segunda-feira, novembro 23, 2009

I started a joke



A medida em que vou envelhecendo, vou ficando cada vez mais parecida com quem não deveria. Vou entendendo muitas coisas também.

Por exemplo, hoje, eu sei que estou errada em uma situação, mas hajo como se eu fosse a vítima e tivessem que me pedir desculpas. Vou repetir: eu sei que estou errada. E não é charme. É maldade. É saber que eu não posso exigir determinada coisa dos outros (amor, talvez), mas não adianta, o sentimento de rejeição é algo que ninguém aceita. Como também ninguém aceita ser obrigado. Como eu também não aceito menos, eu quero tudo, e dói tanto pois eu sei que eu nunca vou ter tudo. Aí vem o melodrama "as pessoas não valem nada", "não se pode confiar em ninguém", "o mundo é dos filhos da puta" etc. Agindo como se o mundo tivesse que ser moldado para me satisfazer. E as pessoas têm paciência comigo, sabe, muita, minha mãe então... E o que ela ganha com isso? A minha mágoa por não ter me visitado até hoje. Sendo que há inúmeras razões para ela não ter feito isso, então vou repetir pela terceira vez no parágrafo: eu sei que estou errada. Só não consigo agir como tal. Por que será que isso me lembra tanto alguém?

É estranho a gente ter 26 anos e continuar batendo na mesma tecla, cometendo os mesmos erros de 8 anos, de 17 anos. Parece que a maturidade nunca vem. Ou, quem sabe, é o saber lidar que nunca vem.

Não sei lidar com pessoas.

Talvez por isso não seja tão difícil estar longe. Se eu consigo me machucar estando a quilômetros de distância, imagina se eu estivesse lá vendo tudo isso de perto.

Passo a entender tanta coisa. Da forma como eu não deixo ninguém se aproximar, já que ninguém vai me dar a quantidade de amor que eu preciso, então para quê prosseguir? Tanta dedicação para no fim ver o que sempre esteve tão claro: as pessoas são diferentes de mim. A lealdade que eu dou, não é a lealdade que eu recebo. O amor que eu guardo para dar, ninguém guardou para mim. E vai além da ideia coletiva de dar-sem-esperar-receber, porque já se vão 26 anos esperando e um dia a gente cansa. O erro está em mim, pois ninguém é culpado por não retribuir, se eu fico decepcionada, é algo que somente diz respeito a mim. Mas não. Sigo culpando o mundo, sigo culpando meus pais, sigo culpando toda a gente, por não me darem o amor que eu espero. E não só culpo, como rechaço qualquer indício de aproximação. Renegando o amor, por não me darem o amor. O amor infinito que eu espero. E jamais terei.

22 comentários :

Juliana Dias disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Juliana Dias disse...

Sei que vc vai cagar pro que eu vou dizer ou não, mas....acredito que tudo na vida é uma aprendizado. Infelizmente tem uns que "parecem" se sairem melhor que a gente na vida, mas acredito que apenas "parecem" estar melhor. A vida de alguns é um eterno "faz de contas" para eles e pros outros. Gosto de realidade, a minha é tão complicada qto a sua, mas é a minha vida né? É a nossa vida.

p.s. Não tenha medo do amor...que bom que ama demais...pior seria se odiasse demais...
p.s.2 Não te conheço mas torço por vc, eu e todas as pessoas que vem aqui se divertir um pouco com a sua criatividade para enfrentar os problemas.


Boa semana!

Juliana Correia disse...

Eu imagino que nesse buraco que vc mora nem role de se achar um psicanalista (exagerei?) mas quando você tiver em algum lugar mais habitado, acho legal você procurar - pode ser que te ajude a lidar com a falta, e assim, a lidar com os outros e com você mesma... :)

bjomeliga disse...

Eu queria ser que nem você, sabe? Me fazer de vítima em vez de saber lidar com as coisas. Porque como vítima a gente acha desculpa pra ser birrenta. Quando não culpamos ninguém, aí temos que ficar carregando aquele caminhão de merda sem poder delegar pra terceiros.
Então relaxa que maturidade não traz nenhum benefício.

Aline Leal disse...

a verdade é que adivinhar é extremamente difícil.. acho que não existe nenhuma ferramenta em que se clica e se adivinha os pensamentos dos outros.

é difícil, mas se talvez você falasse isso pra quem você quer.. pelo menos sai desse meio termo, ou sim, ou não e a angustia diminui um pouco.

disse...

E quem sou eu para falar alguma coisa?

Patrícia disse...

E quem sou eu p/ falar alguma coisa? II ...
Bom, mas uma coisa acho que posso te dizer: Boa sorte, muita força e coragem!
Abço rubro negro p/ você!

Ana disse...

Sabe de uma coisa? Vc não afasta as pessoas pq quer...vc as testa inconscientemente. pq amor de verdade, q nem o amor da sua mãe, é aquele que sobrevive ao teste da "patada". Amor INCONDICIONAL.
Pare e perceba que, o momento em q vc mais dá o seu amor, é exatamente aquele em q a pessoa talvez não mereça tanto, embora precise muito.
E, se isso serve pra quem vc ama incondicionalmente, há de servir pra quem te ama tb....
beijo

samiemaybe disse...

"A lealdade que eu dou, não é a lealdade que eu recebo. O amor que eu guardo para dar, ninguém guardou para mim."

Nunca me identifiquei tanto com algo como com isso, a única diferença é que eu aprendi a lidar, aprendi que ngm vai dar mesmo, daí não espero mais, não me decepciono mais, consegui aprender a viver com o pouco que me dão, e me esforço cada dia mais pra dar pouco tb, pra não me sentir injustiçada no final, pra não achar que dei tudo e recebi pouco, assim, fico me podando, vendo o que posso ou não dar, qual é o saudável, o suficiente pra não me machucar.

Mata Hari disse...

Caramba, vc se parece muito com uma amiga minha. E o poder de persuasão dela é TÃO grande, que ela consegue fazer com que a pessoa se sinta culpada e ela a vítima, mesmo sendo o contrário, rs. Engraçado... Beijão

Guilherme disse...

HAHAHAHAHAAHAHAHAHAAHA

Desculpem as pessoas que comentatam, mas eu rio dos comentários, porque te entendo.

Faço o mesmo e sei como é duro encarar o que somos de verdade, os nossos erros, o orgulho e o que nos tornamos...

Tudo que a gente pode fazer é seguir em frente, e tentar. Quem sabe um dia a coisa mude de figura...

Beijo!

Marcus disse...

Espero que goste. Marcus.
-------------
"Os humanos sofrem bastante. Muito, para não dizer a maior parte, do nosso sofrimento tem origem na relação com aqueles que nos amam. Estou constantemente ciente de que a minha agonia profunda provém, não dos terríveis eventos que leio nos jornais ou vejo na televisão, mas da relação com as pessoas com quem partilho a minha vida diária. São precisamente os homens e mulheres, que me amam e que estão muito perto de mim, os que me ferem. À medida que ficamos mais velhos, geralmente vamos descobrindo que nem sempre fomos bem amados. Com frequência, os que nos amaram também nos usaram. Os que se interessaram por nós foram, por vezes, também invejosos. Os que nos deram muito, por vezes, exigiram também muito em troca. Os que nos protegeram quiseram também possuir-nos nos momentos críticos. Habitualmente, sentimos a necessidade de esclarecer como e por que é que estamos feridos; e, com frequência, chegamos à alarmante descoberta de que o amor que recebemos não foi tão puro e simples como tínhamos julgado. É importante esclarecer estas coisas, especialmente quando nos sentimos paralisados por medos, preocupacões e anseios obscuros que não compreendemos. Mas compreender as nossas feridas não basta. Ao fim, temos que encontrar a liberdade para passar por cima das nossas feridas e a coragem para perdoar aos que nos feriram. O verdadeiro perigo está em ficarmos paralisados pela raiva e pelo ressentimento. Então começaremos a viver o complexo do ´ferido´, queixando-nos sempre de que a vida não é ´justa´. Jesus veio livrar-nos destas queixas auto-destrutivas. Ele nos ensina a por de lado as nossas queixas, perdoar os que nos amaram mal, passar por cima da sensação que temos de sermos rejeitados e ganharmos coragem para acreditar que não cairemos no abismo do nada, mas no abraço seguro de Deus cujo amor curará todas as nossas feridas." [Henri Nouwen] Deus tem um coração que abraça o mundo. Não pode ser outro o nosso coração. O amor de Deus não pode ser contido. Sempre que derramado sobre alguém, transborda para quem está em volta. E quanto mais se derrama, mais se espalha. Não faz sentido pretender abraçar o mundo sem a disposição de amar quem está ao lado. Nisso consiste o desafio do amor: amar quem não nos amou bem, quem nos feriu, quem nos usou ou de nós abusou, amar quem nos oprimiu com seu amor não tão puro, ou com seu jeito meio estúpido de ser e amar. Demorou muito para que eu percebesse que quando Jesus disse que deveríamos amar nossos inimigos e aqueles que nos perseguem, na verdade estava falando inclusive de nossos familiares ou das pessoas com quem cultivamos as relações mais afetivas e fraternas. Nouwen tem razão, "à medida que ficamos mais velhos, geralmente ficamos mais capazes de discernir os falsos amores". Mas é igualmente a maturidade que nasce das dores de amor, que nos capacita a amar verdadeiramente. Talvez por isso o apóstolo Paulo testemunhou que, ao deixar as coisas de meninos e meninas, descobrimos o amor de Deus e, no amor de Deus, o poder de amar.

Lívia disse...

dia desses tava conversando com uma amiga sobre coisas parecidas... ultimamente tenho achado que é o SABER demais o que se quer o que atrapalha, por incrível que pareça.
explico: quando a pessoa não sabe o que ela realmente espera da vida, das pessoas e tudo mais, acaba aceitando o que vem e fica mais 'satisfeita' do que nós com nossos pobres ideais inatingíveis de amor e felicidade. quando não se sabe, a coisa vai sendo construída enquanto acontece, o famoso 'deixar acontecer', que eu nunca soube direito o que é e como se pratica. a pessoa não vai ficar sabotando ad eternum o que tem por não achar aquilo o suficiente. agora eu (e, pelo que entendi, você também) sei o que eu quero e sei que menos que isso não vai me bastar. posso insistir o quanto quiser, mas lá no fundo da cabeça tá aquilo que eu sei que me faria feliz de verdade (ou que eu acho que faria, enfim) e eu vou sempre me frustrar de algum modo - comigo, com os outros, com os deuses, e oh, please please please let me get what i want this time. daí a coisa fica simples: se eu SEI que não vai prestar, nem me dou o trabalho. e dá-lhe gente pra me chamar de fechada demais, pra dizer que eu deveria "me abrir pras oportunidades" sendo que eu sei que não tem nenhuma oportunidade real ali. não pra mim. e na falta do tudo, acabo abraçando o nada e enchendo ele de significado como acabei de fazer agora. :)

Lívia disse...

(malz ae pelo livro, me empolguei)

Isabela disse...

Você é o personagem que você projeta para o mundo.

Se você está confortável na posição de vítima injustiçada e auto-depreciativa, é nela que você vai permanecer porque tudo no mundo vai conspirar a favor do seu personagem: fatos do dia-a-dia, outras pessoas... o universo, enfim.

Os próprios leitores desse blog estão aqui por isso: porque a sua vida é 'infeliz' e você faz graça disso.

Há pessoas que gostam de ser assim, e aprendem a conviver e aceitar tudo isso e se superam: escrevem um livro, ganham rios de dinheiro...

Mas, suponha que um dia que você queira ser outra coisa, por exemplo, uma mulher admirada e amada em excesso. Neste dia, pode crer que o mundo muda imediatamente. O mundo é o palco do personagem e o roteiro, o cenário e os outros personagens se adequam ao que o personagem principal - você - acha que é.

É aos poucos que isso rola, é um dia depois de outro dia. Mas tem que começar com a decisão de deixar de querer ser esse personagem que se assumiu.

Ter a consciência que você tem já é metade do caminho andado, por isso me dou estou dizendo tudo isso. Worked for me, hope it works for you. Boa sorte e seja feliz.

Geórgia disse...

Lembrei de um poeminha do Paulo Leminski: "Nunca cometo o mesmo erro duas vezes, já cometo duas, três, quatro, cinco, seis, até esse erro aprender que só o erro tem vez"...

Luana Gabriela disse...

Nossa, você disse exatamente tudo que pensei ontem a noite - mega chorando - depois de brigar com a minha mãe. Impressionante...
Estou esperando há 21 anos e nada...

Abç.

Anônimo disse...

Diante de tudo o que foi dito, talvez a música dos Bee Gees mais apropriada fosse "How can you mend a broken heart"...

Sérgio

Ricardo Chicuta. disse...

33 anos fazendo a mesma coisa que você.Ganhei,próximaaaaa!!!!

Walquiria Biazetto disse...

nao digo que sei como é, mas sei como é.
aliás, essa é uma das músicas do meu repertório para deprimir-se martirizando-se pelos erros que cometi sabendo muito bem como seria o final e mesmo assim insistindo na burrice só para poder dar uma de vítima.
sei como é.
preste atenção na música aquarela, aquela mesma, que todo mundo conhece - numa folha qualquer eu desenho um sol amareluuuuu - e veja, é a música mais sádica que eu conheço. constroi tudo perfeitinho e depois joga um balde de agua fria na cabeça de quem estiver imaginando aquele paraiso surreal.
escute tambem bandolins, oswaldo montenegro
e onde anda voce, vinicius de morais.
algumas da coletanea fundo do posso nacional by walquiria biazetto.

psicosimone disse...

eu também quero amor infinito, mas estou me curando, já até sei que não posso dar o que eu mesma espero. a dor perde o glamour e a intensidade, mas a solidão é a mesma...

Renan disse...

A grande questão é: o que vc faria se recebesse todo amor que vc espera? Resposta: Vc ia curtir por algum tempo e depois ia enjoar, pq veio facil, e tudo q vem facil é inerente ao ser humano não valorizar. Dai vc entende pq algumas pessoas nao valorizam o imenso amor gratuito q vc tem pra dar. Então se valorize pra ser valorizada. beijos