sexta-feira, junho 20, 2008

O dia em que eu morri

A vida após a morte é algo que intriga muito o ser humano, até para os ateus, por mais que a morte seja considerado um fim, sempre existe uma possibilidade de algo não ser como a gente imagina, e tem essa coisa de ninguém ter voltado para contar. Há alguns casos de pessoas que tiveram experiência de coma e contam sobre um túnel, uma luz e tal, mas vamos combinar que usando maconha, lsd, dá pra chegar perto disso, tanto pode ser alucinação como algo que não conhecemos.

Não dou credibilidade para sonhos, quero deixar claro antes de mais nada.

Hoje sonhei que eu morria e ia para um lugar onde os ateus todos iam. Era um mega galpão, aquele espaço vazio no meio, escadas nos lados, ficava à meia luz, mas dava para enxergar bem. As pessoas andavam sem destino como que procurando uma saída, subiam e desciam as escadas sem um foco determinado. Não era o inferno, mas definitivamente não era o paraíso. Purgatório talvez. O fato é que o lugar gerava uma angústia enorme. O silêncio predominava na maior parte do tempo, salvo quando chegavam mortos vindos de acidentes, tipo carro, aí a pessoa chegava gritando ainda em choque pelo acidente. Não havia ninguém lá para explicar aquilo, o clima era de total perplexidade afinal ninguém ali acreditava que após a morte existisse alguma coisa, todos ali eram ateus. O medo imperava naquele galpão, se há vida após a morte, onde estava deus? Deus não apareceu lá. Nenhum santinho, nenhum anjo, nada. Ninguém conversava com ninguém. Comecei a divagar e cheguei a conclusão que se eu aceitasse deus, então eu poderia sair dali. Mas como aceitar deus? Como aceitar um ser com uma necessidade tão grande de ser louvado? Por que seria um erro da minha parte não acreditar nele, se o principal, pra mim, era amar o próximo? Se existisse um deus, ele não se importaria por você acreditar ou não nele, desde que sua vida fosse pautada pelo respeito, pelo amor e todos os clichês que possam ser inseridos aqui. Então eu fiquei ali, sabendo que a condição para sair era crer em deus, e mesmo assim, era-me impossível naqueles termos.

Eis que apareceu um gato preto e branco, muito parecido com o meu - o Fidel - ele era como se fosse uma esfinge, ele falava, soltava umas coisas no ar, mas não explicava tudo. Comecei a conversar com ele, mas aí vem a parte estranha, eu falava como se eu estivesse viva e não morta. Perguntava coisas do tipo "Eu serei feliz? Vou casar e ter filhos?" (Só um adendo: eu perguntei no sonho, mas não acho casamento sinônimo de felicidade, e não quero ter filhos). Perguntei o que eu precisava fazer para ser feliz e ele limitou-se a responder "Faça o bem". Acordei nessa parte.

"Faça o bem."

Um comentário :

Luisa disse...

Sonhos são a realização de um desejo que pode ser tanto consciente quanto inconsciente. Posso te mandar "interpretação dos sonhos", de Freud, se você quiser.

Beijos