sexta-feira, novembro 25, 2011

caim

Eu fico tendo essas conversas imaginárias. As vezes não é com ninguém diretamente, as vezes é com aquela pessoa, pode ser um amigo, um conhecido, enfim, só para dizer que as vezes a conversa imaginária tem um destinatário. Quando estou com raiva, falo tudo para quem eu quero que ouça. E tem esse "amigo" (nossa, mas insira trocentas aspas aqui hein) que eu nunca tive coragem, nem nas conversas imaginárias, de dizer diretamente. Sempre uso uma ponte. Uma outra pessoa para me escutar desabafando tudo. Porque as coisas são tão pesadas, tão ruins, que não há saída para mim a não ser, mais uma vez, a vilanização.

Lá pelos meus 12 anos, chamei uma amiga do prédio para passar lá em casa. Nós desceríamos para o play depois, fui ao banheiro e opa, o dinheiro que eu usaria para comprar bala desapareceu da estante. Achei estranho, mas não comentei nada. Descemos. Eis que a Mariana saca uma nota do bolso, curiosamente a nota de mesmo valor que sumiu da estante, para comprar balas. E daí eu acusei, né? Eu sabia que ela era a ladra. Falei mesmo. E Mariana, claro, ofendidíssima, nunca mais falou comigo e ainda fez todas as meninas do prédio me virarem a cara.

As acusações que eu tenho contra esse "amigo" são tão pesadas, que o cenário seria apenas esse. Ele virando o jogo, magoado, dizendo nunca ter feito tal coisa. Mas eu sei que fez.

De modo que eu não posso ter uma conversa definitiva para romper a relação, ele jamais passará para a minha lista de desafetos. Nunca irei confrontar, porque não posso. Resta apenas o afastamento. Uma vez me perguntaram "mas por que você ainda insiste nessa relação?". Não é que eu insista, eu não tenho saída. Hoje chorei lembrando de várias coisas, de uma época em particular, acredito sim que em algum momento realmente fomos felizes. Que a amizade funcionou e tal. Tento buscar quando veio a transformação, por que ele precisou agir daquele jeito, por que uma pessoa faz aquilo. É mais uma das coisas que irá morrer comigo, pena que nem confrontar eu posso.

9 comentários :

Karina disse...

Uma das melhores coisas que a idade me trouxe foi deixar de me relacionar com as pessoas apenas em nome da história da relação.

Anônimo disse...

Tenho um "amigo" assim. Tento me afastar dele, mas toda hora ele me procura e não se toca que não quero mais papo com ele, nem desconfia (ou finge não desconfiar) do motivo. Até já neguei pedido de amizade dele no Facebook, mas quem disse que o cara larga o osso?

Letícia disse...

Eu, por exemplo, senti um clima no ar de uma amiga (aspas infinitas), um clima de acusação e coisa errada. Por 5 anos ela guardou algo indefinido sobre nós com base em acontecimentos 'trágicos' que passamos juntas. Ela nunca disse, mas o gosto amargo de estarmos juntas era cruel para ambos os lados, em respeito a uma década de real relacionamento mantivemos o que já não existia. Um dia veio a superfície e foi devastador. Limpamos a alma e seguimos em frente (ha!nao foi tao simples quanto essas linhas). Eu nunca vou conseguir explicar a ela porque tomei determinadas atitudes que mudaram tudo entre nós,não foram necessariamente racionais. Outras foram, mas beiro a dizer que também foram inevitáveis. O confronto, esse sim, foi inevitável. Mas todo mundo tá melhor assim.

Anônimo disse...

Patricia, não entendi, se você não se importa dele ir para sua lista negra, pq não o confronta??
Diga as verdades na cara dele, se ele negar tudo e te virar as costas vc já tem um motivo para coloca-lo na sua lista negra!!
Vc não pode manter esses filhos da puta que te fazem mal por perto!

'Lara Mello disse...

Já aconteceu isso comigo, eu não resisti, falei e me fudi, fui a vilã.. =**

Engraçadinha disse...

Caraca... não sei o q dizer.

Ca disse...

Mais uma vez, o que vc escreve me toca fundo e rola uma identificação imediata. Me fez tb refletir uma situação que estou passando, de uma amizade que me sufoca a muito tempo, mas em nome dos velhos tempos eu aguento. Tenho a sensação clara de que essa pessoa me roubou tanta coisa, o meu jeito de ser, a minha alegria, os meus gostos e constuiu um personagem pra ela enqto eu me tornava uma caricatura de mim mesma. Obrigada Patrícia, por mais esse toque. Não sei se vc percebe, mas vc faz uma sessão de terapia com quem te lê; vc vem procurar ouvidos/olhos pro seu desabafo e acaba ajudando as pessoas a enfrentarem seus próprios fantasmas, porque não se sentem sozinhas com seus sentimentos.

Anônimo disse...

complicado, hein. ainda mais quando a gente pisa na bola também, mesmo q seja de leve, e a pessoa usa essa mancada ridícula de pequena pra virar a mesa, sendo que: 1) fez coisa muito pior e 2) a nossa mancada foi apenas retaliação à mancada dele

Anônimo disse...

Mais uma vez, o que vc escreve me toca fundo e rola uma identificação imediata. [2]

Muita coisa que vc escreve faz isso com as pessoas, Patrícia.
Vc deveria investir nisso. Vc tem um dom.