segunda-feira, junho 02, 2008

E novos cariocas te podem curtir numa boa

(Ler ouvindo Sampa)



Estive em São Paulo no domingo por algumas poucas horas. Descobri exatamente o que Caetano Veloso sentiu quando escreveu Sampa, que é uma música feita por um outsider, é diferente de Samba do avião, do Tom Jobim que era carioca e a fez para o Rio. Acho que os paulistanos não sentem o significado real dessa canção justamente por serem paulistanos, acham a canção linda, mas essa sensação de que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi é uma sensação que somente alguém de fora vive.

Poucas horas bastaram para eu ir do mel-dels-que-cidade-confusa para querer voltar com mais calma e conhecer tudo. Pude ver apenas a cidade do alto de um prédio, aquele janelão e a vista panorâmica da maior cidade da América Latina, e daí você sente a grandeza de São Paulo, a feia fumaça que sobe apagando as estrelas, e descobre que a cidade mesmo assim é bonita, ela não pára, metrô domingo é como se fosse segunda, um frio que gela a alma e o sotaque que você se controla para não rir "cê sobe as escada e vira à esquerrrda".

Na volta, já na rodoviária, conheci pessoalmente a Alessandra e a Thais. Pessoas legais definitivamente moram longe. A Alê eu conheço há mais tempo, quando começamos a nos falar ela era adolescente ainda, foi legal ver o crescimento dela. A Thais comecei a ter um contato mais intenso (ui!) de um, dois anos para cá, achei lindo que ela se desbancou para me ver. Pena que meu tempo era escasso e fiquei pouquíssimo com as duas.

Antes de pegar o ônibus fui comer ali no Mr Sheik, vi a foto de um sanduíche e pedi um para viagem. Paguei, levei, e quando entro no ônibus e abro o embrulho, era um prato de comida. Cara, cadê meu sanduíche? E principalmente, se é comida, cadê meus talheres?

Viagens longas de ônibus são sempre uma martírio porque numa hora você vai ficar com sono e com vontade de fazer xixi. E mánemmorta que entro naqueles banheiros. E tenho vergonha de dormir e roncar no meio das pessoas, sabe, mesmo sendo escuro, sei lá, de abrir a boca, ficar lá de boca aberta e todo mundo que passa pode ver. Dormir mata a elegância de qualquer pessoa. Acho uma coisa muito íntima para ser feita assim de forma livre. Eu topo tudo: eu topo boteco imundo, eu topo subir morro, eu topo muita coisa, mas não me faça dormir na frente dos outros.

Preciso dizer que São Paulo tem passagens secretas. Lembro de estar na rua e perguntar "moço, como faço para atravessar essa rua e ir pro outro lado, pra rodoviária?". Ele disse que era só entrar no metrô. Daí entrei, dei mil voltas, nem vi catraca nenhuma e já estava na rodoviária. Sinto que fui ludibriada por um ET porque até agora não consigo entender como cheguei lá, mas o importante é que cheguei.

Estava pensando aqui em quanto tempo minha síndrome do pânico irá aflorar caso eu um dia more em São Paulo. Dou três dias. Mas seriam os três dias em que eu descobriria que o Rio de Janeiro é uma cidade de interior para você passar as férias, e que a vida acontece mesmo é em São Paulo.

P.s: Atenção para os vídeos relacionados no youtube, achei esse aqui ótimo, do cruzamento da Ipiranga com a Avenida São João.

Um comentário :

Karla disse...

Olha, Patricia, já estava esperando um comentário seu nada agradável sobre São Paulo, mas me enganei. É difícil encontrar alguém de fora de Sampa (principalmente alguém carioca) que seja tão gentil ao se referir a minha linda cidade. Juro que eu viro o bicho quando escuto neguinho falando mal daqui, to nem aí, reclamo mesmo haha. Realmente São Paulo não para nunca.
Volte sempre ;)