domingo, maio 04, 2008

Prevendo o previsível

Sexta retrasada eu liguei pra minha mãe e nós discutimos. De lá pra cá nenhum telefonema. Ela não me liga, eu também não ligo. Hoje vou ligar, apesar de eu achar que pelas coisas pavorosas que eu escutei, era ela quem deveria tomar a iniciativa. Só que a minha mãe é a pessoa mais orgulhosa que eu conheço, mesmo estando errada, nunca vai admitir. É o tipo de pessoa que não pede desculpas quando erra, isso ela puxou da minha vó, as duas podem fazer a maior merda, mas jamais vão pedir perdão pelos erros.

Uma vez, quando eu era pequena, a empregada mentiu e disse que eu havia feito uma coisa. Eu era inocente. Minha mãe veio perguntar e eu dei a minha versão, ela preferiu acreditar na empregada e me bateu. Poucos dias depois, não lembro como, ela descobriu que eu tinha falado a verdade e ao invés de pedir desculpas pelos tapas, disse uma das célebres frases que me acompanham desde então: "vale pra próxima", tradução: os tapas servem para a próxima vez que você fizer alguma merda. Tipo um bônus: faça uma merda e não te baterei, pois já bati. E as desculpas? Enfim.

De qualquer forma hoje eu ligarei pra ela e já aviso com antecedência aqui como será: ela será seca ao telefone, ríspida e colocará a culpa em cima de mim, tentará virar o jogo e vai conseguir, no final da ligação eu me sentirei culpada achando que eu realmente estava errada. Desligarei o telefone e chorarei: "sou uma monstra".