sexta-feira, abril 03, 2009

mad world

Fico pensando se seria digno da minha parte pegar as malas e ir embora, estando nessa cidade há menos de uma semana. Difícil explicar. Muito difícil. Não é o lugar em si, não é a distância somente. É uma série de fatores.

Há um tempo eu parei de lamentar as coisas, e por isso eu conto certas situações tristes, meio que para exorcizar, tirar os fantasmas do caminho e tal. Algumas pessoas se compadecem com a minha história, mas se eu conto, se eu partilho isso com o mundo, essas situações já não machucam tanto. As coisas que mais machucam, essas permanecem guardadas.

Então, recapitulando, nesse um tempo atrás eu parei de lamentar, mas hoje nesse exato momento estou aqui lamentando todas as coisas que eu deveria ter feito e não fiz, e não adianta vir e dizer "lamentar não melhora", porque eu sou a primeira a dizer isso, contudo, estou aqui desse jeito. Ainda vou levar um tempo para absorver totalmente Edith Piaf, "Non, rien de rien, je ne regrette rien". Admiro pessoas assim. Gostaria de ser igual a elas.

A cidade é bonitinha, e é quente mesmo, muito quente. Não tem sistema de transporte, não que ela seja enorme e precise de metrô, só que também não é tão pequena. Não sei andar de bicicleta e nem de moto (aliás, o que eu sei fazer, né mesmo?) e não tenho carro. Ou seja, tudo que eu tenho que fazer é a pé. A pé em um calor de 40°. Desespero, a gente se vê por aqui.

A estrada para cá é assim a pior coisa do mundo. Saca aquele aparelho da Feiticeira, elisbelt seiláoquê? IGUAL. Mesmo efeito pegar um ônibus até Jiboia City, devo ter emagrecido horrores de tanto que sacudi. 14 horas de viagem nesse Brasilzão de meu deus, com direito a ônibus quebrar no meio do caminho e tudo. Médico decente? Fica a três horas daqui.

Estou no hotel mais fuleiro ever, do tipo a mesa do quarto ser uma de plástico da Skol (as ironias me perseguem de uma forma...). Quando eu cheguei o dono do hotel disse que tinha wireless, me animei toda. Até descobrir que essa internet é LENDA, tipo Iara que encanta os homens. LENDA. Estou em uma lan, no horário de almoço, e não pretendo voltar aqui sempre.

No trabalho, estou fazendo merda atrás de merda. Demoro o mundo para realizar um cadastro simples. Mas sinceramente, foda-se, nego acha que sou mãe Dinah, não posso fazer nada. Nego acha que basta falar uma vez e eu gravo, meu filho, se eu fosse inteligente, não estava AQUI. Aí se emputessem e me colocam no atendimento. E EU NÃO ENTENDO O QUE AS PESSOAS FALAM. Desculpa, mas eu não tive tupi guarani no colégio. (Sim, eu atendo índios. Nada contra, hein, acho ótimo. Só fico com pé atrás porque não consigo me comunicar).

Eu saio na rua e TODO MUNDO ME OLHA, e eu tenho umas neuras, será que olham porque estou com uma roupa ridícula, porque sou gorda, porque sou nova na cidade, porque tem uma melancia no meu pescoço e eu não percebi? Incomoda ser o centro das atenções, incomoda eu saber que a única culpada de tudo sou eu, incomoda eu estar sozinha. Enfim. Ia passar o resto do dia escrevendo as tantas coisas que me fazem chorar agora.

Olha lá, propaganda do Big Brother na TV. Caguei pra paredão de bbb, minha vida já está um paredão constante. Hoje o eliminado é a Esperança de dias melhores.

Tento pensar nas diversas frases que me falaram nessas últimas semanas.
A vida é isso, minha filha.
A gente tem uma força que nem imagina.
É o que eu tenho pra hoje.


E o meu mantra eterno:

A gente segue. A gente sempre segue.

Só não sei até quando.

20 comentários :

Barbarella disse...

Patrícia...
sei que vc está cansada de ouvir todas essas frases feitas...mas infelizmente..a vida é assim...
aprendi que a vida é um jogo de administrar problemas...sou realista..existem momentos felizes...e as vezes eles passam por nós e não percebemos..sempre odiei ouvir conselhos..mas tem um infalível...
Não leve a vida tão à sério....
liga o foda-se e vamos pra frente...
Toda a sorte do mundo pra ti!
Bjks

disse...

Não é fácil, eu sei. Mas poderia ser bem pior.

Beijos

guilherme disse...

Respira.

Colocar a vida "no automático" é o que me fez levantar da cama nos piores dias dela.

E eu aprendi muito assim. Por incrível que pareça.

Ana disse...

Pati, sou recente por aqui, mas desde sempre amo o humor, o sarcasmo com o qual vc escreve e, o que posso dizer? A vida está te dando material de sobra pra produzir sarcasmo, né gata?
Enfim, tá no inferno? Abraça o Capeta, dê uma com ele, queime um pouquinho a periquita mas seja feliz!
Que podia ser pior a gente sabe, mas e daí? O certo, o normal é a gente querer que seja melhor sempre!
Tô na sua torcida!!!!
beijão

Lorenah Loes disse...

Olha só aprendi uma coisa que tá me dando forças nesse minha vidinha mas o menos...Não precisamos nos entristercer a coisa pode piorar...Prepare-se para o melhor, espero o pior, se contente com o que vier...Tá pode manda SeFuder LoLOh eu mereço...mas não sei o que dizer para te conforta..continuo torcendo por vc =(

Jullyane disse...

Já passei por isso, de trocar de cidade e ir pra um lugar que vc não conhece nada, ninguém. Os primeiros meses são muito ruins, vc se perde nos lugares, não tem com quem sair e nem pra onde. Mas com o tempo as coisas se ajeitam, vc faz amizades, conhece pessoas, faz um círculo de amizades. O importante é vc estar aberta às pessoas, à cidade. Senão, nem vale a pena ficar, já se colocando contra a idéia de ficar de verdade. Tente não se desesperar no início, eu sei que é difícil, eu sei. Mas tente. Um belo dia vc vai ver que as coisas não são tão ruins assim.

E mais, quando vc se enturmar, vai até fazer a dança da chuva em tupi-guarani! Hahahaha!

Beijos e bom fds!

Ugly Betty disse...

Todo mundo dando conselhos otimistas e tal. Vou te dizer o que eu faria: VAZA DAÍ.

Sério. Você tem potencial pra algo melhor!

Me corrija se eu estiver errada.

;***

Cris disse...

Oi. Sempre leio , mas acho que só comentei uma ou duas vezes.

Me animei a falar por causa do comentário aí de cima.

Já morei no interior do MT.
Numa Jibóia City, como vc bem diz.
Inferno.

Na boa, tbém acho que isso aí não é vida.

Vivas ao Sul Maravilha!!!

Fica aí então, amadurece, aprende e vaza...esse período nesse inferno de calor, longe da civilização, serve pra gente dar um gás em um lugar decente.

Desculpe a sinceridade, mas me dá calafrios lembrar do tempo que morei por esses lados, com esse calor infernal.

Boa sorte, sucesso pra vc (em outro lugar, menina...em outro lugar)

Cris disse...

Já que comecei, se me permite uma dica, então aproveita esse tempo que vc tem que passar aí, o tempo que vc aguentar, pra juntar dineiro (fácil, pq aí, tenho certeza que não tem nada legal para gastar, como shows e tal). E estudar para um concurso em um lugar melhor. Ou estudar uma língua, sei lá.
Ou veja um jeito de ganhar dinheiro com seu blog, menina! Vc escreve tão bem.

Sei muito bem o que vc está passando, pois eu morei´nesses lados, fui sozinha, sozinha. E nem tinha passado em concurso. Passei por problemas finnaceiros aí, inclusive.

mas o bom, como disse, é que a gente amadurece e aprende a valorizar mais nosso potencial, para lutar em crescer num lugar decente.

Sucesso,garota!

Sandro Aurélio disse...

é isso ai porra!

Lari disse...

curiosamente, mad world é o nome do jogo mais violento que eu tenho pro wii...

quer dizer, tá, comentario idiota, mas o que eu quero dizer é que eu não sei, é estranho né, nem te conheço, mas simpatizei total, faz tempo, e eh estranho como eu quero que você seja feliz, mais até do que pessoas que eu conheço.

eu não sei se ajuda saber que tem pessoas que gostam da gente (mesmo sem conhecer) quando a gente tá na merda, mas não sei, sozinha você não está, por mais que possa parecer muito de vez em quando.

Sigil disse...

Permita-me complementar seu mantra:

A gente segue. A gente sempre segue...e sempre toma no cu por causa disso...

É triste, mas é verdade >.<

Nessa disse...

Avalie suas necessidades, qualquer coisa larga isso e volta... Ninguém tem que viver no martírio p/ sempre. Temos que procurar o que nos traz felicidade, mesmo que com percalços ou sem a promessa da duração eterna.

Beijos,

Carlos L. R. disse...

Dia desses ouvi uma historinha de um rei e um anel (calma... anel daquele que se usa no dedo mesmo! heheeh).

O resumo dessa historinha é que nesse anel tinha gravado:
"Tudo passa"
Pra lembrar a ele que tanto as coisas boas, quanto as ruins são passageiras.

beijos.

Anônimo disse...

Eu já fui "nova na cidade" assim mesmo. Só q a "cidade"´era aqui mesmo onde moro e o emprego público uó. UÓ ! Relaxa! Tudo passa nessa vida e se vc é funcionária pública liga o f*-se. Seus chefes são "os merdas", acredite. E vc atende, eu acho, os supra sumo dos pés no saco nacional. Daqui a um ano, pede transferência, vai pra capital ou Brasília. Aguenta um ano. Daqui a pouco tu fica esperta. Vc está verde ainda, qdo entrei, vinha pra casa e chorava. E o povo tá te olhando mesmo, vc é quase um brâmane agora, a casta mais alta. é "da cidade grande". Dá pra notar isso, acredite.

Samantha disse...

Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta, e o coração tranquilo. Isso pra mim é um mantra.

Pamela disse...

Que mantra que nada... desça já daí!

Em todo caso, ficadica:

http://compare.buscape.com.br/dicionario-tupi-portugues-tibirica-luiz-caldas-8571190259.html?pos=2

Patrícia disse...

Boa Páscoa prá você, Patrícia! Espero que o feriadão tenha recarregado pelo menos parte de suas energias! Bjs!

bjomeliga disse...

Eu não aguentaria. Juro, se sou eu no seu lugar, já tinha mandado o mundo à merda e ido embora.

Aline Bottcher disse...

se vc se apaixonar por um indião, manda um
CHERORRAIRRU (juro que não é cheirô o cu) que é 'eu te amo' em tupi, guarani, sei lá, enfim...
valeu a intenção..
e beiba, betty is right:
VAZAAAA