sexta-feira, agosto 27, 2004

Os anos passam... Parece que foi ontem. Numa bela tarde de sábado finalmente nascia um bebê que demorara três dias para vir ao mundo, um bebê muito feio com a pele ainda toda descascada e em formação, sua mãe a pegou no colo e disse ao médico "não acredito que parí isso", a primeira frase escutada pela menina não era nada agradável. Deveria se chamar Amanda pelo desejo da mãe, mas a voz do pai foi mais forte e o nome acabou sendo outro. Nunca experimentou o gosto do leite materno, pois ele secara antes mesmo do parto e essa "seca" acabou se transformando numa grande mágoa para sua mãe que nunca se recuperou de não ter tido o prazer da amamentação.

Patrícia cresceu dentro de um teatro, onde sua mãe trabalhava na administração, cresceu ao lado de travestis, gays, putas, bicheiros e atores. Uma infância muito saudável que permitiu a essa menina aprender desde muito cedo o mundo de verdade, sem as fantasias de papai Noel ou coelhinho da páscoa.

Com cinco anos de idade foi estudar num colégio católico e lá dentro, pela primeira vez, teve contato com a maldade do ser humano, um padre que se aproveita de sua batina para conquistar e iludir crianças. Um dia ela chegou para sua mãe e disse que não queria estudar mais lá, só que sua mãe não entendeu de imediato os motivos, três meses depois dona Marly teve um estalo e a tirou do colégio. Patrícia nada sofreu, mas de seus amigos não se pode falar o mesmo.

Patrícia cresceu, não é mais uma menina, junto com os anos vieram as primeiras alegrias e os primeiros sofrimentos. Hoje ela está aqui, completando 21 anos.