terça-feira, janeiro 18, 2011

moon river

Oigo el rumor de aguas turbias que me llevan lejos, muy lejos de mí

Eu nunca ganhei nada. Assim, sorteio, concurso, nada. Minha turma no colégio só perdia nos campeonatos etc. Até acho incrível que eu não seja vascaína e grande rio. Acaba que com o tempo você fica marcado pelo discurso do perdedor e tal, tem medo de falar "mas..." e te tacharem como recalcado que não sabe perder.

Chorei pela Ariadna, mas sou banana, choro por tudo. E chorei mais pelo Brasil. E claro que penso agora "mas será que é tudo tão retrógrado assim, Jean Wyllys ganhou e pá". E daí eu lembro que o Jean era perfeito, super correto, não demonstrou uma única fraqueza de caráter em toda a edição. E gay só pode ganhar assim. Se agir normal como todos nós, perde. Porque daí já são dois pontos contra. E eu queria mesmo fugir desse discurso "como o Brasil é atrasado", mas sabe, é só o que dá para pensar diante da eliminação dela.

Penso em todas as histórias que ela contou. Principalmente quando ela diz que saiu de casa e quis voltar, a mãe não deixou. 15 anos. A alegria em ver o pai na platéia, feliz pela possibilidade de reconstruir o laço. Da vez que estava na Itália, batendo ponto na rua aos 2 graus e a perna congelou. Ou quando ela dizia que não ia contar que era trans, já que aquela casa do BBB era o único lugar onde ela se sentia protegida.

E fico pensando em todos que disseram que ela deveria ter falado, se eles sabem mesmo o que é não ser protegido.


"Eu sou mulher e ponto final."
RIP

23 comentários :

Lari e Dé disse...

peguei muito amor na Ari...
ela devia ter ganho o programa.
Hipocrisia entalada na garganta.

Marina G. disse...

Patrícia, queria pedir um favor pra você.
Leia, por favor, o post que eu fiz sobre a Ariadna no meu blog?

Obrigada.
aqui o link: http://comofaas.blogspot.com/2011/01/ariadna.html

Afonso disse...

Foi o necessário para que eu parasse de assistir BBB. Ariadna pra mim é a única que vale a pena torcer ali. O gay negro baiano? Pior são as travas do NE que morrem a pedradas. O gay velho que cuida das idosas? muito fácil construir uma vida pros outros quando a sua própria já era vazia. A estrábica? A gorda? whatever.

Quem realmente conseguia me fazer parar de estudar história ou de ler o seu blog pra assistir TV sem sentir culpa era Ariadna. Agora que ela se foi eu posso estudar, não em paz, porque sei que ela permanecerá na minha mente por muito tempo, mas agora é, com alguma falsa certeza, que estudo sabendo que usarei disso pra um futuro melhor.

Obrigado Ariadna, obrigado Patrícia, obrigado leitores.

Diego Paiva disse...

A moral cristã: Não exponha seus segredos, aja como se fosse um exemplo e puna quem não se adequar a isso.

Moral cristã de merda

Anônimo disse...

Eliminação triste demais... Acabou o BBB11.

Lah Azevedo disse...

Adorei quando ela falou "Se alguém duvidar eu mostro minha identidade, EU SOU MULHER!"
Eu também chorei, porque fiquei pensando nas dificuldades que ela já passou.
Queria muitoo que ela tivesse ficado.

Michelle Moreira disse...

O Brasil não aguentou o desconforto.Ter uma transex e ex garota de programa ali todos os dias na sua casa descrevendo a realidade cruel enfrentada nas ruas e na vida é muita coisa para uma sociedade hipócrita. Tudo incomodou: os palavrões, a linguagem, as insinuações. Já temos homossexuais em todas as edições do programa e isso já é o suficiente... transex,travestis e prostituição é melhor fingir que tudo isso não existe. Por isso ficou a Janaina que é mulher alegre e sambista,afinal quem não gosta de samba bom sujeito não é...

Patricia Scarpin disse...

Jean, além de tudo isso que vc escreveu, era totalmente assexuado - acho que o brasileiro o via como o gay que não é "indecente" pois nunca demonstrou vontade sexual alguma dentro da casa.

Taffarel Brant disse...

Mais mulher do todas as outras mulheres que estão dentro daquela casa.

Mariana disse...

Não se sinta uma banana,você com certeza não foi a única que chorou.
Sabe que quando ela saiu,pensei assim "o que será que a Patrícia tá pensando disso?"

E faço das suas palavras as minhas.
"E eu queria mesmo fugir desse discurso "como o Brasil é atrasado", mas sabe, é só o que dá para pensar diante da eliminação dela."

Eu fiquei com muita pena dela,pelo que ela sofreu e por mesmo assim o Brasil preferir fortões e putas bundudas a uma pessoa que realmente lutou e tinha algo além de músculos a passar pra gente.
Eu não assisti o último bbb,ia assistir esse só por ela.
Senti um nó na garganta quando ela saiu,nunca tinha sentido isso nessa merda.

Gui disse...

É isso.

Isso e apenas isso.

Melhor colocado, impossível.

Pamela disse...

o melhor post

Nathy-Chan disse...

eu realmente não queria que ela saisse...
o que deu mais raiva foi a minha mãe falando "Ah, eu votei nela, eu achei ela muito estranha"
Ah mano... que droga... A janaina que tinha que ter saido, ela era muito chata...
parei de assistir big bhother agora. Eu estava assistindo por causa dela, pensei que ia ser um diferencial na casa, mas ela saiu, a mente atrasada dos brasileiros a tirou...
´bom, vo parar de falar que daqui a pouco meu comment fica maior que o post
kisses

Dêco disse...

Fiquei triste e esperei uma manipulação para que ela ficasse. Só pensei em vc e sua fala nas bocas de Bial "Vem sambar aqui fora, Janaína!", mas nada.
O mundo é preconceituoso e isso reflete na atitude da torcida vascaína que queria dar uma lição no "viado" do ex dela.

Veruska disse...

Tb fiquei triste com a saída dela neste momento. Era para ter saído Janaína. Mas não concordo que era para ser o BBB dela, Ariadna. Será q Jean Willys, do interior da Bahia, não sabia o que era ser excluído? Como vc disse, foi supercorreto o tempo todo, mesmo sob pressão. Ari é vulgar, não porque é trans ou garota de programa. Muitas são vulgares sendo mulheres biologicamente falando e com profissões tidas como 'sérias'. E, olha só, existem prostitutas delicadas e sensíveis. Ari não era minha preferida, mas se foi cedo demais e injustamente. A Janaína é muito mais perdida e deslocada como ser humano. Pena q o preconceito não deixa enxergar apenas as pessoas. E a vitimização glamuriza demais, Dourado é uma triste lembrança disso. Começou excluído e foi santificado apenas por isso, tendo TODAS as suas graves escorregadas depois justificadas por sua trupe de fanáticos. Acho q era demais para a pessoa Ari vencer o programa, apesar de sua triste história.

Dêco disse...

Sim, ela é mulher e eu não a pegaria. Sou gay.
Beijos

Danilo disse...

É dificil colocar-se no lugar do outro. Ariadna passou por muita coisa que nenhum de nós passou, acumulou uma série de experiências e concepções distantes de nossa rotina que, se não impedem totalmente, nos atrapalham de tentar entender o mundo com sua cabeça. Nos mesmos temos nossos próprios preconceitos que dificultam ainda mais esse processo e nos cega. Nos cega para o fato de que ocultar conscientemente qualquer informação considerada importante pelo outro vai gerar uma reação, mais ou menos empática dada a capacidade deste de entender seu lado, mas sempre gera uma reação. Impede que entendamos o lado de pessoas inseguras cansadas de ouvir mentiras de seus maridos e políticos, pessoas que tem medo de confiar em qualquer um, que preferem se resguardar a correr o risco de ser traido. Caso fosse possível superar nossas limitações poderiamos entender porque eles prezam a honestidade acima de quase tudo, a vida deles cercada de meias palavras, de dúvidas machadianas e fracassos. Mas nem sempre de fracassos, eles dizem, " Eu posso não ser rico, mas pelo menos não mato, não minto..."

Todo o resto é nossa incapacidade de colocar-se no lugar do outro. Ai temos "como o Brasil é atrasado", "será que é tudo tão retrógrado" e "se eles sabem mesmo o que é não ser protegido." (como se o povo brasileiro não soubesse), etc. O problema da empatia, sua dificuldade principal, é que é fácil acreditar ser empático quando na verdade só se compreende um lado da questão. Não dá pra entender o lado do rapaz que descobre a mentira da namorada, mesmo que esta tenha todos motivos do mundo? Um bom romancista sabe que é uma tragedia anunciada, todos com suas justificativas acelerando em direções contrárias. Nos, muito menos sábios, traçamos nossas linhas e criamos uma caricatura do oponente. Dificil colocar-se no lugar do outro, não?

Ana P. disse...

Eu queria poder encontrar uma mulher dessas, tipo mães da tradicional família brasileira, dizendo que televisão num é lugar "dessas coisas".

Eu só queria dizer pra ela que enquanto ela fica falando que Ariadna é isso e aquilo, o marido dela tava era loko pra comer uma dessas. Trans ou não.

É como eu disse: tchau, Ariadna. Só lamento por esse BBB. E pelo povo brasileiro, NÓS, esse povinho tão zé ruela.

[e eu também digo que o mal do mundo é que a gente adora cuidar da vida alheia, e esquece de olhar pra nossa própria vidinha patética. Enfim, ah, sei lá, fiquei tão revolts que acho que eu vou tomar banho e dormir sem assistir BBB hoje]

Anônimo disse...

A mulher mais linda do Big Brother. *tristeza mode on*

N@nd@ disse...

Não assisto o BBB, nem TV me permito ter, não curto, mas fiquei chateada em saber.

Levanto uma bandeira e ela é totalmente colorida.
Tenho certeza que esse programa perdeu muito em tirar ela de lá.

Cecília M. disse...

Também fiquei tão, tão triste que até sonhei com ela.
Me parece que o preconceito não é só dos brasileiros bobablhões de sempre, é também dos gays que não se identificam com a causa transexual, do Boninho que com certeza teve medo das explanações sinistríssimas que ela fazia e de todas essas moças que dizem serem "produtoras de evento" quando vão para o BBB, mas na verdade não são nada. Não são modelos completas, prostitutas completas e muito menos promo toras de evento.
Queria proteger a Ariadna de alguma forma. Que pena!

Silas Luiz disse...

Não vou negar, sempre assistir ao BBB. Mas sempre achei que gastar um segundo do meu tempo votando seria demais. Exceto dessa vez, que votei muito, e na real, porque sabia que ela seria eliminada e eu queria pelo menos poder dizer que fiz algo. Ilusão.

Sinceramente, mas sinceramente mesmo, espero que o futuro reserve à Ariadna muito mais que um contrato pra fazer filme pornô com Frota ou quem quer que seja. Ariadna pode mais: pode mais dignidade, respeito e alegria.

Morri quando o Bial elogiou sua coragem e perguntou pra ela qual seria o próximo desafio. Encontrar outra maneira de ganhar um milhão? Um contrato com a Globo? Dominar o mundo? Não. Voltar pros braços do homem que ama.

Talvez esse tenha sido grande problema de Ariadna, ter sido humana, demasiado humana.

Anônimo disse...

Ainda bem que ela saiu. Vulgar, chata, repetitiva, vulgar. E vulgar.