto que eu não consigo fazer as pessoas entenderem quem é o Forrest. A maioria entende, mas me preocupa mesmo essa minoria se sentir ofendida com os posts. Não conheço a história de vida de todo mundo, vai que a pessoa é mãe de um filho deficiente e sente ofendida? E eu apenas gostaria de dizer que nunca associei as coisas.

Forrest é uma pessoa super preguiçosa que usa de uma suposta deficiência para conquistar a pena dos outros e não fazer absolutamente nada no trabalho.  Eu vejo clientes reclamando incessantemente de como ele é lerdo, mas dou de ombros, não sou a chefe. Não acho que vá ser permanente, pois vejo as pessoas do meu setor (e o chefe inclusive) a cada dia perdendo mais a paciência, mas fica aquela coisa velada, sabe? Tipo uma vergonha em exigir dele dentro daquela coisa "ai, tadinho, ele tem problemas". As pessoas brecam. As pessoas tem medo de admitir que ele é um peso morto, não agrega nada, aquela culpa católica.

O que mais me enerva é que ele sabe. Forrest sabe que as pessoas têm pena. E gosta. E se acomoda. E não faz nada o dia inteiro, tem a vida mais tranquila ever, pois não se estressa nem um pouco, não precisa, sempre tem um bucha pra fazer o serviço dele.

Mas claro, eu sou a vilã da história.

22 comentários :

Zé Vitor disse...

Todo mundo tem um Forrest (ou mais) na vida: um parente/colega de trabalho/colega de aula SONSO que suga nossa energia e se aproveita da pena dos outros pra passar bem e se livrar de suas responsabilidades. Pior de tudo: que sente prazer em distorcer a realidade, principalmente se for para prejudicar quem não se conforma em ser usado (e invariavelmente se "queima" perante o resto do grupo).

E cara, quem não sabe do que eu tô falando tem 110% de chance de SER o Forrest de seu grupo.

Isso só me faz pensar que essas pessoas que leem o blog e te chamam de preconceituosa/odiadora de deficientes não passam de mais um tipo de Forrests... e a carapuça apenas serve.

Força, gata!

Juliano Correa disse...

Sou Psicólogo há 10 anos e lembro bem de diversos professores que tive na graduação que diziam o quanto é perigoso "limitar" pessoas pelas suas deficiências, inabilidades, baixos potenciais etc. Uma professora em especial disse: "se você tratar uma pessoa sem deficiência como deficiente, certamente ela vai desenvolver as limitações e vai, obviamente, se comportar como se fosse limitada". E o contrário também é válido: se você não dá muita moral para a deficiência de um deficiente (rs), ele vai desenvolver o potencial dele, mesmo que seja pequeno. Vejo na sua forma de tratar o Forrest um quê de terapêutico: se você o tratar como alguém "normal", pelo menos contigo ele vai se comportar "normalmente" (as aspas são só para indicar que o termo "normal" não é o mais adequado aqui, mas vale pra esse comentário). Sem querer, você o está ajudando. E olha, sem querer MESMO, duvido que alguém realmente queira ajudá-lo. Só fazem, como você bem apontou, por culpa/piedade.

Lívia disse...

Pelo que você fala, talvez ele tenha Síndrome de Asperger... Dá um google e vê se não faz sentido. Tem gente que passa a vida sem ser diagnosticado.

bjs.

Gazzy1978 disse...

Às vezes a gente precisa de outra pessoa traduzindo o que queremos realmente dizer. No começo eu pensava sobre o Forrest "tadinho dele, é meio dãn", mas aí eu lembrava do filme MESMO o Forrest nem era tão tadinho assim.

Com a leitura sobre as coisas do Forrest, fui pegando raiva pq né, gente folgada é uma praga. E cada vez mais fui achando que ele é folgado, sim, não alguém digno de pena e de ajuda.

Agora, se ele se faz de "dãn", só pra trabalhar o mínimo possível, é prova mais do que suficiente de que não é burro - pode ter problema; mas burro, môbein, ele não é não. E se sabe que tem problema, o caso é pior ainda.

www.falagrasi.blogspot.com

Aline disse...

Patrícia, eu entendo perfeitamente o que vc diz sobre Forrest.

Tenho um primo deficiente físico (não mental) e nunca vi no mundo alguém tão maldoso e mau caráter como esse meu primo. Eu não suporto estar no mesmo ambiente que ele. Ainda tenho que escutar algumas tias e primas falarem que eu não tenho coração.

Eu cago e ando pra parente...

Lembro uma vez, eu tinha uns 3 anos (ele tinha 20) e estava naquelas cadeiras altas pra criança comer e ele queria que a mãe dele fosse arrumar as fraldas dele, pra ele sair. Ela pediu que ele esperasse até ela terminar de me dar comida. Sabe o que ele fez? Tacou a muleta dele nos pés da cadeirinha, eu cai
e me machuquei feio. Fora outras centenas de maldade que ele já fez...como matar o galo de estimação de uma tia minha, dar veneno pro gato da irmã dele e por ai vai.

Força com Forrest, sei como pessoas podem ser irritantes

Tulio Cobain disse...

Só sabe o fardo que é ter um peso morto no trabalho quem tem um.

Trabalhar por dois é foda.

Caminhante disse...

Ao mesmo tempo, penso se as pessoas que defendem o Forrest teriam a mesma paciência ao serem mal atendidas por causa dele.

Karina disse...

Nunca achei que o Forrest fosse deficiente físico ou mental. Sempre imaginei como folgado, mesmo.

Janah disse...

Faço minhas as palavras da Karina.. e tb já conheci uma pessoa assim. sempre entendi o q vc quis dizer...

Lily disse...

Olha Patrícia, eu nunca comento aqui, mas sempre leio. Esse história do forrest eu venho aocmpanhando há algum tempo e devo dizer que eu entendo como você se sente. Recentemente pintou uma menina no trabalho toda destrambelhada. Doida mesmo. E todo mundo sem saber o que fazer. Não é uma deficiente intelectual, mas eu sempre desconfiei que fosse algo pisquiátrico. Até que outro dia ela confessou que é borderline. Olha, é claro que não acho engraçado, é claro que não quero que ela se foda, é claro que me sensibiliza, e é claro que quero um mundo mais democrático e inclusivo e blábláblá. Mas sei lá, sabe? Toda vez que ela surta, que ela atrapalha o andamento das coisas ou que ela gera mal estar, eu sempre fico pensando que não tenho conhecimento/treinamento para lidar com isso. É desesperador. Eu não acho que essa forma de inclusão no ambiente de trabalho - essa de incluir as pessoas sem que haja maiores esclarecimentos -, gerando problemas é a melhor maneira de lidar com a situação. É realmente frustrante.

Anônimo disse...

super te entendo. no meu trabalho tem uma assim. 28 anos de serviço público e nas costas dos outros. faz alguma queixa pra ver, a criatura vai de porta em porta falando mal de vc. em 9 anos q estou lá nunca vi a bicha pegar no pesado, falta pra caramba, chega tarde e sai cedo e todo mundo tem a maior consideração e olha q no setor só tem nós duas, quer dizer, trabalho pra ela pq se falar parece perseguição e a coitadinha chora,desmaia. um saco! o nome dela é nazaré frazão e é um peso morto nas minhas costas, q ódio!

Anônimo disse...

eu acho q esse cara é um folgadão. pode ter problemas, mas...alô? quem não os tem hj em dia? eu tomo remedio tarja preta pra panico, transtorno de ansiedade generalizada e depressão e daí? faço tudo certinho e não encho o saco de ninguem. não me aproveito de minha condição para que façam o meu trabalho ou aturem minhas maluquices. vc está certa em ficar revoltada e as pessoas que vem aqui te acusar de discriminação contra os deficientes são aquelas q nunca te leram antes, caem de paraquedas num post aleatório e decidem q sabem tudo sobre o seu caráter por causa de um texto com algumas linhas. deve ser gente tão aproveitadora qto o forrest, que vive de dar migué de coitado pra ficar de boa nas costas dos outros.

Anônimo disse...

só não entendo uma coisa: como ele passou no período de experiência? duvido que nessa época alguem fazia o trabalho dele.

Patricia C. disse...

Passou porque como eu disse no post, ele teve sorte de cair ali. E as pessoas, com pena, deixaram. Ninguém ia ter coragem de demitir um "deficiente" que precisava do emprego.

E digo mais. Em Jibs, um cara parecido com Forrest não passou no período de experiência. Só que esse cara era tipo 1/100 do que o Forrest é, era desinteressado e sem noção, mas pelo menos não ficava na aba dos outros. Pergunta se tiveram pena? Foi demitido sem nego pensar duas vezes.

Anônimo disse...

Olha Patrícia, eu já comentei aqui combatendo sua postura ao falar de Forrest, mas eu quero que você entenda que VOCÊ era a primeira a passar a imagem de que ele era realmente deficiente e, por conseguinte, era você quem vestia involuntariamente (destaque-se) a camisa de alguém intolerante ao falar dele (pelo menos aos olhos dos que te criticam/criticavam).

Foi você quem já disse que inclusão é uma coisa linda mas ela não devia ser feita às suas custas. Com uma colocação dessas, óbvio que quem te lê vai achar mesmo que Forrest tem qualquer deficiência ou sei lá, por que é este tipo de pessoa que é alvo das políticas de inclusão.

Agora se Forrest sequer foi aprovado na cota dos deficientes e todo tipo de dor de cabeça que ele causa é por basicamente ele ser acomodado, sem vergonha, oportunista, preguiçoso, clinicamente instável etc, então era só ter esclarecido isso desde o começo (e não agora depois de inúmeros posts sobre ele), porque aí isso te economizaria de ter que bancar a "odiada e eternamente vilanizada" por tanto tempo (coisa que você adora fazer, por sinal).

Lélia Maria disse...

no meu trabalho tem um igualzinho a ele. e, como ele, tem um monte de mãe. é um saco! entendo bem vc.

Anônimo disse...

Os Forrests da vida são um saco!!!!

Rita disse...

Eu tenho medo desse Forrest,sério.Não sei quem é,mas cada vez que leio sobre ele tenho calafrios.

Mari Biddle disse...

Os Forrests ficam na sombra enquanto a galera fica com cada vez mais rugas se estressando com a preguiça dele. Forrest é um ixperto.

marquinhos disse...

eu tenho meus dias d forrest...q coincidentemente saum sempre às 6 feiras!! hohohoho...
fosse no m eu setor, eu faria o q já fiz 1 x aki, p motivos diferentes: disse a meu chefe q precisava ter 1 conversa a 3..e soltei o verbo! naum resolveu, mas pelo menos demarkei fronteiras, nunca + q a sujeitinha sem noção aki do trabalho invadiu minha seara!
e kem nessa vida naum tem prconceito gente? hipocrisia desse povo! basta joga-las no caldeirão das diferenças e convivencia forçada p ver c num instantinho as máscaras naum caem! eu,hem!!! ateh msm os santos antes de sê-los pintaram e bordaram, imagina kem ainda tem os pés no barro!!! aiaiaiai....bola p frente,Patrícia! crítica é o seguinte: c for verdadeira, agradeço...c for falsa, faço carão!!! bjksss :)

Psicologa Fuleira disse...

Forrest é uma projeção sua.
Ele representa aquilo que mais te enerva: vc sabe o que fazer mas não faz. Por preguiça, vitimismo: acomodou-se com a bajulação de "sofri na infância, fui molestada, gorda-bariátrica sem sucesso etc, etc....
Mas vc sabe o que fazer e como fazer. E pq não faz?
R: Forrest.

P.S: E vc já sabe disso isso te irrita mais.

Psicologa de fuleira

tomate disse...

antes, eu lia seu relato sobre o forrest e ficava com pena de vc, mas ao mesmo tempo, achava engraçado - muito pelo jeito q vc comenta.

até que...

entrou um forrest no meu trabalho e eu fui a responsavel pra passar as tarefas pra ele. seis meses se passaram. seis. e continuo de babá.

o jogo é o mesmo: não se esforça, não parece que quer aprender, tudo tem que ser explicado 200 vezes e ainda assim, consegue errar, chega cedo e faz hora extra e ninguém entende o que diabos a pessoa faz ali o dia todo (eu já sei: fica coçando, só, pq trabalho que é bom, consegue só fazer 1 tarefa por dia - coisa que uma pessoa normal faria em meia hora).

aí, vem a parte que talvez eu acho que seja a mutação do seu forrest, pq de alguma forma, essas criaturas evoluem. parece que é burrinho, lentinho, mas sabe muito bem jogar a culpa nos outros - e é o que mais sabe fazer. pior, joga a culpa em quem nao pode se defender, joga a culpa em pessoas que prestam um serviço à empresa, pessoas que estao no outro lado e nem sabe que sao as culpadas.

foi aí que comecei a notar que de burra tem só a cara, pq pra mim, isso é esperteza - das piores.

o pior é que um dos chefes dela, apesar de estar ciente da dificuldade que é trabalhar com essa pessoa, mas nao precisa lidar toda hora com as perguntas cretinas, passa a mão na cabeça.

pior que um forrest no trabalho, é um chefe bunda-mole que não tem culhões, nem postura de chefe.