terça-feira, fevereiro 02, 2016

deus no comando

Não sou obrigada a postar foto, RIP e nem frase desse bosta. 
Sonho em nunca mais na vida ter que olhar pra ele de novo.


Estava nervosíssima, votei direto desde que botei os pés em casa. Com certeza é uma vitória da internet, que conseguiu reverter os votos de quem só acompanha pela edição.


TOP
Ana Paula
Munik
Geralda
Ronan
Cacau

Adoro Adélia, mas me incomoda demais o muro. Ela é muito política, tenho amigos assim inclusive e é complicadíssimo, porque na vida muitas vezes é necessário tomar partido. E me parece que ela só toma quando é o dela na reta, como foi o caso da manipulação do Ronan. De resto, passa o dia conversando com as meninas e concordando, dá 5 minutos, está com os meninos e concordando.

Juliana é a maior decepção até aqui.

Renan não chega a ser uma decepção, está jogando com as armas que tem. A macholândia precisa de números, sem Ronan, expulso do grupo, correram atrás do Matheus e Renan. Matheus não tem dado muita bola, mas também não me espantaria. Renan já está fechado com eles.

BBB 16 realmente caminha pra um mulheres x homens, meu sonho é ter uma final igual Survivor Micronesia.

segunda-feira, fevereiro 01, 2016

sobre ana paulas e patricias



Quando falamos de preconceito, sempre aparece um Dalai Lama pra botar panos quentes "que isso, não foi preconceito, é coisa da sua cabeça". Só quem é negro e é seguido em loja, sabe o que está em jogo. Só quem é mulher e treme de medo em uma rua escura, sabe o que está sendo dito. E por aí vai. Para quem está de fora é um exagero completo. 

Essa história da Ana Paula e o tido ~descontrole~ dela, me fez lembrar de uma outra história. Não lembro de ter contado aqui com detalhes, mas meus amigos todos sabem. Em 2008, fui fazer uma prova de concurso no Mato Grosso. Peguei um ônibus em Cuiabá para Tangará da Serra, era de noite. Num dado momento percebo mãos em mim. Tremi demais, mas ponderei "será que ele não está só dormindo e sem querer esbarrou em mim?", porque eu também estava dormindo e acordei ali. Obviamente não dormi mais durante a viagem. Meia hora depois, a mesma coisa. E daí eu empurrei o braço dele bem forte, ainda pensando que talvez ele só estivesse dormindo. Na terceira vez eu tive certeza. Levantei da cadeira, fiz um escândalo. O ônibus estava lotado. Agora vem o quiz, quantas pessoas me ajudaram?

.
.
.

 Nenhuma. 

Ficaram me olhando em silêncio. Ninguém fez absolutamente nada. Eu, sem saber o que fazer, virei para um outro passageiro e disse "Moço, troca de lugar comigo?", e ele "não quero, tô bem aqui". Insisti. "Pelo amor de deus, troca de lugar comigo". Foi um pedido desesperado. Ele levantou puto e trocamos de lugar.

Como mulher, conheço várias histórias de assédio, de estupro, e é impressionante o quanto as mulheres ficam sozinhas quando levantam a voz. Ninguém apoia. Na verdade é difícil termos sequer a coragem de dizer que sofremos algum tipo de violência. Eu levantei minha voz na terceira tentativa. A mulher fica na história como louca, descontrolada, exagerada. São adjetivos raramente atribuídos ao homem. Cansa demais o foco ser desviado. Muito se falou no descontrole da Ana Paula "não tinha necessidade, perdeu a razão". Não tinha necessidade eu levantar e fazer um escândalo duas da manhã num ônibus no Mato Grosso, eu deveria ter me levantado calmamente e iniciado um discurso pausado, polido e sem gritos "Senhoras e senhores, esse cidadão que está nessa poltrona me assediou, vocês podem me ajudar?".

Spoiler: ninguém ajudaria, porque sempre há um defeito a ser descoberto na fala de quem se levanta. Talvez diriam "não precisava ter atrapalhado o sono do ônibus inteiro. Tá incomodada? Desce do ônibus". Eu desceria se estivesse num lugar habitado. Não era o caso.

Então, cansa mesmo exigirem calma da Ana Paula. Ela foi de pessoa em pessoa na festa, está incomodada com ele há dias pelas histórias que ele conta das menores de idade, todo mundo diz que ela está exagerando. Cuércio faz gestos obscenos na pista para ela, ninguém dá importância. Sozinha na reclamação, tão típico. Junta tudo, ter que conviver com um assediador e ter que lidar com as pessoas que não enxergam o mesmo. Geralda diz que ele se envolver com menor é problema dele, Cuniel diz que não tem nada demais, Munik fala que não deixa de viver a vida e nem olha pra ele. Só Ana Paula, sozinha, batendo na mesma tecla. Eu critico ela ter usado velho como xingamento, mas o ponto central não é esse, e me parece que há um desvio que corrobora a naturalização do assédio. Errada agora é Ana Paula que xingou de velho e chamou de pedófilo sendo que a lei não abrange casos de consentimento acima dos 15. Cuércio, que se envolve com adolescentes, que já confessou que adora pegar mulher bêbada e que não para de olhar para as mulheres da casa, é um pobre coitado que foi acordado aos gritos.

Outra coisa curiosa na minha história do ônibus é que o cara em questão não disse uma única palavra. Exatamente como Cuércio faz quando é confrontado por Ana Paula. Desde 2008 isso me intriga. Ele não falou nada, só olhava, fingindo não ser com ele. É a reação de quem sabe que nada acontecerá. Quem se queimou no ônibus fui eu, não ele. 

sábado, janeiro 30, 2016

prioridades

Gastei mais de 100 reais numa compra em esmaltes. Gostaria de parar, só que a Alcione que está dentro de mim não deixa. Pensei em tirar as postiças pra dar um respiro nas unhas, mas lembrei do carnaval.

- São verdadeiras, juro.

terça-feira, janeiro 26, 2016

bbb 16 - primeira semana

- Como assim eu não sou próxima a você? Quem enxugou suas lágrimas?
RIP




Era para eu ter feito um post sobre o perfil deles quando lançaram, mas a correria da preguiça não permitiu. Agora já tá tudo mais ou menos encaminhado.

Ronan. Até agora nosso protagonista. Muito tem me incomodado o desconforto alheio, porque se espera uma atitude passiva dele. O rapaz órfão de pai e mãe que foi adotado e conseguiu vencer na vida entrando pra faculdade não pode jamais ser um vilão. E quando ele se apresenta assim eu rio demais com o twitter "você tinha tudo pra ser nosso preferido". Adoro o choque. Adoro esperar uma figura de vítima/mocinho e receber um papel de algoz/vilão. Duas coisas me incomodam absurdamente na vida e vendo reality show é maravilhoso ver como tudo se constrói. A primeira é o judas da vez a ser malhado. Todo mundo sempre precisa malhar alguém. A segunda coisa é como as pessoas constroem narrativas na cabeça e nem questionam o absurdo daquilo

Interessante que os outros três líderes pularam do barco. Alan se faz de louco, desmemoriado, não lembra de nenhuma conversa no quarto do líder, em que ele próprio desenha quem quer e quem não quer no jogo. Tamiel, sinceramente, até agora não me mostrou a que veio. Daniel, depois da indicação, assumiu todas as coisas, mas quando viu o papel de vilão indo pro colo do Ronan, se fez de desmemoriado também. Daniel de ontem pra cá assumiu um papel bizarro de justiceiro. "Fui enganado pelo Ronan". Amigo, São Buba nos proteja, não é possível essa cara de pau. E o pior é que é possível, todo mundo da casa acreditou. Quem arquiteta a indicação da Harumi é o Tamiel (Ronan, por exemplo, queria Renan), quem tem maior medo do paredão é o Alan.

Incrível como nenhum dos quatro tiveram a coragem de dizer o motivo da indicação da Harumi. Diziam no quarto que ela não fazia nada, não ajudava em nenhuma tarefa da casa, mas bem sabemos que o motivo da sua indicação é a provável saída de uma idosa na primeira semana. Jogaram com o preconceito do público. Geralda só entrou porque é um poço de simpatia. Diante de uma senhora sem muita expressão, fica fácil para o público. Disseram oficialmente que era uma candidata forte. Bando de frouxos. Eles tinham medo de ir para o paredão, precisavam de alguém que julgavam fraco. Tanto que foram.

Gostei de todas as mulheres. Munik tem lugar cativo no meu coração por escutar uma história, não comprar e ir soltando iscas como quem não quer nada. Deu super certo. Descobriu a manipulação do Ronan e do Laércio, e mudou toda a votação da casa. Adélia se salvou nessa, mas me dá uma certa preguiça toda hora dizer que Munik foi enviada de deus, entrou numas de bem x mal que tá foda inclusive assistir suas cenas. Juliana tem uma visão de jogo maravilhosa. Ana Paula de machista não tem nada. Visualizou a macholândia e mesmo se dando super bem com eles, não hesitou em combinar voto com as meninas.

Cacau, me apaixonei no primeiro dia, mas precisa urgente superar Matheus. Seu papel no BBB não pode ser somente o de otária apaixonada.

Tenho pra mim que Renan está gostando muito do Daniel. Pega uns vídeos, as cenas deles conversando, nem dá pra disfarçar. Outro dia soltou um verde. Daniel disse que não era a vibe dele, mas respeitava. Quando Matheus entra, Renan é o único a sacar. Vai atrás da Cacau no quarto, dá conselho, mas não adianta muito. Renan foi uma grande surpresa. Porque tem mesmo o problema do estereótipo malhado "queria comer chocolate, mas meu shape só permite essa maça". De horrível nas entrevistas da cadeira elétrica, passa a ter uma excelente postura no jogo. Nem por um segundo quis formar panela com os homens, rodeia as mulheres, mas deixa claro ali "meu voto é meu". Acho que ele montou um personagem para entrar, mas dentro da casa tá sendo outro.

Estou com nojo do Laércio a ponto de nem conseguir ver as cenas dele direito. Pavor mesmo.

Boto a maior fé na Geralda. Jogadora mesmo. Não entrou pra brincar.


Arriscando o TOP:

1) Ana Paula
2) Munik
3) Juliana
4) Cacau
5) Geralda

(Mega indecisa ainda, mudei as posições várias vezes, mas topando o desafio de arriscar).

segunda-feira, janeiro 25, 2016

quinta-feira, janeiro 21, 2016

Spotlight

Até agora vistos para o Oscar: Perdido em Marte, O regresso, A grande aposta e Spotlight. 

Creio que O regresso (achei chatíssimo) leva o oscar, mas meu preferido até agora é Spolight pelo tema mesmo. É sobre o trabalho investigativo de um jornal sobre o grande escândalo de pedofilia envolvendo a igreja católica na cidade de Boston em 2002. Eu realmente nunca tinha lido sobre os casos de Boston, mas sabia que a denúncia era forte nos EUA. Vendo o filme dá pra ter uma noção de como as denúncias tiveram outro viés lá, diferente das milhares de denúncias feitas ao redor do mundo. O editor do jornal não vai atrás dos padres especificamente, vai atrás do sistema. Foca em como o sistema da igreja católica ano após ano encobertou os padres denunciados, apenas realocando de paróquia, no lugar de expulsá-los. O jornal vai na raiz do problema, expõe como a igreja controlou a justiça com base, creio eu, na fé das pessoas do judiciário americano. O filme fala sobre a investigação do caso, não mostra tanto o sofrimento das pessoas, como, por exemplo, Má educação faz. É um tema real e atual. Uma coisa que sempre me chama a atenção é em como o tema da igreja - veja que não falo sobre a pedofilia em si - é um tema delicado mesmo diante de uma barbárie comprovada. Li que amigos e parentes das vítimas continuavam a frequentar as igrejas com os padres denunciados, pediam as vítimas que se calassem, quase como se a denúncia da vítima fosse algo desagradável (a denúncia é desagradável, não o ato criminoso). A instituição católica é um assunto caro a todos ali. A história da vítima estraga o mundo de fantasia, muitos gostariam que as denúncias nunca viessem à tona. Se a vítima se cala, melhor pra todos que podem seguir sua religião sem preocupação. Que triste.


quinta-feira, dezembro 31, 2015

balanço anual de 2015

Apesar de todo mundo só falar mal de 2015, posso dizer que no geral foi um ano bom.

Minha meta pra 2016: beber menos.

domingo, dezembro 13, 2015

carta à menina que fugiu

Tenho pensado em voltar a escrever. Não aqui. A escrever os livros mesmo. Tinha 5 romances inciados aos 16 anos. Parei de escrever com afinco poucos anos depois, lá pelos 20 talvez. Volta e meia tinha um estalo e ia nos arquivos escrever, mas nada muito sério. Então, de 2 anos pra cá, venho pensando seriamente, amadurecendo a ideia das ficções. Hoje, em um dos estalos, fui ler um aquivo dos 16 anos. Eu tenho uma relação forte com as consequências dos erros. Obviamente, aprendi a me perdoar, mas não deixo de pensar na cadeia de desenvolvimento desses erros.

Hoje descobri um erro que não cometi.

Na infância, pensei em fugir de casa centenas de vezes. Sempre por causa do meu pai. O que me prendia dentro de casa era a minha mãe. Saber que a vida podia ser um inferno, mas pelo menos eu tinha a minha mãe.

Então tem esse dia específico. Exausta daquela vida, preparo a minha mochila para fugir de casa. E fico sentada na cama em frente à televisão desligada. Sozinha em casa. Parada, as lágrimas escorrendo em silêncio, pensando. Imóvel. Acho que por tanto tempo que dá o horário da chegada da minha mãe e eu corro pra esconder a mochila pronta. Desesperada por ver meus planos darem errado. Certeza, se eu tivesse mais meia hora, teria fugido.

Como teria sido a minha vida?

Hoje lendo o arquivo tem uma parte que fala sobre os erros que mudam uma vida. A cadeia das consequências. Era uma carta da menina que tinha fugido. Não sei explicar direito, talvez fique confuso. Mas era a menina que fugiu escrevendo para menina que ficou, que por mais difícil que tenha sido aquele lar, não valeu a pena fugir. Não tenho como postar essa carta aqui pela quantidade de assuntos íntimos envolvidos. Mais uma vez, sem saber explicar como, a menina que fugiu acerta a profissão futura da menina que ficou. Fala várias coisas. Fiquei de boca aberta lendo. Nem lembrava dessa carta. Terminei de ler e vim aqui escrever.

Que catarse.

Queria dizer à menina que fugiu, que apesar de hoje sermos completamente diferentes, em um ponto da vida fomos iguais. E embora a cadeia das consequências mude quem somos, ninguém pode dizer que sou melhor do que você. Queria te abraçar, porque a sua sombra sempre esteve comigo, me guiando, quem sabe, como alguém que já tinha vivido tudo antes. Aprendi a me perdoar e acho que você também aprendeu.

Um beijo,
Patricia (a menina que ficou).

segunda-feira, novembro 30, 2015

se fossem brancos



Aquele vídeo da senegalesa destruindo o francês, tem uma frase que não me sai da cabeça. Ela fala sobre os imigrantes mortos no caminho, aos milhares, e ninguém faz nada porque são negros e árabes. Que se eles fossem brancos, o mundo estaria chorando. E eu tenho uma dificuldade muito grande em falar sobre isso, porque fica parecendo o síndico da comoção alheia (mas o que é isso, você está chorando pela França e a cidade de Mariana como fica? etc). Só que não tem como não falar sobre isso, porque é todo o cerne da questão. Os jovens fuzilados na Pedreira. Se fossem 5 jovens brancos mortos no Leblon? Como estaria a imprensa, como as conversas nas ruas não estariam?

Então vem uma outra questão também difícil de ser falada. Sobre essa coisa do bandido bom é bandido morto. Minha mãe pensa assim, tenho colegas de trabalho e amigos que pensam assim, você vai na padaria e atendente pensa assim. Quem concorda com isso dá aval pra PM fazer o que quiser. Atire primeiro, pergunte depois. E é inacreditável como eles não conseguem fazer o link. Rever conceitos para eles é impossível. Empacaram mesmo nessa coisa da justiça com as próprias mãos. Eu só fico olhando e lembrando daquele gif do cachorro tentando passar pela porta com uma vareta de dois metros na boca, na horizontal não vai passar nunca. Empacaram. Ficam repetindo clichês sem o menor conhecimento (bolsa bandido, humanos direitos e blablabla). Parei de seguir todos no facebook, pois não sou obrigada.

Bandido bom é bandido preso. E veja bem, os jovens da Pedreira não eram bandidos, mas foram mortos por uma cultura em que se deve matar as pessoas, não prendê-las, julgá-las e condená-las. Sábado aconteceu com Wilton, Wesley, Cleiton, Carlos Eduardo e Roberto. Amanhã pode acontecer com você, com seu filho, com o seu irmão. Mas relaxa, se você for branco, dificilmente a polícia sairá atirando. Enquanto isso, um genocídio da população negra e ninguém fala nada.

domingo, novembro 22, 2015

obama, o maior comunista de todos os tempos

Tava aqui na paz do meu lar, quando surge uma comentário no último post. Paulo de Tarso reencarnado me mandando ver um vídeo do Olavo de Carvalho pra eu parar de falar merda.

HAHAHAHAHAHAHAHAH

Gargalhei por um misto de coisas. Obviamente a menos engraçada é alguém citar Olavinho como argumento. Para quem não conhece, é um desaplaudido antecessor dos Constantinos e Azevedos da vida. Apesar de chocante, dá até pra gente entender alguma coisa com a religiosidade doentia das pessoas. Se a galera segue até Olavo, imagina o que não faria com um Maomé da vida, né? O resultado está aí pra gente ver.

MAAAS a questão mais engraçada é uma situação que aconteceu na minha adolescência inteira e eu não lembro de ter contado aqui.

Olavinho, anos atrás, tinha uma coluna no jornal O Globo. Eu amava a coluna pois achava que era comédia. E veja bem, eu nunca fui fã de comédia, mas a coluna do Olavo, nossa, era uma delícia atrás da outra, o cara realmente era o maior humorista do Brasil. Falava sobre a psicodélica perseguição sofrida pelos cristãos no mundo (rysos), sobre o iminente golpe comunista e de como os comunistas se infiltram, nos dias de hoje, até mesmo na CIA. Era maravilhoso, bem mais engraçado do que a coluna do casseta e planeta no mesmo jornal, Agamenon Mendes Pedreira.

JURO POR DEUS. Eu realmente passei a minha adolescência inteira achando que a coluna dele era de humor. Minha mãe assinava o jornal, a coluna dele era uma vez por semana e era a primeira coisa que eu lia. Ia direto pra coluna dele.

Anos mais tarde, já crescida, encontro uma comunidade no orkut sobre ele. E vem o choque.

OLAVO DE CARVALHO ERA REAL.

Não era humor a coluna dele, não era piada. ERA REAL. Ele acreditava em cada palavra escrita. Choquei tanto, na hora não consegui nem rir. Daí entrei numa outra comunidade chamada "Olavo nos odeia", destinada a discutir suas colunas pelo viés do humor e tudo passou. 

Mais alguns anos depois, já estudando no IFCS, descobri que na comunidade havia uma lenda. De que dentro no IFCS constava a única xerox de uma coluna antiga do Olavo, em seus tempos áureos de astrologia, dissecando o mapa astral do capitalismo e do comunismo. Daí eu cacei, né. Descobri, digitalizei e botei na internet. 

Tadinho. Ele deve me odiar até hoje.

quinta-feira, novembro 19, 2015

era sim

Uma coisa que tem me incomodado bastante é o "Fulano não era muçulmano, o islã é uma religião de paz". RYSOCAS. 

"Anders Breivik não era cristão, o cristianismo prega a paz". MAIS RYSOCAS.

Obviamente, pras pessoas religiosas, tanto o corão quanto a bíblia são livros sagrados (em suas respectivas religiões), é difícil para elas a compreensão da ficção, de entender que aquilo é uma narrativa literária, mas mesmo que não seja compreendida como ficção, deveria ser totalizada como uma narrativa. E a narrativa dispõe de várias interpretações. Se você leva a sua religião na paz, isso nada mais é do que uma interpretação que você teve de uma narrativa. A questão é que as interpretações não são únicas.

Quem interpreta violência nos textos citados não é louco, afinal, está tudo ali. Guerra santa, evangelização à força, escravização dos derrotados, subjugação da mulher etc.

"Malafaia não é cristão". Ih, amigo, sinto te informar, mas é sim. Grande parte do que ele e sua bancada pregam está escrito na bíblia. A diferença, claro, é que algumas pessoas dotadas de bom senso sabem que é um texto de 2 mil anos, o mundo muda e devemos acompanhá-lo. Não é razoável pautar a vida com preceitos morais de pessoas de 20 séculos atrás, mas quem o faz é menos cristão? Não, pois está tudo ali.

O fundamentalista tem uma interpretação clara de um texto, para ele, sagrado. Vou até além, se o livro é tido como sagrado, logo, quem segue mais à risca seus preceitos, se torna mais fiel ainda em sua essência religiosa.

Então, amigos, meu ponto é exatamente esse.

O fundamentalista norueguês, sinto muito, mas era cristão sim.

Osama Bin Laden era muçulmano sim.

O tribunal de inquisição que matou milhares de pessoas? Adivinha? Criado por... cristãos.

Os caras que se explodiram em Paris, opa, muçulmanos sim.

O papa bipolar que quando era Bergoglio, na Argentina, fez o maior lobby da América Latina contra o casamento homoafetivo e hoje paga de louco enganando todos falando que não julga ninguém? Não só cristão, como o chefe da igreja católica.

Parem de tirar a religião dessas pessoas. Parem de dizer que só quem prega a paz é o religioso puro. Não é. Enxerguem que os pilares das suas religiões são capazes de gerar diversas interpretações. E não apenas interpretações possivelmente equivocadas, mas passagens claras que só transmitem merda. Faz parte do pacote. A metade podre pode até ser jogada fora, mas é necessário manter a consciência dela ali, não dá para enxergar só a metade boa. Não é honesto. Lidem com isso.

domingo, novembro 15, 2015

rio doce

O meu tempo para processar as coisas é lentíssimo. Preciso sempre de uma pausa para a digestão. 

Essa semana cheguei em casa e minha mãe estava chorando. 

Por segundos bateu um desespero de algum familiar (que ela ainda gosta) ter falecido e outra vez aquilo tudo de novo, minha vó, o rompimento sempre doloroso etc. Quando conseguiu me explicar, nem veio um alívio, mas uma tristeza também. 

Ela cresceu brincando no Rio Doce. Estava chorando por isso. 

A lama deixa um rastro de destruição por onde passa. Milhares de animais mortos de Minas ao Espírito Santo. O rio morto. E tem essa questão sobre o meio ambiente que eu tenho refletido muito. Sobre como é essencial hoje. E eu não vejo uma política voltada para isso nos dois maiores partidos do país. Tem a Rede que vem com a Marina, mas na Marina eu não voto por um princípio de jamais votar em fundamentalista religioso. O que sobra, o PV? Que em diversas cidades se une ao pior da direita?

 Eu não sei muito para onde ir.

sábado, novembro 14, 2015

survivor second chance

(Spoiler do último epi de Survivor)



Acabo de ver o episódio s31e08 de Survivor e é apenas uma das coisas mais deliciosas de todos os tempos.  Um blindside direto nas fuças dos alpha male que foram tão arrogantes que nem se deram ao trabalho de dividir os votos, pois nunca que as 3 gatas teriam um ídolo de imunidade, né?

HAHAHAHAHAHAHAHA


Em 31 temporadas e com todo o jogo social envolvido, a parte mais interessante é, sem dúvidas, como alguém deixa uma aliança sólida permanecer inabalável. Como, nas palavras de Ciera, "quem está no bottom não elimina quem está no top?". 9 pessoas, 4 estão sólidas, como as 5 pessoas não fazem absolutamente nada? As 5 pessoas só assistem passivamente os 4 tomando as rédeas do jogo, até que lá na frente, os 4 se unem com 1 e vão eliminando os 5 um a um. Isso acontece direto em Survivor. Ciera inclusive fez parte desse esquema na sua primeira season. Parece que em algum momento as pessoas do bottom pensam "vai chegar o meu momento", mas ele dificilmente chega. E ninguém aprende.

Então, temos as nossas três heroínas lutando bravamente para permanecerem no jogo. Wentworth, que deixou para sempre o seu nome no jogo com sua grande cartada; Ciera, apaixonada por Survivor e capaz de eliminar a própria mãe;  e Abi Maria, a brasileira e a mais underdog. 


Maravilhosas.jpg

Fico olhando Abizinha e pensando na tristeza que é o brasileiro não dar valor para o survivor americano. Abi Maria, quiçá a melhor pessoa a pisar nesse reality show. Tem orgulho de ser vilã, é delusional, mega vingativa, se você olhou torto ela faz a sua caveira e num piscar de olhos você é eliminado. Vai ganhar? Não vai, óbvio, porque tudo isso que eu citei a faz ruim no jogo social e sem ele ninguém sai vencedor. Mas taí. Melhor ser humano. Uma mistura de Gretchen na fazenda com Joana Machado também da fazenda. Não há um episódio sem um barraco, o melhor é que ela não sabe se controlar. Sabe quando a gente finge que está tudo bem, mas no fundo planeja uma vingança naipe Revenge? Abi não sabe o que é isso. Ela não consegue se segurar, então sai metendo o dedo no cu de todo mundo. É chamada de brazilian dragon. Não sobra pedra sobre pedra após sua passagem. Sou apaixonada e que orgulho saber que nossa nação está muito bem representada.

Orgulho de uma nação.

quinta-feira, novembro 12, 2015

quem nunca


Uma evidentemente é a defesa do Pedro Paulo que se baseia no "Quem não exagera numa discussão?". Ele socou, chutou e enforcou a mulher. Quem não exagera numa discussão não é mesmo? Quem não perde a cabeça e sai por aí espancando os outros? Quem nunca? Não sei como são as pessoas do convívio do Pedro, mas eu? Eu nunca.

A outra questão é a ex mulher (a agredida), Alexandra, sair em defesa dele. Acho que a coisa mais importante que o feminismo me ensinou foi perceber como um sistema abominável age, em sua essência, como um vírus. Faz, de fato, o oprimido muitas vezes defender o opressor. Já conheci negros que diziam não haver "esse racismo todo", conheço gays que são contra gays se beijando em público e conheço uma penca de mulheres que não enxergam machismo em nossa sociedade. Meu dedo apontado nunca será para o oprimido. Meu objetivo é que homens como Pedro Paulo JAMAIS consigam lugares de poder dentro da sociedade.

sábado, outubro 31, 2015

Romero Rômulo


Demorei para engolir o Romero. Nós da esquerda temos que aprender que somos muito arrogantes. Hoje acho esse personagem incrível. JEC saiu do lugar comum, do pastor corrupto, do rico intragável, do bandido sem salvação. Ele nos apresenta o Romero, que engana a sociedade com o seu discurso de direitos humanos e igualdade social, mas que em uma segunda camada, apresentada para o público, sofre diversas oscilações de caráter. É um personagem dúbio. E vou além, o Romero oscila, de verdade, entre os dois mundos. Não oscila apenas superficialmente quando é uma pessoa diante da facção e é outra como figura pública diante da sociedade. Romero é peça fundamental nessa trama das regras do jogo e da vida. Toda a história dele é construída dessa forma. Ele foi abandonado aos 12 anos pela mãe. Djanira desistiu dele, expulsou de casa. Foi educado pelo Ascânio, uma figura execrável. Quem consegue superar um passado desses? O interessante é que ele deu uma boa educação para o Dante. Falo que nós somos arrogantes por esse incomodo causado quando vemos o Romero. Apresentar o Gibson pró-militares como surtado é tranquilo, mas apresentar alguém que tenha um discurso parecido com o nosso como tal, aí não? Só pode apontar o dedo para o outro grupo, quando aponta para o nosso aí a brincadeira não vale? Indo para a realidade das figuras públicas citadas como possível inspiração, Freixo e José Junior, coisa que o próprio ator desmentiu, quem nos garante que essas personalidades são boas? Uma personalidade pode representar somente o bem ou somente o mal? Ridicularizar o nosso discurso dói, mas também traz uma reflexão. JEC vai numa linha maravilhosa desde A favorita, ninguém é 100% do bem ou do mal. Precisamos parar de canonizar as figuras. Precisamos des-santificá-las. Donatela, na minha opinião, é a melhor mocinha de todas as novelas. Gostava do luxo e da riqueza, foi fácil enganar o público por 100 capítulos de que ela era possivelmente a grande vilã. Parece que as qualidades e defeitos, na cabeça do público, já estão separadas para quem é vilão ou mocinho. Com JEC não funciona assim, por isso eu amo.