quinta-feira, novembro 17, 2011

pois eu lembro

Terça teve o show da Britney na apoteose, tive que passar pelo mafuá, o prédio que tanto me trouxe sofrimento nos 12 primeiros anos de vida. E, claro, atravessei a rua para não passar na porta, mas na volta esqueci. Quando vi, lá estava eu na frente. Ouço que preciso superar as coisas, respondo "se você tivesse passado o que eu passei aqui, não estaria falando isso". É a minha visão diante das coisas. Ninguém nunca pode julgar o meu sentimento com aquele prédio. Ainda criança, sonhava em um dia ser rica para comprar o prédio inteiro e mandar demolir. Ouvia dizer que Hitler mandou jogar sal em Varsóvia. Queria poder fazer o mesmo.

Eu fico tentando ser quem eu não sou. Porque só fiz inimizades sendo eu. Tento superar, mas juro que não consigo. Em algum momento devo ter o estalo, descobrir porque tudo é assim. Entender. Que em algum momento eu realmente devo ter errado. O problema é saber, é estar 2 passos à frente. Uma vez eu disse para o Guilherme: só quem sentiu a rejeição no seu mais alto grau sabe reconhecer quando, como e porquê. E não adianta dizer "opa, não foi isso". Foi sim. "Sua interpretação tá errada". Não está.

A situação é tão absurda que me recuso. Lembro da última vez, quando resolvi ouvir o outro lado, saí de vilã. Pela milionésima vez, vilã.

Então, só me resta rir.

Peço desculpas por não conseguir superar aquele prédio e tantas outras coisas. Peço desculpas por ser rancorosa. Peço desculpas por expressar meu ódio genuíno quando falo sobre os filhos da puta dessa corja chamada família. Mas de tantas coisas ruins, posso dizer com a cabeça erguida que nunca fui desleal com os meus, embora tenha sido traída milhões de vezes. Embora, não tenham me pedido desculpas.

Mas claro, é o que temos para hoje.

10 comentários :

Anônimo disse...

Desejo muito que um dia você seja feliz. penso na sua história todos os dias.

Inaie disse...

que triste. e nao acho que seja facil perdoar, mas se voce tentar, talvez VOCE va se sentir melhor. Nao os perdoe por eles, perdoe por voce. E desligue.

beijim

Karina disse...

Esses seus textos são tão doloridos! Força.

guilherme disse...

*abraça*

tenho uma teoria de que auto-reflexão só funciona pra quem não tem ou não teve problemas de verdade em suas vidas.

porque remexer em coisas que não parecem ter conserto nunca me fez bem algum.

o problema é que ultimamente é só isso que eu tenho.

o lance é desligar do passado e tentar focar no presente ou em distrações qualquer - música, internet, seriados, filmes.

o problema é que dependendo da distração as reflexões pioram.

beijo

Caminhante disse...

Minha vizinha do lado é maluca, do tipo que arranja briga com o carteiro e passou de bronca no filho do jardineiro deu atenção pra boxer dela, que não anda nem enxerga (!).

Quando eles se mudaram, os filhos eram pequenos. Dava pra notar de longe que a menina era tudo, era a princesa, e que ela tinha pelo filho um desprezo imenso. Pela maneira como ele estava sempre pedindo atenção, como ela sempre brigava com ele, como era tudo pra filha. Ele estava sempre infeliz, chorando, reclamando que não era justo.

O tempo passou e ele está grande. Ela parou de gritar com alguém de quase dois metros e ele virou um filho bonzinho. Penso nos sentimentos muito profundos de rejeição que ele tem e que todos diriam que é só impressão. Gostaria muito de poder testemunhar pra ele dizer - Eu estava lá, eu vi como a tua mãe te tratava, você não é louco, ela não te amava!

Porque o tempo passa e as pessoas esquecem. Aí quando a pessoa se queixa nem foi tudo isso.

Mari disse...

E a terapia. começou?

Ca disse...

Patrícia, boa sorte e força ai. Eu sei como é ficar preso no passado, como se houvesse uma amarra invisível que te puxa sempre pra lá. Fecha-se os olhos e as cenas que tanto nos fizeram sofrer voltam com td, com as mesmas sensações, gostos, cheiros. E pra ser honesta, acho escroto o mundo não entender que nem sempre o que passou tá enterrado. Alguns defuntos estão mais vivos do que nós mesmos.

Pattr!cia disse...

Eu sei bem o que é ficar presa no passado, ter sentido rejeição. Até hoje, depois de anos de terapia existem lugares que não me desce.
Quanto a ser vilã eu já me acostumei. Outro dia estava em uma conversa familiar onde estavam procurando uma vilã e não queriam dizer abertamente.
Consegui lançar meu sorriso FDP e dizer: Gente agora não vai ser diferente. Se tem alguém errado esse alguém sou eu né?
Todo mundo ficou me olhando paralisados. Acho que entenderam que a única culpada que eles acham sou eu.
Beijos

Falar é facil, fazer é foda. disse...

Esquece não é facil, embora muitos achem que sim; e superar então, nem se fala.

Mas um coisa é certa, Patricia. Um dia a gente tem que perdoar, mas é pra que isso nos traga paz de espírito e não, pq "eles" merecem. Concordo com a Inaie, perdoe - quand for possível - mas perdoe por você.

Engraçadinha disse...

Vc é vilã e eu lavadeira. Tá bom?