quinta-feira, maio 08, 2008

Compras do mês

Eu odeio fazer compras, não tenho aquele instinto dona de casa de ficar olhando prateleira por prateleira (só assim você lembra das coisas que faltam e olha as promoções) e também não tenho saco de fazer lista de supermercado, acho cafona levar caneta e riscar os itens já apanhados, isso é tão Sarney... Acho que o dom de comprar nem se refere somente às donas de casa, mas as mulheres em geral, mulher tem esse prazer de olhar vitrine, de entrar numa loja e experimentar tudo. Eu nunca gostei. De modo que compras do mês eu nunca faço, é sempre a minha mãe. Houve uma época que fazíamos juntas, mas começou a me irritar a lentidão dela, ela olha tudo, ela olha preço de pneu, sendo que não temos carro. Entrar em um mercado e ficar lá três horas é uma coisa que nunca assimilei muito bem, vai além do meu entendimento; como a gente brigava sempre, acabou que de uns tempos pra cá ela vai sozinha.

Com ela fora, o trabalho fica só pra mim. Entro, vou direto ao que tenho que pegar, não fico nem 20 minutos ali dentro. É um martírio. E piora quando você escolhe um mercado popular por ser mais barato. Os corredores são estreitos, mães levam crianças saídas da escola, e é cheio, muito cheio. Aquilo vai dando uma agonia, nessas horas eu penso "opa, síndrome do pânico tá aí", penso em largar tudo, mas vou pro caixa lutando contra o meu nervosismo, faço um olhar desesperado pro menino ao lado me ajudar a ensacar as compras enquanto já estou sendo encoxada pela próxima pessoa na fila que está pensando "anda logo, porra", o menino vem me ajudar e tudo se acalma. Dou três reais pra ele que me olha como se aquilo fosse uma fortuna (eu daria mais que três reais, mas eu não tenho, você me salvou, merecia muito mais, eu penso).

A única coisa boa é poder comprar sorvete sem ninguém pra reclamar.