quinta-feira, agosto 28, 2008

25 anos de sonho e de sangue

Um-quarto-de-século

O que construí de positivo? Que benefícios eu trouxe para a humanidade?

O dia de ontem foi uma merda como todos os vinte e setes de agosto de todas as eras. Lembrei muito do Fernando Pessoa, até comecei a fazer um texto, mas ainda não ficou pronto, depois coloco aqui. Eu desejaria sumir ontem, mas infelizmente não pude, não consegui, ainda não começaram a vender pó de sumiço, quem sabe um dia essa invenção venha acontecer, assim como o ar condicionado central do mundo, sempre na temperatura que a gente quiser regular e não na temperatura que a natureza nos impõe. A natureza me impôs várias coisas ao longo desses 25 anos, dentre elas a fossa absurda que sempre fico no dia do meu aniversário. E ontem eu fiquei pensando sobre isso, por que eu sou assim? Não é só por causa do meu pai, por eu sempre lembrar dele, já que era uma das únicas vezes no ano que ele era amável, até porque quando ele estava vivo eu também ficava mal. É mais do que isso. Todo aniversariante é o centro, é aquele que atrai toda a atenção do dia, e eu odeio a idéia de ser o centro. Eu trabalho no bastidor e gosto disso, eu não sou protagonista, e mais do que isso, eu nunca quis ser protagonista, não sou aquela maquiadora que sempre quis ser a atriz principal, eu quero ser maquiadora o resto da minha vida. Sou uma ótima organizadora de aniversário dos outros, vejo onde vai ser, compro o bolo, chamo as pessoas, mas não quero que ninguém faça isso por mim, e eu poderia aqui refutar o argumento de "ah, isso é baixa auto-estima" porque sinceramente nem tenho mais saco pra isso, simplesmente é a falta do controle, são os olhares, as ligações que incomodam. E se alguma coisa dá errado, como já disse Fernando Pessoa, as coisas mínimas me ferem como catástrofes. Então, após analisar meticulosamente eu descobri a principal razão de eu não gostar dessa data: minha incapacidade de retribuir afeto. Quando alguém inútil na minha vida me deseja feliz aniversário, eu cago, "ah, obrigada" e sigo a minha vida com uma indiferença chocante, tanto faz aquela pessoa me dar os parabéns ou não, pois a grosso modo ela não representa nada pra mim. O problema vem das pessoas que eu amo, das pessoas que falam que eu sou importante na vida delas, como o cartão da minha mãe ontem "você é a razão da minha vida", cartão esse acompanhado de uma orquídea branca que me fez chorar horrores. Tão longe e tão perto. A minha mãe é tanto pra mim, ela me salvou de tanta coisa, e eu tenho absoluta certeza de que só não sou pior graças a ela. Toda a maldade adormecida aqui dentro, tudo de ruim que está quieto graças a ela, como eu posso ser a razão dela viver, se é justamente o contrário? E são nesses vinte e setes de agosto que eu vejo o quanto não fiz por merecer, mas tenho. E vem a culpa, a culpa do tamanho do universo, um achar que tudo poderia ser diferente, um enxergar que talvez eu espalhe ilegrias em vez de alegrias, e o medo maior de todos medos, o medo já mencionado aqui.

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