segunda-feira, junho 22, 2009

pra bom entendedor...

Eu tinha um tio avô que era a graça da família, todo mundo ficava em volta para escutar os causos. Morreu faz tempo, mas ele me marcou muito. Altas histórias do tipo uma vez que ele, bêbado, pensou que tinha achado a mulher da vida dele e descobriu no dia seguinte que era um travesti. "Mas como assim, você não percebeu na hora?". Não, não, ela virou a bundinha, eu fiquei louco e nem reparei. Em uma outra ocasião, ele contava que se fez passar pelo assassino mais procurado do estado e fez refém durante 2 horas a família do cunhado, sem arma alguma, só com o terror da lábia. Para depois dizer arrá-pegadinha-do-malandro. Ídolo, preciso dizer?

Mas Tio Coque, como toda pessoa engraçada, carregava o fardo da incompreensão alheia. Então, ele tinha um jeito peculiar de contar as histórias e todo mundo ria, mesmo quando ele contava do chifre levado da esposa junto com o melhor amigo, mesmo quando ele, dilacerado por dentro, contava quando matou um cara por legítima defesa e dizia sempre "não tem um dia que não penso nele".

Uma vez, uma das histórias me chamou atenção. Não a história em si, mas a reação das pessoas. Ele estava contando como tinha quebrado a perna e todos na sala riram. Aquilo para mim foi um espanto, um ano antes eu tinha quebrado o braço, sabia como era a dor de um osso quebrado. Tio Coque contava e recontava a história arrancando gargalhadas da sala cheia. Eu devia ter uns 10, 11 anos, e só pensava "o cara quebrou a perna, seus loucos, onde tá a graça?".


- HAHAHAHAHA que maneiro, o carro passou em cima da sua perna.



Enfim. A moral da história, quem tiver bom senso saberá.

11 comentários :

guilherme disse...

Eu penso que narizes vermelhos na verdade são para desviar os olhares dos olhos...

Mas eu não tenho um pingo de bom senso.

Patrícia disse...

... Li e reli, várias, várias vezes...
Um abraço bem carinhoso prá você, Patrícia!

Barbarella disse...

Oi querida...
Infelizmente, bom senso não está entre mihas qualidades...hehe
bj e boa semana!!

Ana disse...

A palavra tem um poder excomunal e, creio que vc saiba muito bem disso.
Use o SEU conhecimento a respeito dela...Vc é dona desse poder, Paty e, com isso pode manipular as reações como bem entender.
Tio Coque também tinha esse conhecimento, Paty.
Por muitas e muitas vezes a gente manipula o riso das pessoas esperando que a sagacidade de uma ou outra perceba a nossa dor.
Me pergunto demais se não seria mais útil facilitar com a clareza e a eloquência...
A responsabilidade da comunicação é dividida em 2...interlocutor e ouvinte!
Sou sua fã!
beijos

Sandrine disse...

Qual é a credibilidade do palhaço?

Apesar de não ser lá muito engraçada, muito entendo teu tio avô. Cansei de sofrer de incompreensão alheia.

Tem momento pra tudo. De vez em muito o melhor é ficar quieto.

João disse...

Uns posts atrás eu bem comentei dizendo que as pessoas por aqui (que comentavam) eram nonsense total e queriam ver era você no meio dos leões pra aplaudir e dar risada.
(por sinal no mesmo post a menina que escreveu cerumano sentiu-se ofendida com meu comentário, mas é a vida dura. michaelis online taí pra isso)

mas sim, o preço de ser engraçada é esse, tem que aturar o público sem o mínimo bom senso pra entender o porquê do humor nesses casos.

beijo

Taynara disse...

Eu quero comentar seu post mas eu não sei bem o que dizer...
Acho que resumidamente é que eu prefiro as pessoas que encaram a vida com humor mesmo nas piores coisas do que aquelas que tornam um pinguinho de água, uma tempestade.

Fazer chorar é fácil. Eu choro com desenho animado e comercial.

Fazer rir é uma arte. Mesmo que seja a arte de transformar sua própria dor em risos alheios.

Bjs,

Bellatrix disse...

Nonsense ruleia. Ninguém vai entender vc ;)

Naty disse...

Simples assim: pimenta no cu dos outros é refresco.

Samantha disse...

Kd vc?

Anônimo disse...

pior que bom senso, falta mesmo é sensibilidade.