quinta-feira, abril 08, 2004

Paixão de Cristo

Semana passada vi o tão polêmico filme de Mel Gibson, A paixão de Cristo. O filme é violento como muitos já devem saber, mas não haveria outra forma de se contar a história da crucificação de Cristo sem violência. Não posso dizer que o filme é fiel aos acontecimentos pois eu não estava lá há dois mil anos atrás e muito menos dou tanta credibilidade à bíblia. Já tive várias teorias sobre a vida de Jesus:

1. Provavelmente um louco que ficava pregando a paz. Outro dia vi um cartaz na rua que perguntava assim "E se Jesus voltasse hoje?", a resposta, acho que da maioria, é de que essa pessoa seria considerada louca. Mas é uma teoria infundada, vendo o filme ou mesmo analisando as situações pelas quais esse homem passou podemos concluir que nenhum louco aguentaria tanto sofrimento.

2. Uma farsa. Jesus seria a maior mentira da história. Há dois mil anos atrás um grupo de pessoas se uniu e inventou um personagem e inclusive escreveram textos (os evangelhos) sobre a vida desse homem fictício. Essa teoria também não se sustenta, pois nenhuma mentira iria durar por tanto tempo e muito menos com tantas pessoas envolvidas. Segredo, como diz o ditado, partilhado com mais de uma pessoa não é mais segredo.

3. Cristo foi um homem comum que pregava a paz, como tantas pessoas fazem hoje em dia e fizeram antes dele. Como morreu crucificado ainda jovem, tornou-se um mártir, e daí surgiram as fantasias sobre sua vida como forma de enaltecer aquele homem crucificado covardemente. Um exemplo mais atual é a figura de Che Guevara, é claro que ele foi um grande revolucionário, mas muitas de suas conquistas são romanceadas e não baseadas na história real, em suma, Cristo foi um grande homem, porém, um homem comum e não o salvador dos homens.

Essas são apenas algumas teorias passadas na minha mente. Hoje reconheço na figura de Jesus um homem capaz de suportar humilhações das quais nenhum outro ser humano seria capaz de surportar. Eu acredito na existência de uma escala de evolução humana e até hoje Cristo permanece no topo como o ser mais evoluído que já passou pela Terra.

Bom, isso são apenas considerações, mas voltando a falar no filme, o que há de mais interessante é a violência nas cenas, prestem atenção: não é a violência comum ou mesmo uma barbárie sem contexto. É uma violência que nos faz entender (pelo menos comigo foi assim) um mínimo da dor que Cristo sofreu: a humilhação, o espancamento e por fim, a crucificação.

Mais duas coisas sobre o filme:
1. Os judeus eram humilhados pelos romanos, isso todo mundo sabe, o que muitos desconhecem é que eles esperavam um messias capaz de ir contra aquela crueldade imposta pelos Césares. Quando os boatos de Jesus ser o messias começaram a correr, muitos ficaram indignados pois a doutrina dele era de paz e não de guerra contra os romanos. O povo esperava um messias forte capaz de acabar com a dominação romana. Barrabás era um criminoso, mas lutava contra o poderio de Roma, então quando o povo escolheu Barrabás em detrimento de Cristo, isso não significava necessariamente que eles eram contra Jesus, mas sim, que preferiam um homem que os libertasse de fato da dominação imposta.
2. O filme é acusado injustamente de anti-semita. É algo tão absurdo que essa acusação só pode vir de gente que não viu o filme ou desconhece por completo a história. Os judeus eram o povo daquela época, a maioria dos nascidos na região eram judeus, o próprio Cristo era. Não há anti-semitismo no filme, ele apenas relata os fatos. Quando vemos um filme ou uma produção de Tv que conta os tempos da inquisição, isso não atinge a igreja católica hoje, apenas relata o sofrimento de pessoas acusadas de paganismo por uma religião supostamente dona da verdade.

Achei o filme bem interessante, pra quem ainda não viu, vale a pena ver.