quarta-feira, outubro 22, 2008

esta es mi vida

Só eu sei o quanto foi bom voltar a escrever aqui. Não posso deixar que este blog perca o foco - que sou eu - e nem me importar demasiadamente com joselitos que entram aqui.

Sei que é duro admitir, mas a minha vida está uma merda. Não lembro quando foi a última vez em que estive bem. Lembro apenas quando foi a última vez em que eu estive muito mal. E isso não conforta. De uns tempos para cá, tenho alternado momentos muito merdas, com momentos mais ou menos merdas. Mas definitivamente momentos ruins.

Eu abandonei a faculdade e I have no job.

25 anos, preciso dizer?

Minha mãe é ótima, mas tem uns defeitos que minam o meu humor. Se mete o tempo todo, lança olhares, solta piadas, e hoje mesmo, no telefone com a minha tia, solta a famosa pérola de faculdade por correspondência. Eu tento manter uma amizade com ela, uma relação de poder falar coisas da minha vida, mas não posso dizer um "ai" que ela repassa para a família toda, conta coisas da minha intimidade, joga tudo na cara e etc. Não tenho controle das informações da minha própria vida na minha real life, não só na virtual.

Olha, sei de todos os meus defeitos, tenho consciência de que errei muito, de que tenho 25 anos e yo no tengo trabajo, ela me sustenta e está certa em trocentas coisas, mas de quê adianta espalhar isso? Cara, os meus vizinhos sabem da minha vida, tem noção disso? Ela não mede esforços e cria situações humilhantes, será que não percebe que isso não melhora? Será que não percebe que não adianta eu me lamentar por uma faculdade que poderia já ter sido concluída? Não adianta! Quer dizer, quando eu melhoro, quando eu estou partindo para outra, ela vem e estraga tudo. Estou um caco, estou na merda.

Caralho, sabe quantas pessoas faltam para eu ser convocada naquela prova do MT? 26 pessoas! Sendo que em 4 meses eles chamaram mais de 50. Acredito que tenha uma pausa por causa do fim de ano e do carnaval, não posso opinar muito porque é imprevisível, mas COM CERTEZA até o meio do ano que vem eu estou lá. Ou seja, tenho os meus últimos meses nessa cidade e tudo que eu estou vivendo é essa situação desagradável. Não saio com as pessoas porque não tenho dinheiro e porra, eu não vou ver essas pessoas depois, sabe. Amigos chamam para viajar e declino de todos os convites, e daí por diante. Essa é a minha vida. E mesmo quando as pessoas se oferecem para pagar, eu não estou bem, porque em casa tudo já foi tão massacrado, que nem clima mais para sair eu tenho. Daí ela volta e diz que eu gastei muito. Vocês me viram indo ao Maracanã direto ver jogo do Flamengo? Vocês me viram indo a shows? Saindo e bebendo todo fim de semana? Vocês me viram no Festival do Rio? Ontem eu estourei e disse "Você quer que eu passe o que você passou, comer fubá pra não gastar dinheiro", ela ficou calada. Ela não percebe que vamos nos separar ano que vem! Isso me assusta e ela está cagando. Eu vou abandonar a minha cidade, a minha família, os meus amigos, e ela está cagando. Ela se aposenta em fevereiro e vai ficar com a minha vó, e sei lá poucos meses depois eu estou indo para outro estado, a passagem é cara, a cidade é longe do aeroporto, não vamos nos ver com freqüência, quem sabe até fico sem vê-la durante um ano. E ela não está nem aí, a ficha dela não caiu. Só que a minha já caiu e faz tempo.


Ontem depois de escrever este rascunho (ah, os rascunhos da minha vida, será que irei publicar esse? fica a dúvida), fui para a sala e nós duas conversamos. Eu disse um monte de coisas, mas em tom certo, não fui grossa. Disse que a ficha dela não tinha caído, que nós íamos nos separar e que para ela, aparentemente estava tudo bem, que ela não sabia o quanto o MT é ruim, em questão de clima, infra-estrutura, mesmo tendo uma amiga dela já dito isso. Falei que abandonei a faculdade e que eu não via propósito de continuar lá, sendo que eu teria que abandonar de um jeito ou de outro. Enfim, falei um monte.

Aí vem a pérola da noite, ela vira e diz:

- vamos as duas pra Minas até você ser convocada

Gente, escrevendo isso dá uma vontade de RIR, porque ela é louca, né. Eu fiquei em choque, muda, olhando para ela, mas eu soube me impor sem ser grosseira. Disse que eu não me chamava Fulana para a minha mãe me enfiar em uma mala e me levar para onde eu não quero. (Por motivos de força maior não posso revelar o nome de Fulana). Ela disse:

- mas você não faz nada, não tem porque ficar no Rio e eu sustentando duas casas
.

Ponto para ela, mas eu revidei,

- olha, eu não vou perder os últimos meses no Rio de Janeiro antes de ir para o inferno do MT, indo pra Minas! você tem que ter um pouco de humanidade em me deixar aqui, porque essa é a cidade que eu amo e quero viver
.

Nada contra MT nem MG, mas o Rio é a minha casa. Eu falei muita coisa que estava entalada aqui, quase disse que fui assediada no ônibus em Tangará, mas não falei, só disse que eu a poupo de muita coisa. E a minha vida inteira foi isso, poupar a minha mãe das coisas, poupar de assédios indevidos, poupar que eu apanhava, poupar que eu preciso de ajuda psicológica. Só sei que ela chorou. E chorou, não porque eu fui fundo demais, mas porque a ficha dela caiu. Precisei conversar, mostrar para ela que nem tudo são flores nessa minha viagem. Aliás, flores é algo que eu realmente não terei lá.

Ontem, na conversa com ela, foi uma das únicas vezes em que eu, como réu*, me defendi, porque só faço ficar calada na maioria das vezes.

Foi bom, mas minha mãe é muito imprevisível, para amanhã virar e agir como se nada tivesse acontecido, é um pulo.

* Odeio feminino em determinadas palavras. Não existe ré, é reú; não existe poetisa, é poeta.


P.s: Sinto-me nua com esse post. Dignidade mandou lembranças. Quem sabe um dia ela volta.

15 comentários :

Fernanda disse...

Olha, eu tenho 23 anos ou seja não sou muito mais nova do que você. Também não trabalho e sei como é esse lance do jogar na cara. Mas no meu caso, eu não moro com os meus pais. Já morei em Minas, e não conheço MT mas pense que lá pode ser bom também. Você vai aprender muitas coisas e vai poder voltar depois. Com mais dignidade até, quem sabe. Eu acho que um trabalho dá uma certa dignidade pra gente. Essa coisa do ter q depender dos outros é tão incomodo.
Te desejo tudo de bom.

Boas vibes!

Maria disse...

Patrícia, vc se apresentou nua sim, mas e daí? O blog é seu, a vida é sua, a dor é sua, as conquistas também serão...

Não vivo situação muito diferente e entendo muito a sensação de falta de respeito/compreenssão. Mas passa, é fato. Pelo menos dizem isso, e eu vejo exemplos reais (como sei que vc tb já viu...), então por isso acredito...

Fez bem em falar. Algumas verdades mais do que vividas, precisam ser ditas.

Abraço.

p.s: Não moro no Rio, não. Mas se for um dia vou ver as pinturas do Gentileza =D

Outro abraço.

vanessa disse...

só a gente sabe o quanto doem nossas frustrações, que os outros enxergam como preguiça

só a gente sabe quanto dói nossa indecisão, nossa sensação de "meldels, tô perdida"

e acho que só a nossa geração sabe a complicação que é ser socialmente aceitável morar com os pais até os 40, mas se sentir muito incompetente por isso, mesmo quando vc de fato ajuda na organização e despesas da casa.

olha, eu acho que não sobrevivo mais um mês sem ajuda profissional, sabe? no começo achei que psico-whatever era coisa pra doido, mas agora já tô achando que pra me entender no mundo, só com socorro...

*abraça*

paulinhaonline disse...

vc escreve de forma tão natural e sincera que parece um bate-papo.

eu não sei nem o que dizer, só que eu acho que conversas são sempre muito produtivas, mesmo que vem ou outra causem stress ou que a gte acabe com pontos de interrogação na testa.

e curte o rio enquanto é tempo, um dia vou curtir a cidade tbm :)

Chico Mouse disse...

Muchacha, no te sintas así. Muitos de nós estão juntos com você nessa situação, apenas em diferentes níveis (e diferentes mães). Veja cá seu amigo Mouse. Tô com 24 anos, querendo casar, sair de casa e ter a minha independência. Sou funcionário público comissionado, ou seja, a hora que o chefe quiser me botar na rua... bjosmeliga. Tenho uma irmã de 28 anos q é Procuradora do Estado e já passou em um monte de concursos. Daí tenho que aguentar minha mãe fazendo comparações e exibindo para os outros (se tem uma coisa que mãe gosta de fazer é isso... "ah, meu filho fez tal coisa", "ah, minha filha é assim..."). Porra, eu não sou a minha irmã! Eu quero ser quem eu quiser ser.. (e isso eu ainda não sei...). Mas custa ter calma?

Pat, de boa: paciência e esperança, minha cara. Sua hora de cantar "Weeee are the champions..." vai chegar. Até, delicie-nos com as altas doses de sinceridade deste blog.

Bjão

Mouse

Zé Hilário disse...

Eu = 24 anos, 11 meses e 13 dias.

Eu = Abandono de faculdade no penultimo período por questões financeiras. Familia joga na cara, maaasss como eu ia pagar carapalida?

Eu = Moro longe de todos e tudo, me mudei pra são paulo a 6 meses e cá estou... fudido, saindo do emprego que me trouxe e indo pra otro que não vale a pena, mas é oq vai me sustentar até a minha empreitada com videos sair...

Eu = meus pais.. só sinto falta da minha mãe, meu pai é um zero a esquerda na minha vida, dó assumir isso mas é a pura realidade...

eis a minha vida minha gente, o rei está nú!

Lívia disse...

cara, eu nunca imaginei o quão angustiante era essa coisa de ficar sem trabalhar/estudar até esse ano. tive crises sérias por conta disso (e por outras cositas más, claro), tive os piores dias da minha vida e tudo mais. quem me ouve falar assim pensa que é muito drama, mas eu sei que nem é. e sei que o seu também não. daí que eu fico doida pra passar em um concurso e get a life (e zerar o jogo, como diz um amigo), mas só sei que essa fase de transição é tipo as fases de água (alerta metáfora nerd): um saco. e, no meu caso, sempre duram mais do que o necessário. se eu pensar demais, começo a achar que a minha vida toda sempre esteve na transição, nunca chego em lugar nenhum, mas melhor parar por aqui antes que eu comece a me sentir nua também. (engraçado que eu super evito falar dessas coisas no meu blog e falei um livro aqui, enfim.)

(e brigada pelo comentário fofo, btw. vc super captou o que eu queria dizer, fiquei feliz. e tentemos não nos afetar tanto assim, sim? :))

.duas doses de desdém - Gui disse...

Olha flor, sua mãe te ama tanto a ponto de querer ir com vc e tal...eu tb tenho 25 anos e minha mãe e todo mundo me cobra pq não tô na faculdade e outras coisas...eu entendo como vc se sente, mas desejo que as coisas melhorem..tenta não ficar triste..sei lá...pensa positivo que atrai \o/

te gosto muito!

beijão

Patricia C. disse...

só tenho a agradecer a vocês. vocês me entenderam de um jeito que fiquei assim, sem palavras mesmo. como eu disse num email, não me conforta saber que há outras pessoas em situações parecidas, mas conforta saber que há pessoas que entendem. as vezes, sei lá, compreensão é SÓ o que a gente quer.

Anônimo disse...

vai se fuder ... 25 anos em casa, sustentada pela mãe e sem um emprego ..meus se joa do prédio mais alto q vc tiver acesso ..

e vc esta contando com uma possibilidade que, pode sim, mas tb pode não acontecer de vc ser convocada ...

vc vive de ilusões, trancou a faculdade por causa de uma coisa que não sabe nem se vai acontecer ...

acorda!

vc eh nada mais nada menos do que uma pessoa acomodada e que só pensa em vc mesma, afinal, não importa se sua mãe vai ter q sustentar duas casas até vc resolver crescer um pouco, o que importa é vc não passar os ultimos meses de sua vida inútil longe do Rio!

Se mexe gaota, eu tenho 21 anos,nasci no bairro mais pobre de são paulo, estudei em escola publica e aquele b;la bla bla de sempre . hj em dia tenho um carro, um emprego onde ganho quase 2 mil reais por mes e faço faculdade de graça, me matei para conseguir tudo isso, e certamente não foi escrevendo em blog ou me conformando com a merda de vida q eu tinha ....

ve se cresce ô pirralha mimada.

Cláudia disse...

Querida, assim é a vida. Cada um segue o rumo que deve ter.
A sua vida não vai tomar nenhum sentido enquanto você DEPENDER da sua mãe. Teoricamente ela se sente no direito que tem sobre você, afinal você vive as custas dela.

Vc diz que não vai para o "inferno" de MT, pô vc entrou no concurso e sabia que iria para lá não?
Se o Rio é sua casa é tão importante e blá, blá, blá, por que é que não luta para ter um vida digna ao invés de reclamar da vida medíocre que vc tem levado?

Todos temos problemas, milhares de mulheres são assediadas em ônibus, metrôs, trem todos os dias e nem por isso lançam a culpa em alguém ou no sistema.

Acorda para vida. O mundo não gira em torno a você, existem muitos problemas de verdade que não se comparam com os desafetos familiares que vc tem enfrentado.

Talvez o comportamento da sua mãe para com você seja um tentativa desesperadora de fazer com que vc acorde para vida e perceba que tem que andar com as próprias pernas. Sua mãe ainda é legal com vc, ela sustenta duas casas pq vc simplesmente tem uma vida no Rio. Será que tem mesmo?

Afinal vc tem 25 anos? Achei que tivesse 15.

Patricia C. disse...

Claudia, taí uma pessoa com argumentos.

mas mostre-me onde culpei o sistema por eu ter sido assediada no ônibus.

guilherme disse...

Você comentou a minha vida nesse momento.

Eu abri mão de um emprego que eu não gostava numa empresa que eu idolatrava e ouço que sou acomodado sendo que pediram pra eu voltar.

Não interessa se eu paguei minha pós graduação e se eu trabalho em casa (acham que eu fico na internet o dia inteiro sem fazer nada, quando trabalho pra caralho na verdade e sou mal pago).

E o pior eu ainda sinto que não tenho NADA a oferecer pra mulher nenhuma, porque dizem o tempo todo que eu não tenho onde cair morto e nem um carro...

Isso entre vários outros motivos me faz ter a certeza que por mais que aqui seja a minha casa, eu sempre serei muito depressivo se continuar entre essas paredes...

Te entendo perfeitamente, vou te visitar no Mato Grosso, pode deixar, quem sabe eu não encontre uma bruaca que tome banho no rio pelada, cozinhe, passe e me valorize por lá.

Mi disse...

Posso te mandar um email sobre isso?

Loira e Morena disse...

Patricia..me vejo um pouco no que vc disse...
Acho q mto se identoificam em algo..
E esta certissima em desabafar aqui...é seu espaço vc faz o que quiser..hehe

Beijocas da Loira