terça-feira, maio 29, 2012

sem condições esse imbecil

Já perdi a paciência e inclusive já perdi a educação. Falo mal na cara, pelas costas, tô nem aí.

Forrest é tido pelo setor inteiro - menos por mim - como café com leite. Aquele cara que todo mundo tem pena e passa a mão na cabeça. Tipo, ele tem uma dificuldade? O que ele faz? Passa para alguém, porque ele não consegue fazer. Hoje ele não tinha ninguém pra passar a bucha e foi passar pra mim, eu ri.

"Forrest, isso você acha na caixa tal que fica no armário tal".

Ele me olha assustado e vai procurar. Demora meia hora, volta e diz "não está lá". Paro as minhas coisas, vou procurar e opa, acho. Volto e digo:


- Forrest, eu achei o papel, sabe onde estava? 

- NÃO? ONDE?

- Na caixa que eu falei pra você procurar.


 Diálogo feito na frente do chefe que é pra ver se ele se manca. Não dá sabe.

Essa semana eu conversei com um cara que faz treinamento em empresas e a gente tem a mesma opinião sobre as pessoas que tem dificuldades. Da preguiça que elas possuem e desse hábito negativo das pessoas passarem a mão na cabeça. Assim nego não vai aprender nunca. Se a pessoa trava e você pega e faz o serviço dela, cadê o aprendizado aqui? Quer moleza? Volta pro Jardim III pra ter aula de massinha.

Lá em Jibs tinha um funcionário que quando entrou, nem mexer no computador sabia, mas ele era tão esforçado que era um exemplo de funcionário. Como ele tinha uma dificuldade natural, ele anotava tudo, tinha uma agenda com o passo a passo das coisas mais ridículas, tipo "ligar o computador no botão x", o cara corria atrás de tudo, não dependia de ninguém. Quer dizer, ele deu o seu jeito, ele tinha a consciência das suas limitações e tratou de contorná-las. Era um cara que todo mundo gostava e dava altos toques "não faz assim, é melhor desse jeito".

Agora no caso do Forrest não. Nego não tem inciativa de nada, espera parado enquanto outras pessoas fazem o seu serviço. E depois eu que sou a má da história. "Tadinho, ele tem dificuldades". Ficasse em casa para não atrapalhar a vida dos outros. Mas quem sou eu, sou apenas a bruxa má que persegue o cinderelo imbecil.

21 comentários :

Elis (ou não!) disse...

Cursinho para concurso é um antro de futuros funcionários imbecis atravancadores.

Tam Veras disse...

Tem um no meu trabalho que diz que está com depressão e síndrome do pânico, por isso não pode trabalhar. Entretanto ele não vai ao médico, não toma os remédios, só aparece no trabalho pra ficar na net, e todo fim de semana está numa festa diferente. Difícil viu? A chefe briga, ele chora, ela se comove. E o ciclo recomeça.


Ops, primeira vez que comento aqui. Não posso esquecer de dizer que adoro o blog!

Inaie disse...

como é que ele conseguiu o emprego?

Cheshire cat disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Todo mundo tem dificuldades, a diferença é que a maioria das pessoas buscam maneiras de supri-las, como muito bem exemplificado no caso do rapaz de Jibs.

Kinha disse...

O problema não é quando a pessoa não sabe. É quando não uqer aprender.

David disse...

Minha namorada trabalhou como funcionária terceirizada numa empresa pública. Ela contava que tinha um sujeito que trabalhava lá há uns 9 anos e não sabia fazer metade dos procedimentos que tinha que fazer e que ela, em menos de um mês, já sabia de cor e salteado.

O problema é que, atualmente, o perfil dos concursados é serem pessoas que NUNCA trabalharam na vida. São pessoas que passaram a vida inteira estudando e não tem nenhuma vivência de lidar com prazos apertados, cagadas para resolver de última hora, levar esporro de chefe, em suma, são pessoas com nenhum jogo de cintura.

Rosana Tibúrcio disse...

Quer moleza? Volta pro Jardim III pra ter aula de massinha.

Apropriei. Mas juro, Patricia, darei os créditos.

Muito bom!!

Anônimo disse...

Mas qual a dificuldade (problema) dos Forest? Faz um tempo que leio o blog, mas ainda não descobri qual é a do cara..

Renata disse...

cinderelo imbecil, kkkkkkkk

RaCk disse...

infelizmente em cada emprego tem um desses. Mas concordo que nao tem que passar a mao na cabeça. bjssss

Jéssica Amorim disse...

"cinderelo imbecil" kkkkkk adorei, e ja detesto forest pq trabalhei com um traste desse, uma, na verdade. Se dizia fraquinha, coitadinha, nao sabia onde estava nadaaaaa...pois sempre tinha alguem pra fazer.

Ville (masqueporra) disse...

Meus sentimentos a você. Sei bem como é. To tendo que lidar diretamente com uma pessoa que pede o dia todo "chama aí um na plataforma pra mim" porque não quer ter que esforço. E sou o vilão, porque né, nossa que grosso, nem quer me ajudar. ahahaha

Anônimo disse...

"Isso acontece na escola também. O moleque é disléxico, ok. Aí a mãe aparece com o diagnóstico de dislexia assinado por psicóloga, neurologista e o caralho a quatro e funciona como passe livre pra ele não fazer nada. Não entrega trabalho, ah, é por que é disléxico, faz bagunça, é disléxico. Ninguém se mexe para ajudar o moleque no sentido de buscar soluções, aplicar prova oral, essas coisas,só larga ele lá e trata como "inclusão". Sério, se eu fosse mãe ia ficar muito puta de tratarem meu filho disléxico como "inclusão", mas para elas é confortável, meio que as exime de ter trabalho. Daí cresce e vira o Forrest, certeza."

Ah claro, porque Forrest, depois desse sem número de posts depreciativos da Patricia, só pode ser disléxico sem tratamento, né? Não existe chances dele ser apenas preguiçoso pra caralho, acomodado, oportunista, sem vergonha etc. É dislexia na certa. Melhor ainda: disléxicos desamparados, tremei! Olhem para Forrest e vislumbrem seu futuro...

Parabéns, Patricia! Graças aos seus inspiradíssimos desabafos ˜˜˜realistas e francos˜˜˜, sempre incomodada com "os hipócritas ao seu redor que sentem pena de Forrest", agora tem gente usando tuas vivências pra achincalhar gente disléxica. Mas tá tudo certo né? Afinal quem se ofende com isso é só gente iludida que não conhece a sua dura realidade...

Zezinho da repartição disse...

Amiga, te falo com toda sinceridade e seriedade.... caga pra ele... tua vida ja ta/eh tao cagada.... vale a pena tu ficar se estressando por um BOSTA como o Forest??? Conversa com ele diboua (em particular) e dizz que tu NUNCA vai ajuda-lo, e pra ele NUNCA mais te pedir ajuda. Pode ser que o clima no trabalho fique mais leve pra ti.

Cheshire cat disse...

Olha, não achincalhei disléxicos, pelo contrário. Achincalhei gente que se acomoda na dificuldade e pior, que tem apoio familiar para se acomodar. Tenho alunos disléxicos tão capazes quanto qualquer outro, só que tem que fazer as coisas de um jeito diferente. E em momento nenhum eu disse que o Forrest É disléxico, oi?

Cheshire cat disse...

E sim, eu apaguei o comentário não por covardia, mas se pareceu ofensivo, não foi essa a intenção.

Engraçadinha disse...

Patrícia, quando vejo vc falar do Forrest me lembro exatamente do ebó que trabalha aqui.
Com um diferencial, o Forrest daqui conseguiu concluir um doutorado e teve até choppada para comemorar.
Eu não fui, claro.
Boicotava as participações dele quando ele me incomodava e hoje q superei, não vou ficar fazendo festinha pra ele.
A diferença entre os dois, é que pode ser q o seu ("seu" foi só pra diferenciá-los) forrest e o meu, é q parece q o seu é acomodado e preguiçoso por ser ignorante.
O "meu" é altamente manipulador. Aqui não colou muito essa postura de tadinho.
Ok, q dão corda pra ele além do q deveriam e isso vem do alto escalão, mas a galera de baixo como eu, são poucos que aturam.
Dá nojo só de ler, porque já estive no papel de bruxa má e ele pegou pinima comigo. Só parou quando eu mostrei no dia-a-dia que ele não me incomodava mais.

Zezinho da repartição disse...

Cheshire, querida, muitas pessoas aqui sao analfabetas funcionais, e cheias de "mimimi, sou politicamente correto (apesar de estar sempre equivoicado) e bla bla bla". Seu comentario nao teve nada de preconceituoso!! Muito antes pelo contrario!! Mas vc precisa se explicar pq a pessoa so lê a palavra dislexico e acha que vc ta achincalhando... aff! Me compre um unicornio!!!!

Patricia C. disse...

Eu li o comentário da Cheshire cat e não achei nem um pouco ofensivo aos dislexos. Era apenas um exemplo.

Barbara disse...

Morro de catapora querendo ver a cara desse forrest uhauhaha.. Queria fotos haha