quarta-feira, agosto 26, 2009

A inteira, negra e fria solidão está comigo*


Eu penso muito no depois e em todas as possibilidades do futuro. As vezes soa pessimista, mas apenas eu, analisando a minha vida com as ações realizadas no presente, posso dizer o que me aguarda o futuro. Já passei da fase lua de cristal tudo-que-eu-quiser-o-cara-lá-de-cima-vai-me-dar. Primeiro, porque o cara lá de cima não existe; segundo, porque alou, não basta querer, nada cai no seu colo assim à toa, até a mega sena precisa de alguém ir lá fazer um jogo e pagar 1,75. Quer dizer, não tenho mais ilusões de que tudo dará certo, sendo que certo numa ilusão juvenil significa ser feliz, trabalhar no que gosta e ganhar bem por isso, casar com o homem da sua vida e ter filhos lindos. Tirando a questão de ser feliz, já que ninguém sabe o que é isso, hoje eu já sei que não vou trabalhar no que eu gosto, eu gostaria de algo que não consigo descrever muito bem, mas tem a ver com ser crítico literário de um jornal ou uma editora, ou seja, ser paga para ler e criticar, duas coisas que faço muito bem. Escrever não é o meu forte, admito, jamais seria uma boa escritora porque não há aqui uma qualidade tão acima da média, e um bom escritor não se faz somente por estar acima da média, há que ser um gênio e isso eu sei que não sou, então pulemos a parte "você tem que confiar no seu taco, um dia o nobel pode ser seu". E embora eu não tenha as características necessárias de um bom escritor, sei reconhecer quando e onde há essas características, sei apontar o que falta e deve ser melhorado. Tudo isso com uma dose de frustração fundamental, pois todo bom crítico é aquele que não conseguiu ser o melhor. Agora, como ter essa profissão se nem uma faculdade de jornalismo e letras foi feita? E mais ainda, como ter uma profissão dessas, mesmo fazendo essas faculdades, se, para mim, o mais importante sempre foi a estabilidade financeira à satisfação profissional? Para casar com o homem da minha vida, eu primeiro tenho que decidir quem é o homem da minha vida, se é o chicleteiro suburbano ou se é o filósofo babaca (todos são). E sei também que não dá pra ter um casamento estilo Hommer e Marge (a.k.a felicidade nos anos 2000). Filhos, não, obrigada.

Então meu futuro fica assim: um trabalho burocrático meia boca no serviço público; relacionamentos, se existirem, frustrados, pois com tantos problemas meus sem resolução, ninguém vai engatar um relacionamento mais intenso; e sem filhos, ou seja, tia solteirona, sendo que serei tia sem ter irmãos, então como terei sobrinhos? quando eu morrer, quem irá herdar minhas ações da Vale e da Petrobrás? um primo distante que sempre me taxou de gorda-feia-sapatona? Morarei em um lugar distante sem amigos e sem família, provavelmente as crianças dos vizinhos terão medo se a bola cair no meu quintal ou, caso eu more em apartamento, o meu sempre será aquele assombrado, aquela parte do prédio onde as crianças sentem medo ao ir, mas vão para cumprir alguma aposta, quem sabe não vão justamente na hora em que eu, com meus bobs no cabelo, saio para jogar o lixo fora, e elas saem correndo de medo, eu xingo alguma coisa, volto, bato a porta e deito na cama chorando e me perguntando onde foi que eu errei. Vislumbro muito uma cena: eu, com meus 50 anos, escutando En el muelle de San Blas, do Maná, e dizendo aos prantos “essa é a minha música!”. Passarei o resto dos meus dias lendo, cada vez em um poço mais fundo, pois literatura não traz alegrias para ninguém. Viajarei muito, isso é um fato, mas viajarei sozinha, amigos estarão casados e com filhos, nessas viagens serei muito seduzida por michês que cobrarão muito mais caro que o habitual por uns momentos únicos de prazer, serei assaltada algumas vezes por eles, e não prestarei queixa por vergonha do escândalo; será que eles irão me bater? isso não aceito, podem roubar, mas bater, não. Enfim, uma velha solitária, cuja maior felicidade estará em comprar presentes e distribuir para os filhos e netos dos outros. Talvez olhando assim de longe eu me arrependa de não ter tido a minha prole, mas lá no fundo eu saberei que foi o certo a ser feito, sem filhos o sangue acaba aqui comigo, sem herdeiros para ele que começou tudo isso. Como disse Fernando Pessoa, vou matar o que nunca foi, e como também disse Rachel de Queiroz, mulher sem filhos, elo partido na cadeia da imortalidade, e é isso mesmo que eu quero, dizer não à imortalidade do sangue. Acho que viverei muito, apesar dos problemas da obesidade mórbida, da pressão alta e dos problemas no coração, talvez tenha um câncer, não sei, mas sinto que viverei muito. Pressinto um asilo, eu sendo maltratada por uma enfermeira que apanha do marido, mas não sei se a minha aposentadoria dará para pagar. Talvez eu morra em casa e algum vizinho dará falta de mim quando ver as plantas não regadas três dias depois. Será que alguém notará minha ausência? Ou serei aquelas velhas da Europa que são encontradas quase que mumificadas pelo frio no sofá dois anos após a morte? Acho que não corro esse risco, vivendo em um país tropical irei feder em no máximo uma semana. Serei salva pelo calor, que grande ironia do destino, já que sempre detestei essa coisa tropical. E não sei se os meus vizinhos saberão que não é para me enterrar, que eu quero ser cremada, pensando nisso, deixarei uma cartinha na minha cômoda explicando tudo.


Essa é a minha vida sendo escrita por mim, tal como Melquíades escreveu a trajetória dos Buendía. Quem não acreditar, favor viver até o meu fim para ver se realmente não aconteceu como previ. Estarei lá no futuro aguardando ansiosamente para lhes dizer: "eu avisei que seria assim".


Só tenho por consolação
Que os olhos se me vão acostumando
À escuridão.

26 comentários :

Guilherme disse...

Patrícia,

Te amo, Porra. Esse texto me fez rir e me reconhecer nas suas palavras. Todos nós temos medo do futuro, nós eu digo eu você e aqueles que não podem se apoiar no passado ou no presente, que não tem aquela base fantástica de comercial de margarina ou pasta de dente, que muita gente diz que ninguém tem, mas eu conheço muita gente que tem e não reconhece.

A vida não é a gente que escreve, muito menos os nossos medos. Eu deixei de me preocupar com o futuro quando eu resolvi voltar. Algumas semanas atrás eu atingi o fundo do poço do meu retorno. Me sentindo um completo idiota que jogou fora a galinha dos ovos de ouro (Londres).

Aí surgiu uma oportunidade nova, numa cidade nova. Resolvi agarrar com força, tentar, embora já tivesse escrito a derrota nos meus temores.

Não sei o que vai acontecer, quando não sabia quando tomei qualquer das minhas decisões anteriores.

Sei que vejo as pessoas que sempre me elogiaram, disseram que sou inteligente construindo suas vidas, e eu aqui, correndo atrás, sem NADA a perder.

Não posso dizer se vou morrer daqui a 15 dias atropelado por um ônibus, daqui a seis meses de enfarte, ou aos 99 anos usando fraldas geriátricas sem conseguir lembrar o meu nome.

Só posso dizer que até agora eu segui em frente nos momentos mais difíceis, e aproveitei ao máximo os momentos mais felizes.

E me orgulho de tudo que eu fiz, viagens, vitórias, até dos meus incontáveis erros vergonhosos.

Beijos e Melhoras,

Envergonhadamente,

Gui.

Angela disse...

Patrícia, algumas pessoas falam esse tipo de coisa para ouvir o contrário. Mas não penso que você seja assim. Provavelmente seu blog não será eterno, e é quase certo que eu não saberei se a história se concretizou. Só espero que não. Espero que mesmo a vida sendo foda, ela seja uma foda cor de rosa, em que todo mundo goza, enfim...

Andréia disse...

Olha muito medo desse texto, viu. Li Cem Anos de Solidão pela primeira vez ouvindo Mana. E foi só depois disso que percebi que queria ser jornalista. Minha monografia foi sobre jornalismo literário e hoje (sobre)vivo disso. Medo, muito medo.

Larissa Gevesier disse...

Puxa vida ainda bem que agosto esta acabando!!! hahahahaha

Melhoras

bjoo

Patrícia disse...

Tão frágil é a vida, tão breve e...
Cuidado com as auto profecias que se cumprem : "o que eu mais temia me aconteceu...", não tem que ser rigorosamente como no post. Eu tenho um filho (vc sabe, def. mental...) mas nunca terei netos por motivos óbvios, até pq será para sempre meu filho único, estou convicta disso. Então, me enquandro na citação de R.deQueiroz... Sou "casada" mas levo uma vida de solteirona. E muito, muito, muito sozinha (um dia te explico com detalhes num @). Você escreve muito bem, mesmo. Claro que não é um gênio literário, mas é uma delícia te ler, tão grande que interrompo a leitura dos meus livros (é, leio uns três, mais ou menos, é compulsão mesmo) para ler seu blog e comentários every single day. Você é jovem pracaramba, escrever é um exercício prá vida toda. Não, não vai melhorar daqui prá frente; em muitos aspectos, vai piorar pracaralho, mas eu queria que me apontassem uma vida perfeita, ok, vão me apontar várias, e nelas vou encontrar uma enormidade de amarguras e dores. Não existe isso. Afinal, sei lá!... Que porra mesmo é que a gente tá fazendo aqui? Bem, hoje são 26, faltam 5 dias prá acabar Agosto, gosto tanto de vc que, entre outras coisas que a lembrança de vc aciona, faço contagem regressiva prá Ago. acabar logo! Eu te amo, porra! Fique bem! Dito de forma bem piegas, Fique bem, minha criança!

Barbarella disse...

Me vi no seu post, me vi no comentário do Guilherme...sabe prevejo um fim catastrofico pra mim também....
Não acredito em sonhos, não faço planos...e sim, sou realista convicta...sei lá...se é covardia, medo...seja o que for sou assim.. e pronto...o que vier de bom nessa vida, pra mim é lucro...
Humm... Cem anos de Solidão é o livro da minha vida...li 3 vezes... Gabriel Garcia Marquéz foi um gênio...
Menina...nada é ruim o tempo todo...vai levando...
Bjs!

priroza disse...

O que tem pra hj, não é o que teremos pra sempre...
E não há nada tão ruim que não possa piorar, mais tb não dá pra ser tão ruim o tempo todo como disse a Barbarella aqui em cima.
O que sobra pra vc agora é viver e fazer escolhas...
A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: 'Nós somos a soma das nossas decisões'.
A GENTE É O QUE A GENTE ESCOLHE SER!

Faça as suas escolhas e seja muito feliz!!

Anônimo disse...

Patricia até na tragédia da vida você é uma comédia! Amei o texto, me reconheci nele. Agosto está chegando ao fim e quem sabe em setembro você releia esse texto, deixe a Maria do Bairro que existe em você pra fora da porta e talvez enxergue de uma outra forma, sem os maus agouros de agosto e com muitas cores e flores de setembro.

disse...

Li este post escutando faithfully do journey. Coincidência.
Não sei se essas coisas te acontecerão. Nem você tem 100% de certeza disso. Ninguém tem. Mas espero que essas coisas não se realizem.
A minha vida também não é fácil. A de ninguém é. Todo mundo tem a sua cruz para carregar. Agora como carrega-lá?

Pam Donato disse...

Patricia, olha poderia falar varias coisas como a galera aqui em cima já falou, mas achoq qndo a gente ta se sentindo assim, nada ameniza, nada melhora... Só faltam 5 dias, e outros agostos virão e que venham, só naum deixa q sua vida seja sempre agosto.
Todo mundo que falou aqui c certeza tem um carinho imenso por ti, entaum apesar de naum nos conhecer pessoalmente, saiba que sozinha vc naum tá! xero grande!

Ana disse...

Esses dias estava choramingando pelas perspectivas que meu futuro apresenta e, numa boa? Tudo bem que vc pintou aí um futuro triste e tal, mas, é um futuro que existe, vc consegue palpá-lo e, em algum momento, se, de fato quiser, pode mudá-lo.
Eu estou aqui, masturbando neurônios, tentando encontrar uma ceninha qualquer, um simples indício, uma pista sobre as paisagens da estrada na qual caminho. Tá foda....pq vc, ao menos está andando com suas pernas; eu me sinto arrastada e, aí que meu futuro se resume a ficar parada, estagnada até que alguém resolva me arrastar....
Beijo, e sorte né?

Anônimo disse...

Nossa,... tantos "agosto está terminando!" E eu aqui, pensando o que faço??? Pra mim parece ser definitivo, que sempre sera agosto em se tratando de "netos", diferentemente disso tudo eu planejei muitos netos. E agora tenho a certeza que não os terei. Então, a sensação de "agosto", é intensa e constante. Meus filhos se negam a ter filhos e consequentemente não serei avó. e eu que pensava que poderia dá e fazer tudo que não fiz com eles. E olha que tenho orgulho de dizer que vive todas as fases dos meus.

então,... pra você, que se vá agosto!!!

Beijos e fica leve, deixa a vida te levar.

B. disse...

Patricia...

essas coisas só acontecerão SE VC QUISER e deixar. Sempre podemos mudar o rumo de nossas vidas. Não se deixe levar por esse tipo de pensamento, querida. Não mesmo. A não ser que você QUEIRA que seu futuro seja esse. Sempre podemos escolher a direita ao invés da esquerda. Há sempre escolhas. Sempre. Escolha uma vida feliz.

Artur Ornelas disse...

Patrícia,

Nunca comentei por aqui, mas há cerca de um ano leio seus textos.

E um coisa, ao menos, tenho de discordar de seu texto. Você é uma excelente escritora. Sagaz, com humor certeiro e um ritmo de escrita excelete e pouco encontrado hoje em dia.
Seu texto é cativante, mesmo o mais simples e despretencioso.

Caso escreva um livro, 1 leitor cativo você já possui.

Beijos,

Artur Ornelas

Artur Ornelas disse...

Patrícia,

Nunca comentei por aqui, mas há cerca de um ano leio seus textos.

E um coisa, ao menos, tenho de discordar de seu texto. Você é uma excelente escritora. Sagaz, com humor certeiro e um ritmo de escrita excelete e pouco encontrado hoje em dia.
Seu texto é cativante, mesmo o mais simples e despretencioso.

Caso escreva um livro, 1 leitor cativo você já possui.

Beijos,

Artur Ornelas

Marcela disse...

No.1: prêmio Nobel procê
No.2: posso ser sua 2a. leitora cativa c/ direito a autógrafo e fotos?
No.3: enquanto setembro ñ vem, passeia no rivotril q essa melancolia vai pro saco
No.4: apesar de ñ te conhecer, tb te amo, porra!!!

Estefania disse...

Bom,
o que tenho a te dizer é o seguinte: se vc já sabe como acabará seus dias aqui na Terra, se tem certeza disso tudo, então deixe-se surpreender pelo que vier diferente na sua vida, pelo inconstante das coisas e pessoas, deixe-se levar pelas surpresas e atalhos dessa sua vida certinha mirada ao abismo.
Pelo menos isso Deus te reservou: a possibilidade de vc mudar o seu curso, e fazer o que te der na telha....então saia do sofá, e vai viver....vc merece...

Flavinho disse...

É, seu fim será triste... O meu vai ser bem mais maneiro! Pode acompanhar lá no meu blog. Meus problemas são uma fase. E só! :)
Aliás, adoraria se você críticasse uma meia-dúzia de textos meus por lá... Que tal? Enquanto a morte não chega.
Se cuida. Valeu.

Anônimo disse...

Minha mãe, que nasceu em agosto, sempre odiou essa história de que agosto é um mês ruim, e vamos pensar 'com a cabeça', ruim pq?

Nê! disse...

Ai!!!

Esqueceu de terminar o texto com a célebre frase: Sim, eu faço drama exageradamente.

Menina! Volta pro Rio, essa cidade já tá começando a te afetar. rs

E de fato, vc seria uma excelente crítica literária.
Pra mim a versão feminina e apimentada de Millôr ou José Simão.

Beijo grande.
Ps. Só faltou dizer que a herança que deixará poderá cair nas mãos dos filhos da sua madrinha. Aí sim, a merda estaria completa. rs

Ana P. disse...

Aff, vou falar palavrinhas de incentivo não, pq eu total me vi nesse texto, SÉRIO.

Olha, vou te contar, se tudo isso acontecer, a gente pode se telefonar um dia, jogar uma partida de buraco e comentar, com saudosismo "lembra quando vc postava no blog que seríamos infelizes pro resto da eternidade, pois é, olha aí, e a profecia se torna real".

Felicidade é para os fracos. É o que eu digo.

Marko Acosta disse...

Impressionante como as pessoas levam tdo à sério.

D qq modo, seja inspiração (afinal todo grande artista, famoso ou não faz da observação da vida, própria e/ou dos outros uma) ou... fatalismo rs rs Belo texto ragazza!

Renata disse...

Bem, cmo estão comentando sobre as coincidências das músicas e do seu post, li enqunato ouvia "Alegria" com Vanessa da Mata...
"Minha gente
Era tristre e amargurada
Inventou a batucada
Pra deixar de padecer
Salve o prazer, salve o prazer!"

Samba pra ver se resolve... ;)

۞ Sol disse...

Acredite ou não, mas esse post soou como Saramago. Tudo dito assim, na bucha, sem pausa pro café. Seja bom ou ruim...

Caco disse...

Olá,

cheguei ao seu blogue por meio de outro, e outro, e outro blogue.
Estou passando aqui pra dizer que teu texto me fez chorar - de tanto rir. Muito tragicômico e hiperbólico. Adorei!

Abraço e espero que você tenha um destino menos cruel do que as tuas previsões. ;-)
CACO

Anônimo disse...

puta texto bom. talvez soasse ainda melhor se eu já tivesse imaginado um futuro mais ou menos assim pra mim várias vezes (até a parte do calor tropical)

eu sei q vc n está interessada na historia de ninguem aqui, mas enfim:

minha única fonte de amor no mundo é minha mãe. tem os amigos, blabla, mas não é bem assim. não é um amor gratuito e ilimitado, exige manutenção e mil restrições. não que amor de mãe n seja um peso, n exija mil coisas, pq cansa tb. enfim, morro de medo do dia q ela se for, de me ver assim, sozinha, pq tb não pretendo ter filhos. mas ao mesmo tempo acho q só então vou poder ser mais aventureira, ter menos medo, dar pra michês gostosos, me mudar de país sem medo de estar abandonando ninguém q precisará de mim. hoje eu vivo pra dar uma vidinha confortável pra ela, q está velha e infeliz. e não quero perder esse vínculo, mas tb n quero viver presa a esse medo do amanhã. acho terrível me preocupar com aposentadoria e plano de saúde, pq "o futuro...". impossível viver só o presente quando há responsabilidades q vão além do seu próprio umbigo.

você já viu o filme another year? é sobre velhice. a personagem "mary" é o meu medo. aquela ânsia em ter prazer em viver e a incapacidade para tal.