terça-feira, setembro 23, 2008

Filmes

Fazendo jus ao logo deste blog, vou falar sobre os últimos filmes que assisti. Na ordem.

O Procurado (Wanted)
Não dava nada por ele, vi porque o horário no dia era bom e qualquer coisa com Angelina Jolie é no mínimo tragável, mas o filme vai além, é bom mesmo. Conta a história de um cara inútil no mundo, um nobody, assim como eu, assim como você. Um belo dia um membro de uma sociedade de assassinos o recruta, muito pelo fato dele ser filho de um ex-membro. Há uma grande reviravolta que faz o filme não ser apenas mais um, vale mesmo o ingresso. Sem contar que James McAvoy é lindo. Trailer. Dentro daquilo que o filme se propõe...Nota 10.

Era uma vez
Um amontoado de clichês. Segue: moço pobre, favelado, filho de empregada, se apaixona por moça rica moradora da Vieira Souto. O pai dela não aceita o relacionamento e nossa, choque, a mãe dele também não, por temer que seu filho se machuque. Os dois, moça e moço, lutam pelo amor contra tudo e contra todos. Fim. Não bastasse isso quase no final do filme acontece algo nada a ver, mas nada a ver MESMO, e você saí do cinema com aquela cara de "What the fuck?", sei que muitas vezes essa cara de wtf é positiva, mas nesse filme definitivamente não é, porque é algo sem propósito algum. Só salva as cenas do baile funk, me acabo com Claudinho e Buchecha. Trailer. Nota 3.

Estômago
Contei minha saga para ver esse filme aqui. Séculos de espera, sempre que eu marcava de ver, dava algum problema. Finalmente vi e amei. O que é um fato a se considerar bastante, tendo em vista a grande expectativa em cima dele, e é aquela coisa, se você espera muito, quase sempre se fode. Não me fudi. Esse filme é de longe o melhor que assisti em 2008, tudo bem que não vi tantos filmes nesse ano, mas enfim. Estômago tem dois planos que se intercalam: hora é o Raimundo, cozinheiro, trabalhando em São Paulo; hora é o Raimundo na penitenciária fazendo o que pode para se virar. E vai assim até o final. Com um desfecho fantástico. Trailer. Nota 10.

Ensaio sobre a cegueira (Blindness)
Senso comum dizer que o livro é melhor, então isso não desmerece o filme. Até hoje apenas O Senhor dos anéis, na minha visão, superou a obra literária, afinal Tolkien é tããão chato. Acho que o filme Ensaio foi fiel ao livro na medida que pôde, achei interessante que o Meirelles não usou recursos de músicas tristinhas na maioria dos momentos de tensão no filme, isso faz você se emocionar pelas cenas, e é assim que o cinema de verdade é feito. Ele também teve o grande mérito de ter adaptado o livro tão bem que no filme quem nunca leu o livro não percebe que os personagens não têm nomes. Os atores estão todos ótimos. Minha nota poderia justificar que as duas passagens que mais me marcaram no livro não estão presentes no filme: uma que a mulher do médico sai da igreja e diz "Deus não merece ver", embora no filme a cena dos santos com os olhos vendados marquem muito; e outra que diz "Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos". A nota eu sinceramente não sei o que dar, não sei se dou 8 por achar que o filme já sai perdendo porque nunca vai chegar aos pés do Saramago e por não ter as cenas mais marcantes (para mim), ou se dou 10 por achar que o Meirelles teve um mérito do caralho por ter adaptado bem um obra tão difícil. Trailer e reação do Saramago ao ver o filme.

Linha de passe
Expectativa total para ver esse filme, e ao contrário de Estômago, rolou uma certa decepção. Aí não sei se o filme não é tão bom porque eu esperei muito dele, afinal é um Walter Salles, ou se o filme em si é que não é tão bom. Na verdade eu achei o filme bom sim, mas está longe se ser o que espero do diretor, vide Central do Brasil, vide Abril despedaçado. É impossível não rolar uma comparação, sorry se não sou capaz de olhar a obra individualmente. Acho até que isso seja um elogio, pois eu acredito que o Walter Salles pode mais. O filme é sobre uma mulher com 4 filhos e esperando o 5°, na periferia de São Paulo. Dá a entender que cada filho tem um pai diferente. E o filme mostra a visão dos 4 filhos, a vida que cada um deles leva: o motoboy, o crente, o aspirante a jogador de futebol e o caçula que tenta a qualquer custo achar seu pai. Inclusive é a história do caçula que considero mais bonita no filme. Quem ganhou o Cannes de melhor atriz foi a mãe, mas para mim, no filme quem mais de destaca pela interpretação é o caçula. Ele sabe que o pai era motorista de ônibus e negro, então a vida dele consiste em todos os dias fazer várias viagens nos ônibus da cidade, sempre procurando o tipo que acha ser seu pai. O problema de ver filme com temática paulistana, é que você volta fudido no sotaque. Tá me tirando, mano? Trailer. Nota 8.

10 comentários :

guilherme disse...

Saudade do tempo que eu era sócio do cinema e via TODOS os filmes.

Anda.

guilherme disse...

Então um adendo.

Os três mais velhos são filhos de um e o mais novo é filho de outro. Isso que dá a entender (ela só tinha foto de dois homens e o mais novo disse que não era filho de corno como os outros).

Só não sei o bebê de quem é...

Patricia C. disse...

é verdade, não me lembrava disso. mas tem uma hora que o crente fala "mais um filho que a gente não sabe quem é o pai", será que ele só se referia ao filho caçula ou a outros irmãos? dúvidas...

Renata disse...

eu saí do cinema com essa cara mesmo de WTF depois de ver Era uma vez.

Fiquei uns bons minutos esperando um final alternativo.

"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome. Essa coisa é o que somos" é minha citação preferida do livro. talvez seja minha citação preferida do mundo todo.

assisti ao filme esperando pra ver se a citação estaria no filme. não aparece com essas palavras, mas o velho da venda fala uma outra frase dizendo a mesma coisa. pena que eu não anotei.

paulinhaonline disse...

Nossa, eu me emocionei tanto com o video do Saramago e do Meirelles !

quero super ver blindness, vou acabar terminando o livro depois de ver o filme! hahah

beijos,
Paulinha!

yochis disse...

Alguem me chamou para ver Era uma vez e inventei um desculpa ahahhahahah Filme Z! Será que foi vc?
Tem certos convites que nem se discute, ne?
Não vamos dicutir, ok?
Bjs!

Beatrix Kiddo! disse...

Desses filmes só vi "Linha de passe" e eu vi com meus pais e todos nós saímos com um monte de interrogações nos nossos rostos, mas foram boas interrogações, pq justamente, cada um tinha uma visão totalmente diferente do outro. E no final, acho q decidimos que gostamos do filme, eu não sei até agora. Definitivamente não o acho ruim.
E eu não comparei com Central do Brasil, nem com Abril despedaçado.
Faz tanto tempo q vi os dois, q vai ver que é por isso.
Beijos.

Letícia disse...

menina, tô louca para ver estômago, uma coisa.. parece praga porque tbm não consegui assistir.

Pablo Rogerio disse...

Em tempo. O Poderoso Chefão tambem é adaptaçao de um livro.

Patricia C. disse...

é porque eu não li o livro, aí não tenho como colocar de exemplo, embora eu sinta que o filme é bem melhor.