segunda-feira, janeiro 17, 2011

o tribunal de haia

O Diego disse que não ia publicar no blog dele, mas que se eu quisesse poderia publicar aqui. Não vou dizer mais nada. Ele já disse tudo.

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O Cruel e Sanguinário Diego Paiva encara o Tribunal de Haia por seus crimes no passado

De Diego Paiva para Vanessa, Patricia, Guilherme
15 jan

Madrugada de 3 para 4 de janeiro de 2011.

Estava aqui pensando que no Facebook as pessoas ainda não começaram a colocar caracteres estranhos no nome delas, tudo ainda é muito limpinho, organizado, as pessoas são pessoas e não páginas de recados (embora isso esteja começando a acontecer). Enfim. Uma delegada gata dá entrevista ao Globo e pronto, lá está o perfil dela. Aí comecei a digitar nomes conhecidos que passaram por minha vida. Tudo beleza até que eu entro no quesito "pessoas do tempo da escola". Vou direto ao nome de uma menina chamada L.F.

Flashback: Os anos de Diego Paiva na Escola:

Bully deveria ser meu nome do meio. Nunca fui o popular, nunca fui o querido e nunca nem ao menos fui o melhor aluno para conseguir algum crédito por isso. Isso foi desde o primário, como demonstrado no texto do sonambulismo "Paulo e o Pênalti". Aquilo, para os 5 ou 6 que ainda não tinham percebido, é uma história real minha ocorrida na quarta série. Sempre o grande alvo da turma, claro que havia outros mas nada como era da minha parte. Em 1997 sofri tanto que cheguei a ter uma crise nervosa no meio da sala, no dia do meu aniversário. E assim foi do C.A., em 1990, até a formatura do segundo grau, no final de 2001. Todos os anos.

Menos em 1999.

No ano de 1999, quando fazia meu primeiro ano do segundo grau, tinha uma menina nova na turma. Seu nome era(é) L.F. Magra, sem peito, sem rosto bonito, pernas finas demais, praticamente o Jack d'O Estranho Mundo de Jack com um longo cabelo não-liso. Voz fininha, baixinha, tímida, como uma Marina Silva com Pneumonia dupla. Uma amiga minha chamada Cecilia costumava me dizer que na escola existe a pessoa que pertence e a pessoa que não pertence. L.F. claramente não pertencia. Não pertencer é algo muito triste. É como índio pegando ônibus para São Paulo. Deixa de ser índio e não vira homem branco. Totalmente desajustada no trato social, L.F. não conseguia dar um oi direito, entrar num assunto direito. Vivia presa em seu mundinho da imaginação, onde devia vestir branco, ter longos cabelos lisos e passear de cavalo por verdes campos ao lado de um principe encantado.

As pessoas farejam isso. Adolescentes e seus hormônios farejam isso como um Tubarão sentindo o cheiro do sangue do outro lado da praia. E avançam como tubarões também. Havia três meninas na sala, chamadas F.F.G.S, R.S. e D.C. que faziam as vezes de carrascos da L.F. Passavam a aula de física fazedno microbolinhas de papel e a aula de redação jogando as microbolinhas de papel no rabo de cavalo da L.F. L.F. fingia que nada era com ela. Com a cara de quem acabou de chegar de Alfa Centauro e o cabelo cheio de pontos brancos. Isso aconteceu mais de um dia. Isso é só um exemplo. Eu pouco sacaneava, porque se não era O alvo, ainda era UM alvo. E sim, ficava feliz pq tinha certeza absoluta que se não fosse ela seria eu ali. Da minha parte eu me divertia tentando colocar a pobre "na fita" do T.A, do 3º ano, o L.F. de lá.

L.F. ainda teria duas crises nervosas no meio da sala. Uma vez, a professora de história pediu para separar a turma em duplas. Havia um número ímpar. Quem sobrou? Pois é. Nesse dia ela chorou na frente de todos, e as lágrimas eram as coisas mais sinceras do mundo. Naquele dia senti meu coração rachando em dois. Deu uma vontade de levantar e dizer que eu fazia dupla com ela. Mas sabe pq não fiz? Covardia. Não era desconhecimento e medo. Eu tinha 14 anos e estava bem grandinho para poder encarar isso. Não tem outra opção a isso a não ser covardia. A covardia de não querer enfrentar e ser marcado como um igual. Numa segunda vez, ela não aguentou a sacangem e atirou um estojo na direção das 3 meninas citadas anteriormente. Só riram mais dela batendo na mesa e gritando "Se vocês querem guerra, vocês terão guerra!" na sua voz fina e hesitante.

Bom, o ano de 1999 acabou e L.F. sumiu da nossa existência. Naquele colégio provinciano do Jardim Guanabara, onde eu era o único bolsista da turma, sair do colégio era o equivalente a morrer. E tudo se seguiu como sempre. Eu era o alvo e os anos se passaram.

Voltamos para a madrugada de janeiro de 2011. Eu e a tela de computador, como se o monitor fosse algum ativista de direitos humanos, listando para o tribunal todos os meus esqueletos no armário. Esqueletos que eu não sabia que tinha.

O perfil da L.F. indicava um blog. Abri e li.

Não terminei de ler quase nenhum post, mas fiz uma leitura dinâmica em quase todos. Uma escrita que mesclava bem como algo entre uma prosa e uma poesia. Basicamente, o Norte de toda a escrita dela era sobre não se encaixar. Ela se refere a ela o tempo todo como "A Flor", numa clara referência ao seu nome. Como havia duas L. na turma, ela sempre era chamada de F. simplesmente. E "A Flor" se pergunta o que aconteceu para ela ser assim errada.

O que eu quero dizer é: Está muito claro que os anos de escola ainda afetam a vida adulta dela, 12 anos depois. Não deve ter acontecido só naquele colégio, mas o que bate no meu coração é que de alguma forma, eu fiz parte dos maus tratos que fizeram a moça ser como ela é hoje: Uma criança ainda em busca de se encontrar. E isso talvez não me afetaria tanto se não viesse de encontro direto com a minha única resolução de Ano Novo, que é me reconectar com pessoas que simplesmente sumiram.

Eu fiz as pazes com uma menina numa história que avançava desde 2005, revi uma amiga 4 anos depois. Eu sei que esse ano terei um salto profissional grande e na minha cabeça não seria legal avançar deixando furos na folha corrida. E eu nunca fui um aluno malvado, menos com essa moça. Então eu tenho parcela de culpa não só pelas zuações, como também pela omissão quando via que estavam exagerando e gostaria que parassem. E aqueles danos estão aí até hoje. E no fundo do meu cerebelo existe a certeza absoluta de que eu deveria tentar fazer alguma coisa, mas não sei o que. Um email de desculpas, uma ligação, não sei mesmo. Na verdade, nem sei se eu devo mesmo falar com ela. Porque a pior chance é de que ela se desespere por alguém do passado dela, que conhece tudo que ela passou, volte a sua vida. Talvez seja como o bicho-papão da infância encontrando sua nova residência.

Ou, pior para mim, faça algum mal como vingança. Não sei o que fazer. Só sei que estar parado não está me deixando confortável. E desculpa esse email longo e meio sem nexo e quase homosexual, mas é um sentimento novo que não sei lidar, e sei q vcs são bons companheiros o bastante para opinar sobre a vida alheia (minha) sem precisar de amenidades.

Do seu mais doce e cruel criminoso
Diego Paiva

27 comentários :

Anônimo disse...

Jardim guanabara??que bacana! primeira vez no blog,amando e ainda é conterrâneo!

Anônimo disse...

Diego e Patricia. Fiquei super sensibilizada com o post. Diego, só posso dizer que você era tão vítima quanto ela. Como a gente pode julgar ferozmente quem se omitia pra se proteger?? Quem enxergava no bullying alheio o seu escudo de proteção?? Diego, te compreendo. E por certo, ela te perdoaria. Isso vai afastar todos os demônios dela? Não. Mas certamente a fará perceber que ela é um pouco compreendida nesse mundo de cão. Não aconselho tentar criar uma proximidade, muito menos cite o conteúdo do blog. Se limite a pedir desculpas da maneira que achar mais apropriada. E por favor, nos deixe atualizado a respeito do desenrolar da história.

Beijos de quem não sofreu propriamente bullying, mas quem sentia um certo desconforto no ambiente escolar(desconforto revertido com a minha capacidade de rir da desgraça).

Ana P. disse...

Eu não queria comentar nada, porque como vc mesma já citou, ele disse tudo.

Mas era necessário dizer que são 07h30 da manhã e eu estou CHORANDO.

Os anos de escola não são fáceis? Muito pior são os anos que vem na sequência.

Não é fácil ter passado.

simone disse...

continua covarde, só que agora fazendo mea culpa.

Priscilla disse...

O foda do bullying é que vc se da conta da merda que tá fazendo em ridicularizar o outro e mesmo assim o faz. Essa coisa de "ah, mas eu era criança e não tinha noção, mimimi" é mentira. Nego gasta pq quer aparecer, quer pagar de bom. eu mesma já sofri bullying há 6 anos e confesso que ficam rastros de tristeza até hoje. Ninguém gosta de ser ridicularizado simplesmente pq é chute no saco da autoestima. Pq né, se vc é zuado por um número considerável de pessoas vc, no minimo, não tem os atributos físicos/psicologicos mais respeitáveis do seu meio. Aí vem 30 cabeças ainda jogando isso na sua cara = sou um merda qq eu to fazendo aqui. E isso não é drama. Isso era oq eu pensava, na minha cabeça de 12 anos. Eu que era uma criança relativamente desencanada com as coisas, me travei total dps disso. "Não sei lidar com gente" era oq eu pensava. Mas tudo bem, foda-se, já passou. Life goes on. Eu só espero que isso seja visto assim, como esse menino viu: como uma covardia. E que não se repita mais. Com ninguém.

Quéroul disse...

só abrir o e-mail, colar este post e fwd pra L.F.

ao menos ela vai saber...
:)

Gato Van de Kamp disse...

São por essas e por outras que eu tenho verdadeiro pânico desses sentimentos de fim de ano... Primeiro vem o sentimento fraterno de natal esfolando e depois o de ano novo esfolando... Vc amolesse e na sequencia entra nessa de zerar... E é nessa de zerar que nego começa a mexer em coisa que não devia.. Rever gente que já n tem mais sentido, reviver coisas que fazem muito bem em estarem mortas, reacnder esperanças que é importante vc viver sem elas pra estar ciente a cerca da propria realidade...

Pronto, agora taha i o menino.. Com esse pepino.. Essa angustia.... Muito muito muito medo desses sentimentos de fim de ano!!!!

'Lara Mello disse...

Amei o post.. E acho que ele não tem que procura-la mesmo.. Deixa como estar assim será melhor! Sorte.. Para os 2!

Anônimo disse...

eu realmente acho q ele n devia se dirigir diretamente a ela, mas talvez encaminhar esse post, como algm aí recomendou...

eu gostaria de saber q algm q me machucou ao menos teve a decência de se sentir mal (mas n gostaria de me sentir na obrigação de responder o pedido de desculpas)

outro dia um garoto q me zoava na escola me viu na rua e veio falar todo simpático, como se fôssemos amigos morrendo de saudades um do outro e dos "bons tempos"

eu queria agir normalmente, sabe? n demonstrar o recalque e q aquilo ainda doía em mim, mas eu n conseguia nem olhar pra cara da pessoa, nem responder as perguntas dele... fui seca, monossilábica e escapei o mais rápido possível

sei q depois ainda falou q eu era antipática por aí, vê se pode? a pessoa realmente n tem consciência dos seus atos

enfim, eu sei oq é sofrer bullying e tb sei oq é sentir alívio de ter alguém mais vulnerável por perto, como escudo

às vezes qd eu penso em como a minha vida é cagada, eu fico achando q é karma por já ter rido de uma evangélica esquisita aqui, de um nerd viadinho ali... eles conseguiam ser mais outsiders do que eu

é rir sem ter vontade de rir, pq tá todo mundo rindo e se vc n ri, vc vira o alvo de piada, etc. uma merda!

mas também sei oq é ser chamada de gorda desde os, sei lá, 8 anos de idade! entrar na adolescência vestindo 42 e se sentir uma monstra indigna de ser amada

e ser avaliada em plena faculdade, no meio de supostos adultos, pelo seu cabelo, pele, corpo e até pelas roupas q vc usa!

Bannanass disse...

Patrícia - e Diego - vivi experiência semelhante.

Fui uma criança obesa. E, vocês devem saber o que isso acarreta na vida escolar. "Rolha de poço", "baleia", "elefante", "pão com banha" (isso, por incrível que pareça, é uma iguaria aqui no Sul, e, um apelido tb).
Escondiam minha mochila, meus cadernos, faziam piadas. Eu era o alvo de todas as maldades, não só no colégio, mas em todos os grupos sociais que frequentava - e até adultos faziam piadas.
Evidentemente, na escola era pior, e eu me sentia aliviada de haver outro alvo além de mim. Que "me esqueceram".
E é bem nítido em minha memória a oportunidade que tive de ser covarde também.

Eu me envergonho tanto desse momento que não tenho coragem de contar aqui a "brincadeira" que fiz. Mas vou te dizer que pedi desculpas, no mesmo dia, porque me arrependi sinceramente.

Convivo diariamente com o mal que me fizeram, mas jamais ninguém me pediu perdão.

Anônimo disse...

Acho que nunca li algo tão sincero, tão ausente de proteção.

Anônimo disse...

Não acho que ele deve procurá-la. Ele não é o principal culpado. Ele nem é culpado. Só vai trazer lembranças ruins a ela.

Cecília M. disse...

Eu, como o Diego sabe, sofri muito na escola porque não pertencia. As sequelas das zoações dos meninos estão em mim até hoje. Quando passo por algum deles na rua, faço questão de virar a cara. Finjo que eles são invisiveis. E sabe como eles estão hoje? Indo de terno para o trabalho, se casando, indo morar em São Paulo...felizes e impunes. Quem se sente gorda até hoje sou eu. Quem tem traços desarmoniosos até hoje sou eu. Quem não consegue sucesso profissional sou eu. Talvez nas dinâmicas de seleção para as grandes empresas sejam essas pessoas as aprovadas. Mas não me importa, Mark Zuckerberg está aí para sofrer, fazer sucesso e seguir a canção junto comigo. Não pertencer dói muito e deixa marcas.

thais disse...

Quando passei por bullying, há 12, 13 anos atrás, isso não tinha nome. Isso não passava de uma brincadeira pré-adolescente.

Isso começou nos meus 11 anos, tão cedo. Cabelos crespos numa escola de patricinhas europeias me renderam jocosos e desagradáveis apelidos, além da auto-mutilação de dormir com um bico-de-pato de ferro na cabeça, durante uns 2 anos. Cabelos mutilados. E vivem presos até hoje.

Pra ajudar, um garoto repetente, que vivia a vida numa style Mr. Bean, resolveu se apaixonar por mim e fazer declarações públicas de amor. Não preciso dizer que fiquei conhecida de todo o resto do colégio, então. Ele, que era vítima de bullying, apenas dividiu comigo se sofrimento. Passei a ser vítima dos meus algozes e dos dele.

Mãe ensinou aquela velha técnica: finge que não está ouvindo, filha. E eu fingi. E não convenci ninguém. Nem 20 anos de teatro Macunaíma me fariam convencê-los de pífia atuação. Aos 11 anos, gente.

De repente, não podia mais sair da minha sala sem ouvir gritos dos rapazes da sala ao lado. Quanto mais eles cinicamente gritavam LINDA, mas horrível eu me sentia. Cada dia mais me sentia a menina mais feia da turma. Minhas amigas ficaram baixinhas e eu cresci. Quando tudo o que eu queria era me esconder, tava lá, aos 14 anos com 1,7m enquanto elas tinham 1,5m. Como me esconder? Virando uma corcunda. E quando já não queria mais sair para o recreio, o bullying se intensificou dentro da sala de aula. Meu nome não podia mais ser falado na chamada, apelidos eram GRITADOS no meu ouvido. Eu era a única menina com apelido. Eu era a única menina que ninguém queria ficar. Além daquele menino, claro. Mas eu tb não poderia querer ele. Era uma barra que a gente não ia aguentar juntos, eu sabia. Nem meus amigos meninos tinham coragem de conversar comigo em público, por medo, tão forte era a coisa.

Eu nunca me escondi, de verdade. Sempre dei a cara pra bater e olha, meu rosto arde muito até hoje. Dos 11 aos 14 eu não tive paz. Enfim, mudei de escola e meu caminho foi novo e reconstruído. Mas as cicatrizes na auto-estima, o cabelo preso e o rosto ardendo então aqui. Até hoje. Qualquer risada coletiva eu ainda penso que é de mim. Aos 25 anos.

Mãe nunca desconfiou da gravidade do problema, pelo contrário: acho que até me culpou indiretamente. Achou que eu tava dramatizando demais uma brincadeira de moleque. Falou pra eu ignorar. Hoje em dia, sou uma pessoa muito paciente, mas com a certeza absoluta que, naquela época, meia dúzia de socos bem dados teriam imposto respeito. Mostrado que eu não tava lá para ser bobo da corte de ninguém. Que eu não era a mariquinha passivinha das chacotas.

Diego, me consola ver que você se recuperou. Um dos meus algozes um dia desses me adicionou no orkut. E adicionou uma amiga em comum. E juro, contou pra ela todos os apelidos com orgulho. Fui lá na página dele, deixei um recado super educado, mas mostrando como ele sempre seria um bosta na vida e então excluí o lindo. 12 anos depois ele não havia se recuperado. Que pena. NOT.

Diego, não manda isso tudo que você escreveu pra ela não, que ainda vai arder o rosto dela. Mas se achar que deve, abre seu coração pra ela. Entender o algoz ajuda a superar o problema. Tipo Gerson e Velha Porca [/Passione].

E esse comentário de novela derrotou todo o meu desabafo, enfim. Ok, fazer o que? Já não me acho nem bonita nem competente nem legal. Acho que não vou ligar pro que vocês pensarem. Mentira, vou sim.

Fabiana disse...

Mostrar isso pode dar a ela uma reviravolta na vida... poupar anos de terapia. E talvez o ajude a se perdoar...

@paulilinha disse...

Coisa que mais odeio é meus amigos dizendo que sentem saudades dos tempos da escola... me fazem sentir como se eu fosse a única que sofri durante longos anos.

Obrigada por vc e seu amigo Diego (e um monte mais de nós) existirem.

Beijos doloridos.

obs: seu amigo escreve bem demais!

Anônimo disse...

Thaís, somos gêmeas de histórias bulling.

meu rosto arde até hj tb. tenho tudo fresquinho na memória, e ainda tenho a cicatriz no joelho do dia q me empurraram escadaria abaixo.

vcs não têm noção do qt eu já chorei.

Diego Paiva disse...

Obrigado a todo mundo que comentou aqui. Criticando, opinando, tudo é válido (Cecília você por aqui?), mas principalmente a Thais, que mexeu comigo. Como já disse num email para a digníssima dona desse blog, eu vou falar com ela sim, mas por email e sem mandar esse texto. Não quero que ela sinta pena de mim, quero que ela tenha a oportunidade de sentir de mim o que ela quiser. Eu nem sou o maior vilão (com certeza seriam as 3 meninas citadas), mas eu sei que represento para ela uma época ruim. Preciso tentar ajudar, se ela rosnar com raiva para mim eu já acho que estarei fazendo um pouco a minha pate.

thais disse...

Anônima, tamos aí.

Eu nunca cheguei a chorar por isso, na época. Sempre fui muito durona, por isso mesmo dava a cara pra bater.

Mas daí o rosto arde, sempre e muito.

Agressão física eu nunca passei, apenas moral. Era até bom, mesmo, que alguém tivesse tentado encostar algum dedo em mim. Eu ia ter motivo pra descer a porrada até me arrancarem de cima do ser. Mas não, nunca me deram essa oportunidade, afinal, quem bate primeiro perde a razão, né? NOT.

É uma pena que tenha te sobrado uma cicatriz física. As cicatrizes morais a gente finge que esconde. Eu eu faço a mesma coisa que você quando vejo um FDP desses pela frente. Continuo fingindo que não vejo. Da última vez que chamaram meu nome, me permiti apenas mostrar educadamente um dedo do meio, covarde que sou. Deveria ter era espancado.

Anônima, se quiser conversar, não tenho auto-estima pra doar não, mas te ofereço um Caladryl moral pro rosto arder um pouco menos.

thaghion

arroba

gmail

ponto

com

Bannanass disse...

Essa caixa de comments é uma das maiores catarses online que eu já tive. Intensa, dolorosa e verdadeira.

Queria que esses meninos e meninas idiotas de colégio lessem isso, porque é um ciclo vicioso, aparentemente, interminável.

Beijos nas feridas de todos...

thais disse...

Diego, fico feliz que o meu relato tenha servido pra alguma coisa. Dá uma pontinha de esperança de saber que tem gente que consegue olhar pra trás e enxergar as próprias falhas.

O mundo tá perdido.

Mas não muito. :)

Depois conta pra gente se valeu a pena conversar com ela. Porque pode ser que ela seja também um caso perdido. Ou não...

Dee disse...

Eu também sou do time dos que acham que no que tá quieto, não se mexe. Há coisas que estão bem assim, enterradas e no passado.

No fundo, no fundo, mesmo que não desejemos assumir, só estamos querendo limpar nossa consciência.

Eu não tenho certeza se gostaria que entrassem em contato comigo, tanto depois, se tivesse sofrido tamanho mal.

Anônimo disse...

As pessoas ainda não tem a noção exata da gravidade do bullying. O bullying muda a personalidade das pessoas, entranha no seu DNA e muda quem você é, quem você poderia ser um dia. É tipo uma morte, com certeza.

eu disse...

Não é fácil ter passado.² Principalmente pra quem sofre.

Anônimo disse...

"Qualquer risada coletiva eu ainda penso que é de mim."

Essa frase disse tudo pra mim, Thais.

thais disse...

Ah, Anônimo... tanta gente que eu conheço passou por isso. E não vejo ninguém minimamente normal. Todo mundo tem desvios de autoestima e personalidade. Triste.

Pior são aqueles que praticaram Bullying, hoje já adultos... fingindo que isso não existe. Dizendo que isso é bobeira, coisa de gente bunda mole. Esse tem e eternamente terão desvio de conduta. Psicopatas morais.

Porque a mão de quem bate não arde, né?

Natty-san disse...

Eu sofri bulyng e xingava horrores os filhos da puta, sempre me consolava o fato de serem retardados, ja que eu ia bem na escola, agora o que me consola de fato é ver a vida vazia destas pessoas, que se iludem achando que tem tudo, mas tem porra nenhuma, namoradas? sim as burras e gostosas vidradas no dinheiro, amigos? sim interesseiros, por mais sozinha que esteja ainda consigo conviver e apreciar minha companhia, idiotas como esses não conseguem suportar sozinhos a podridão que tem dentro de si.