domingo, agosto 10, 2008

Pai (minha metralhadora cheia de mágoas)

Meu pai odiava as coisas fora do lugar, odiar mesmo que eu digo. Ele não ficava satisfeito em fazer um escândalo porque alguma coisa estava fora do lugar, ele não só fazia o escândalo como destruía (isso mesmo, destruía) a coisa que não estivesse em seu lugar, ele foi o pioneiro do TOC. Se alguma coisa estivesse fora do lugar, essa coisa deveria ser destruída para ele então viver em paz. Qual a diferença disso para alguém que não abre portas através de maçanetas? Para pessoas cujo número do volume de som deve ser sempre par? Enfim. Com certeza era um TOC fudido. Sei que eu devia ter uns 5 anos e gostava muito de Fio de cabelo, do Chitãozinho & Xororó, daí coloquei o Lp deles (sou do tempo do Lp, primeiro choque) na vitrola (sou do tempo da vitrola, segundo choque) e quanto terminei de escutar, esqueci de colocar de volta na capa. Sei lá, com 5 anos e escutando fio de cabelo por livre e espontânea vontade, quais as chances de uma pessoa assim ser normal quando crescer? Mas enfim. Meu pai achava que um Lp depois de escutado deveria estar na sua capa e não na vitrola. E simplesmente num surto a tacou no chão, junto com o Lp que a minha mãe mais gostava. Aí fiquei anos sem escutar música em casa, minha mãe ficou anos me jogando na cara que eu tinha quebrado o LP favorito dela. Eu hahahahaha

Ele era assim, via um gibi da Turma da Mônica em cima da mesa na sala e simplesmente pegava e rasgava ele ao meio. O que já me dava muito medo, porque ele era tipo o Hulk, muita força e tal. Eu não consigo rasgar um bloco de 100 páginas ao meio, acho que nem 50 dá. A minha infância foi assim, perdendo gibis da Turma da Mônica. Quando ele percebeu que eu pegava os gibis rasgados ao meio e conseguia ler, fazendo a cada página um quebra-cabeça de 2 peças, passou a rasgá-los ainda mais para não me dar essa possibilidade. Quando eu já tinha lido, nem me importava mais, mas doía quando ele rasgava um que eu ainda não tivesse terminado de ler. Minha sorte é que perto do colégio tinha um jornaleiro que deixava as crianças lerem os gibis mesmo sem comprar, então eu chegava bem mais cedo e pegava aquele gibi que em casa fora destruído e lia. O jornaleiro era muito gente boa, todas as crianças o adoravam, até hoje volta e meia encontro alguém daquela época e lembramos com carinho dele. Meu pai gostava de arremessar bonecas também, via uma fora do lugar e lá se ia ela pela janela. A maioria caía no telhado do prédio ao lado, onde ninguém ia, então essas bonecas eram perdidas, o que era extremamente doloroso, pois bastava eu olhar pela janela para vê-las. Algumas caiam em uma parte do prédio onde era possível o porteiro pegar, tinha que dar uma volta, subir uma escada e atravessar o lixo. Eu ficava feliz e descia correndo para ver se o porteiro pegava a minha boneca, dava a desculpa “estava brincando e ela caiu, pega pra mim, por favor” e o porteiro perguntava “mais uma vez? Por que você simplesmente não pára de brincar de boneca na janela?” e eu dava um sorrisinho sem graça, com o tempo ele não perguntava mais, acho que acabou percebendo as coisas. Não era meu pai quem comprava as bonecas então ele podia jogar fora quantas ele quisesse, coitada era da minha mãe que a cada vez tinha que me escutar chorando, implorando uma boneca nova. Eu lembro de um único presente que ele me deu: um videogame, mas 1) não era o que eu queria e eu disse isso na cara dele, 2) foi logo após o fim do casamento dos dois, então ele meio que queria agradar a minha mãe, queria voltar e tal e 3) sabe que eu nem aproveitei muito? deixei de brincar muito cedo, logo depois dei o videogame para alguma outra criança que não tivesse condições de comprar. Até hoje eu acho graça quando pessoas da minha idade resolvem falar de jogos, porque foi uma febre com todo mundo, menos para mim. Atari, sega, master system... sempre caguei para isso.

Uma vez ganhei um balão, desses que não pode soltar, senão ele voa. Ficou uma semana amarrado no armário do quarto, até o dia em que, para me punir de alguma coisa errada, meu pai simplesmente desamarrou e soltou, assim na minha frente, e lá se foi o balão pelo céu do Rio de Janeiro, eu corri na janela e fiquei olhando durante um bom tempo, até não conseguir mais ver o balão no céu. Ou seja, para punir, ele precisou quebrar um sonho, uma fantasia de criança. Eu tinha 6 anos. De certa forma não foi ruim ele soltar, uma hora o balão tinha que sair da porta do armário mesmo, acho até que ele teve paciência demais, e foi bom eu ter imaginado o trajeto, permitiu que eu fantasiasse, imaginava o balão passeando pelo céu, indo ao Cristo Redentor, Pão de Açúcar. Na minha cabeça de 6 anos o balão tinha ficado livre, coisa que eu não era. Fiquei assim durante um bom tempo invejando aquele passeio, coisas do tipo “por que não posso voar? Eu quero voar também!”, eu queria sair daquela casa, daquele pai. Eu pensava muito em fugir, eram vários planos, mas como eu podia sair e deixar minha mãe para trás? Ela foi a circunstância que me prendeu ali. Eu lembro que eu tinha um medo absurdo dela morrer e só me restar ele, minha infância era uma época sem celular e quando minha mãe saía para o trabalho, eu não tinha qualquer comunicação, e bastava meia hora de atraso que eu já entrava em pânico. Se eram às 20 horas que ela deveria chegar, e às 20:30 nem sinal dela, eu já estava chorando. Só sentia o alívio quando escutava a chave na porta, corria para o banheiro a enxugar as lágrimas. Ela nunca soube que eu chorava nas vezes em que se atrasava.

Meu pai morreu ano passado. E a morte dele eu chorei três anos antes, por coisas que ainda me são muito dolorosas para serem ditas, quem sabe um dia. Acho que ele sempre foi um fantasma, mesmo quando vivo, porque sempre foi a sombra daquilo que eu sempre quis e nunca tive – um pai. A morte de fato dele só representou para mim a constatação de que eu nunca na vida teria um pai. Com ele vivo, mesmo que eu não tivesse contato e mesmo com todas aquelas situações, ainda restava dentro de mim um sonho, uma esperança de um dia as coisas mudarem, eu acordar que nem Alice e ter enfim uma família. O fato de eu não querer ter filhos é uma clara alusão a ele. Eu tenho um medo pavoroso de fazer as mesmas coisas. Porque o que ele fez eu nunca consegui entender, como um pai pode fazer aquilo tudo com um filho? É o tipo de resposta que eu sempre busquei saber em vão. O medo vem de eu acabar indo para o mesmo lado e ser uma péssima mãe, se eu não consegui entender os motivos dele, como posso saber que um dia eu não serei igual? Não quero dar essa chance para o destino. Lembro que as minhas bonecas eram todas quebradas, porque eu batia nelas. Quantas crianças a gente conhece que bate nas próprias bonecas? Quando eu comecei a ter consciência de como nasciam os bebês, um dos meus primeiros pensamentos foi “quero ter um bebê para jogá-lo na parede”, eu lembro claramente de pensar isso, queria descontar todo o ódio que eu sentia em cima do meu futuro filho. 5 anos de idade e você pensa assim, significa que é um doente para o resto da vida. Eu sou doente. Eu não posso ter filhos. Mesmo que hoje eu não pense dessa forma, há alguma coisa aqui dentro que um dia já pensou assim, e o medo vem daí, de um dia eu ter um filho e despertar essa coisa maléfica aqui dentro, ter um filho para espancar, para dizer coisas desagradáveis, e traumatizar para o resto da vida, para um dia ele escrever um blog e desabafar tudo isso. Eu também não podia esperar muita coisa dele, se eu sempre cresci escutando a história de que eu nasci apenas para ele conseguir o visto definitivo no país, e se não fosse por isso, eu nem teria nascido, a minha mãe seria obrigada a abortar e pronto, pois ele sempre conseguiu o quis. Minha mãe passou a gestação inteira me chamando de um nome, na hora de registrar ele deu outro e ainda acrescentou um segundo nome para se vingar da minha tia que detestava uma mulher chamada tal. Ele fez mal a várias pessoas e ninguém conseguia odiá-lo, tinha um charme desses vilões de desenho, tanto que minha mãe brigou comigo milhares de vezes por eu não ter sido uma boa filha com ele no final, mas digamos que o meu exemplo de pai não foi dos melhores.

Sei que é estranho eu falar aqui as tantas coisas negativas que ele representou na minha criação, porque se eu parar para pensar nos momentos bons, assim rápido, não vem nenhum. Com esforço eu consigo lembrar dos meus 17 aos 19 anos em que ia visitá-lo nos finais de semana e ele preparava pudim porque sabia que eu gostava. As vezes fazia uma sopa muito boa com pão torrado que ele chamava de papas, em outras ocasiões íamos na locadora ver os lançamentos, tentar entrar em um consenso e alugar uns filmes. Gostava quando ele dormia na sala e deixava a cama do quarto para mim e todas as vezes na hora de eu ir, ele me levava no ponto, esperava o ônibus junto comigo e dava aquele aceno quando eu ia embora. Foi uma época muito boa, mas infelizmente ele confirmou o que todo mundo já me alertava, e estragou tudo um tempo depois. Olhando hoje, parece incrível, mas eu realmente acreditei que ele tinha mudado, ficava feliz em ter um pai, embora as coisas do passado fossem difíceis de esquecer, todos aqueles xingamentos, a vergonha a cada dia que eu ainda criança tinha que buscá-lo bêbado no bar da esquina, todas as surras, eu tendo que ir para o colégio de casaco e calça no verão se não quisesse ouvir as perguntas sobre as várias marcas que ele deixava, os tapas na cara, as frases terríveis que tanto são presentes na minha vida “você não é capaz”, “você é burra”, “por que essa carta só tem desenho? 6 anos e ainda não sabe escrever?”, “por que você é sempre a última?”. Mesmo hoje essas frases exercem um total poder sobre mim, sempre que não consigo uma coisa, não passo em uma prova, não consigo um emprego, sempre que a vida me diz não, eu lembro dessas frases; como se ele estivesse sempre presente me lembrando a cada momento que eu não sou capaz de nada, que eu nunca vou conseguir nada. Eu lembro dele nessas horas não com rancor, mas com tristeza ao constatar que ele estava certo, que sou realmente uma fracassada e é melhor desistir de tudo, é um pessimismo que ele já me embutia desde muito cedo com coisas simples como não conseguir fazer o dever de casa sem ajuda ou demorar a aprender a ler, e ainda, como a minha letra era muito feia tipo um garrancho e ele dizia “letra de analfabeto”. Algumas vezes essa terapia de choque funcionava, por exemplo, a minha letra mesmo, eu me esforcei muito e ela acabou ficando bonita com o tempo, mas foram nesses detalhes sem importância que eu melhorei, na vida mesmo a terapia de choque dele só fez piorar as coisas, talvez por eu ser fraca demais, talvez porque ninguém se torna melhor com tapas na cara. Lembro de um dia dos pais no qual eu fiz vários desenhos e coloquei dentro de uma carta, eu estava na alfabetização, mas era bastante insegura para escrever, eu podia ter pedido a minha professora uma supervisão em uma frase qualquer, mas preferi fazer a carta sozinha somente com os desenhos, que era o que eu sabia fazer, seria mais pessoal, seria o meu presente; entreguei a carta para ele e ele disse a frase já mencionada “6 anos e ainda não sabe escrever?” e jogou a carta assim no ar, minha mãe ficou estática de vergonha por ele e pena de mim, pegou a carta no chão e guardou. Eu tenho essa carta até hoje. A carta que ele não quis.

As vezes fico analisando as situações na minha vida para ver se foi ele que me deixou assim ou se é algum defeito meu mesmo. Eu fico paralisada quando não consigo realizar alguma tarefa que me pedem; alguém me pede para pegar um pote azul no armário e eu já fico com medo pensando “e se eu não achar?”, para qualquer pessoa não achar um pote no armário é a coisa mais banal do mundo, não achou, pronto, a vida continua; aí que está: a minha vida não continua, ela pára ali em frente ao armário, “não consegui” é tudo o que eu penso. Pergunto sempre se é da minha índole e predisposição, ou se foi ele o responsável pelas várias seqüelas, dentre elas: a dificuldade que eu tenho de me relacionar com as pessoas, o fato de eu ter começado a engordar justamente em um ano que ele me deu a maior surra da vida por causa de um doce de leite (fato esse que culminou na separação dos meus pais. eu tinha 9 anos) e o meu jeito reservado de não falar muito sobre a minha vida (que com esse post foi para o espaço). Inclusive essa minha reserva eu acho que vem da minha infância onde tudo foi exposto, os vizinhos sabiam de tudo pois escutam os gritos, chamavam a polícia, o conselho tutelar, muitos viam minha mãe e eu buscando ele bêbado às 3 da manhã, e era o próprio dono do bar que nos pedia isso, chamava o porteiro, o porteiro subia e nos contava. Tudo ali ao léu, aberto para quem quisesse ver e usar isso contra mim, e criança costuma ser muito cruel com esse tipo de informação “e aí, o que a polícia tava fazendo na sua casa?” e vinha a gargalhada geral. O fato de eu não gostar do meu aniversário tem muito a ver com ser em agosto, é tudo muito pesado, é o pior mês porque tem o dia dos pais, o aniversário dele e o meu, uma data após a outra, e sempre foram datas que ele prezava muito, era muito afeito a simbolismos. Ainda bem que o natal não é em agosto.

O episódio do doce de leite merece um adendo, pois foi o dia mais triste da minha vida, nem os dias mais tenebrosos, eu e meus comprimidos, nem no dia que internei meu pai, nada supera a dor desse dia; eu tinha nove anos e amadureci uma vida inteira em minutos, a infância me deu tchau. Pensei que eu fosse morrer, quer dizer, na verdade eu morri sim, de uma outra forma, mas podemos também chamar de morte. Essa história do doce de leite remete também a um outro grande rancor que tenho da minha madrinha, que na época morava de favor na minha casa. Ela trabalhava, mas não pagava uma conta, não dava nenhum dinheiro para as compras, era uma mordomia só. Volta e meia ela comprava um doce de leite e deixava bem claro "esse pote na geladeira é MEU", claro que uma criança de 9 anos ignoraria aquilo, daí um dia eu comi uma parte considerável e ela percebeu. Quando o meu pai chegou em casa, visivelmente bêbado, ela foi reclamar com ele, "blablabla, essa garota não tem jeito, blablabla ela merece um corretivo, isso que ela fez foi roubo, blablabla". Sem pausa para rir dessa louca porque o que veio a seguir foi uma tragédia total. Meu pai bêbado me deu a maior surra já vista, do tipo a única parte sem machucados ser o rosto porque eu cobri com os braços, de resto, é aquilo, pega essas matérias de tortura na tv, é a mesma coisa. Acho que cheguei perto da sensação de ser um saco de boxe, alguma coisa ali para você socar quando chega cansado de um dia de trabalho. Lógico que eu fiquei um bom tempo com ódio dele, mas esse ódio passou, era meu pai, sangue do sangue, isso pesa. Com o tempo eu perdoei, porém, claro, não esqueci. A minha madrinha eu nunca perdoei. Porque meu pai era doente, era alcoólatra, e ela? Qual o nome que damos a alguém que pede para um pai bêbado bater numa filha? Existe nome para isso?

Com o meu pai eu passei os piores momentos da minha vida, momentos de aflições terríveis – porque não houve sequer um momento de felicidade extrema – foram situações forçadas, algo como uma cartilha a ser seguida. Eu procuro entender tantas coisas, as vezes pareço uma maluca tentando entender o que não existe, tentando compreender a cada momento porque determinada pessoa falou ou fez determinada coisa, o meu cérebro é uma confusão imensa, um tormento constante. Com o meu pai não foi diferente, a minha principal busca desde muito pequena foi entender por que ele me coagia em vez de me proteger. Teria que ter algum motivo e eu procurei sempre entender os atos dele, a brutalidade, as palavras ásperas, principalmente as palavras. E dói não saber até hoje a razão principal. Eu descobri tantas coisas, da origem do preconceito dele, da arrogância, mas a razão principal, essa eu desconheço. E eu sigo a minha vida assim, como alguém perdido sem um porto, sem o alívio de saber o porquê de tanta violência, e fico pensando que talvez a minha vida seria mais leve se me dessem algum motivo, saber que existe alguma razão para todas as desgraças me confortaria, me faria agarrar essa verdade e descobrir que meu pai teve uma razão para agir assim, e então eu poderia entendê-lo e quem sabe seguir em frente sem esse apego ao passado, a tudo o que eu vivi. Lembro de uma vez, eu bem pequena, não lembro a idade, ele foi me bater, e como de costume eu abaixava a cabeça com as mãos assim na frente, eu esperei o tapa e o tapa não veio. Fiquei alguns segundos ainda de cabeça baixa, os olhos fechados, e quando eu levanto o rosto meu pai estava me olhando com os olhos marejados, a mão parada no ar para bater, e eu fiquei com tanta pena dele, com vontade de abraçá-lo. Ele se virou e saiu. Aquele tapa naquele dia não veio. E como eu agradeci e agradeço, fiquei eternamente grata por aquilo, porque foi nesse dia que eu vi que por trás daquele monstro existia um ser com sentimentos, e mesmo que por um breve momento, eu sei que ele se arrependeu daquilo tudo. Pena ter sido só uma vez. As vezes penso que ele também sofria junto comigo.

A minha necessidade de provar algo a alguém vem dele. Eu quero ser alguém na vida por ele. E não por vingança para mostrar que ele estava errado, mas para dizer “olha, não me importo com o que você pensou, mas eu consegui ser alguma coisa, pai. Está orgulhoso?”. Será que ele se orgulharia de mim um dia se ficasse vivo até esse dia? Será que me daria um abraço meio que pedindo desculpas por não ter acreditado em mim?

É isso o que mais dói, é que eu nunca vou saber.

17 comentários :

Diego Paiva disse...

Eu li hoje pela 4ª ou 5ª vez. Ainda me deixa em estado suspenso esse texto.

LA_MALIGNA disse...

=((((

Tentei criar alguma coisa para escrever aqui, mas não consegui. Vai só a carinha então:
=(((((

Patrícia disse...

Patrícia, o meu nome tbm é esse, só que sou beeeem mais velha que você, fiz 39 no último 16 de setembro. E sou mãe. Depois falo melhor sobre meu filho, que tem 11 anos. Patrícia, resolvi deixar esse comentário aqui, mesmo correndo o risco de parecer piegas, pq não iria conseguir dormir (juro!) se não o fizesse. Chorei feito um bezerro desmamado (conhece a expressão?) na parte em que o seu pai não te bateu. Ele era doente, né, Patrícia, e nem você nem sua mãe podiam fazer nada, fizeram até muito.
O que eu quero mesmo dizer é que lendo todos os seus ótimos textos (esbarrei no seu blog e agora todo dia vou toda alegrinha checar seus posts!) não dá prá não perceber a menina brilhante que você é, com um senso de humor raro, fino, original, que bom que as pessoas escrotas que passaram no seu caminho não conseguiram te destruir, Patrícia, e essa é a marca dos fortes, a de transcender toda a p**** que tenta nos contaminar. Gostaria de escrever mais, não o faço por medo de errar o tom, na verdade já estou com medo de ter sido indelicada, se isso aconteceu, me desculpe...
Desejo de coração que você conquiste o que mais precisar para ser plenamente feliz, poucas pessoas merecem isso como você! (Se você um dia me conhecer verá o quanto isso é sincero, a sua estória me tocou...)
Abraço maternal
Fique bem!

Patricia C. disse...

Patrícia, estamos quites. Eu te fiz chorar, você me fez chorar. Obrigada pelas palavras e você não foi indelicada em momento algum.

AzeitonaCOMCaroço disse...

ai, melhor eu não dizer nada sobre seu txt. Só que vc me faz querer contar as coisas (mto perecidas com as suas) que aconteceram comigo.

Ma disse...

Nossa... encontrei teu blog não sei como há alguns dias e desde então tenho lido os posts antigos. Coincidência ou não, ontem passei o dia refletindo sobre minha relação conturbada (ou ausência de relação) com meu pai e hj leio esse teu texto...
Sem palavras...
Não te conheço, mas te admiro muito!

Mary* disse...

Eu não te conheço na palavra propriamente dita, mas bem, imagino que devo te conhecer mais que gente a quem você dá bom-dia todo dia só pela fato de ter lido esse texto.
Mil coisas a dizer, mas não acho que seja do meu direito dizer. São coisas boas, mas não acho que vá mudar o que você sinta aí dentro. Mas aí penso que eu devia tentar. Sei lá.
Tava aqui preocupada com coisas pequeninas da vida, como querer comprar 50$ de esmaltes e não ter esse dinheiro. Venho aqui e leio isso e percebo que mudou meu dia, mudou um pouco de mim. Me faz pensar no quanto a gente tem que ser mais.. sensível com as pessoas porque as vezes a gente nem sabe o que ela passou.
Não vou tentar te consolar sobre a historia em si, eu BEM sei que existem coisas que são inconsoláveis, não importa o quanto as outras pessoas tentem.
Só queria dizer que te admiro MUITO, que eu posso nunca ter te visto, mas você virou uma pessoa importante na minha vida pela sua historia. Estou a mais de 24h lendo seu blog, já devo ter passado milhares de páginas e é um post perdido no meio de tantos que pode mudar tudo. Comecei rindo alto, estou me acabando de chorar. E a admiração é tanto pela historia em si como pela coragem de contar isso. Eu ainda não tive coragem de uma exposição dessas [minha historia não é a mesma que a sua, mas digamos que há tristezas também]. Eu não tive nem coragem de por no papel essas coisas que entalam a garganta. Mas eu penso que deve aliviar. Quem sabe um dia.
Acho que já fui além do pretendido, sabia que ia enrolar e não conseguiria expor em palavras tudo que tinha pra dizer. Enfim, fica o olhar de admiração, o abraço apertado, as frase de reconforto no subentendido.
Parabéns.

Diego Paiva disse...

Madrugada de 7 para 8 de março de 2010. Voltei para esse texto. Li de novo. Chorei de novo. Te amo cada vez mais, e saber que vc vem me deixa feliz e angustiado oa mesmo tempo. Te amo.

Liz M. @papeldebala disse...

Não queria comentar NESTE post (ele já tá cheio de comentários) mas ficaria muito perdido comentar tudo isso em um outro post qualquer (e daqui pra frente não sei o que posso encontrar). A verdade é que nem me lembro como vim parar aqui, mas foi no último sábado (sábado de aleluia ou algo assim).

Vale dizer que ando com mania de ler blogs e leio da forma como foram escritos: venho do último texto (o primeiro publicado) até o primeiro (o último publicado).

Ri, ri muito com suas desventuras passadas (os arquivos de 2004/2005). Ri, inclusive, durante a aula, quando não deveria estar nem rindo, nem lendo.

E então me deparei, já em casa, com o texto mais extenso (pelo menos, até agora). Mais extenso e mais denso também.

Tenho que dizer que desde o começo me identifiquei muito com as coisas que você escreve. Com a ironia, o sarcasmo e o deboche de algumas coisas, que poucas pessoas se dispõem a fazer. É meio que dar a cara a tapa, "foda-se, é a minha opinião!". Meu problema é que eu não sei gritar "foda-se", não dessa forma.

Tenho adiado a abertura de um blog "meu" há tempos (tenho o blog, link na "assinatura", com as matérias, coisas que escrevo por conta da faculdade/profissão, mas nada "pessoal"). Acho que isso tem me influenciado muito nessa busca desenfreada por blogs que me animem, me inspirem. E o seu foi um deles.

Preciso aprender a não ter medo de me despir de algumas coisas. Tenho um lado muito preso à convenções, à querer agradar todo mundo. Queria conseguir colocar, como você, sentimentos bem próximos à esses que você exprimiu aqui.

Cada história é uma história e cada um sente de uma forma diferente. Mas algumas situações se parecem tanto que a gente se coloca na pele do outro.

Se puder, gostaria muito de conversar com você, sobre qualquer coisa, basicamente. É que me encanta encontrar alguém com quem eu me identifique tanto.

Um beijo
ps: dia desses te "twittei". você até me respondeu. Sou a @papeldebala.

Rodrigo Berto disse...

Sem palavras.

Ana Cristina Cattete Quevedo disse...

:(
:(
:(
:(

cara, depois de tudo q vc passou, não sei como vc consegue ser tão foda.

ou voce é foda por causa de tudo que passou.

o que interessa é que tenho certeza de que ele se orgulha.

Princess Tangerine disse...

Uma das poucas vezes em que não sei o que falar. Se já gostava de você, hoje, 30/10/10, gosto ainda mais, admiro, vejo uma vencedora nata em você, Patrícia.
Não é todo mundo que consegue ser forte assim.
Um abraço beeem apertado.

Anônimo disse...

Tudo isso mexeu com feridas passadas que tento esconder superar e não consigo. Qse chorei.

Minha história é parecida, com a diferença que meus pais não se separaram. Cresci vendo uma violência incrível contra mim e meus irmão e mãe.

Minha solução foi casar rápido e cedo com o primeiro Zé pra fugir disso.

Pior é hj ele age como se nada tivesse acontecido, inclusive cobrando que não vou visitá-los, incutindo culpa em mim como se eu fosse a filha ingrata...

E não consigo dizer q é mta cara de pau dele fingir que nada aconteceu e exigir que eu me comporte como uma filha que deveria ser grata aos 16 anos de maldade, espancamentos dele. Ainda tenho muito muito medo dele.

Somos sobreviventes. Por isso não exijo demais de mim, não cobro sensates minha. Sei que para estou fazendo o melhor o que posso.

Mariana disse...

Eu sinto muito,e entendo tudo o que vc sente,porque no fundo é o que também sinto.
Queria te dar um abraço,porque sei que as vezes isso é tudo o que a gente precisa pra amenizar dores passadas.

Unknown disse...

Patrícia, nunca comento em blogs. Mas só hoje esbarrei neste post. Sei como você se sente. No meu caso não foi um pai, era um padrasto. Acredite, difícil saber qual o pior.
Pena que não tenho nem as palavras para te consolar!
Abraços sinceros!
Luciana

Diego Paiva disse...

2 anos e tantos depois voltei aqui e não esqueci de nenhuma linha. É tudo realmente muito parecido, se não nos detalhes, no corpo, na espinha dorsal. Tem um detalhe que você nao revelou, mas que irei em breve te perguntar. Acho que sei o que foi, e não sei. O que fica não é nem esse podia tudo ter se resolvido, é além disso, é um sentimento triste por tudo ter sido como foi e não se entender direito o que aconteceu

Diego Paiva disse...

2 anos e tantos depois voltei aqui e não esqueci de nenhuma linha. É tudo realmente muito parecido, se não nos detalhes, no corpo, na espinha dorsal. Tem um detalhe que você nao revelou, mas que irei em breve te perguntar. Acho que sei o que foi, e não sei. O que fica não é nem esse podia tudo ter se resolvido, é além disso, é um sentimento triste por tudo ter sido como foi e não se entender direito o que aconteceu