quinta-feira, junho 23, 2016

mais uma lacuna

Penso não ser fácil gostar dos meus seriados preferidos. Não que não sejam bons, não é isso. É que todas as narrativas começam menores, mas a paixão é despertada em segundos. Não sei explicar.

Tem esses dois seriados, Fringe e Person of interest, que mexeram tanto comigo que eu nem saberia por onde começar. Fringe segue sendo uma lacuna enorme, me apaixonei por Walter Bishop no primeiro segundo e por ele basicamente aguentei as duas primeiras temporadas. Gosto demais da minha relação com a Olivia. Do julgamento equivocado que fiz e de como ela me conquistou aos poucos.

Person of interest acabou essa semana e será outra lacuna. Fomos brindados com 6 personagens maravilhosos. Amei Finch com a missão de tornar o mundo melhor, ele extraía o melhor de todo mundo ali. Amei Reese e a sua eterna submissão diante de todos, o sacrifício diário como destino. Amei Carter sendo a idealização do que devemos ser como seres humanos, e sofri como poucas vezes sofri uma perda em um seriado. Amei Fusco e a guinada que ele deu, de policial corrupto a policial honesto, ele credita Reese, eu credito Carter. Amei Shaw e sua sociopatia, sua incapacidade de se importar, que fez com que ela aguentasse as maiores torturas psicológicas nas mãos dos inimigos, foi um imenso prazer te assistir e eu chorava todas as vezes por você. E, por fim, amei Root, que nos relembrou a maior questão de Fringe: a absolvição. A máquina foi capaz de mudá-la e eu passei longos períodos martelando, como rancorosa que sou, "ela torturou Finch", quando até ele tinha esquecido. Root foi de todos a última a me conquistar, gosto de saber que as pessoas podem mudar e merecem uma segunda chance, embora não aplique na minha vida. Prova de que tenho a aprender muito com seriados.

A parte da máquina falando sobre a memória no momento da morte é super parecido com algo que acredito. Foi a isso que me apeguei quando minha vó morreu. Ser ateu diante da morte de pessoas amadas é conviver com uma dor além: a de saber não existir nada depois. Veja bem, a dor da morte é igual para todos. A diferença é que dentro do luto, para a maioria das pessoas, existe uma esperança. O reencontro com o ente querido. Essa esperança o ateu não tem e na hora da morte é bem complicado processar. Então, na época eu foquei em lembrar os momentos com ela, todo o aprendizado, pensando agora ela era meio Shaw, não chorava por nada, era fria demais, mas foi uma avó maravilhosa e me tratava como neta favorita diante dos quase 30 netos que tinha. A máquina fala sobre viver além na memória de quem fica. É exatamente nisso que acredito.

Obrigada por tudo, Carter, Root, Finch, Reese, Fusco e Shaw.

quinta-feira, maio 26, 2016

que merda ser mulher nesse mundo

Uma vez escutei a história de um estupro coletivo. Já faz tempo. Mas me contaram como foi a emboscada e, claro, "a motivação". A motivação sempre pretende tirar o status de barbárie. Eu escutava perplexa a história e esperando do interlocutor uma opinião sobre aquilo. Porque os detalhes eram contados, mas eu não pesquei ali um julgamento de quem fez. Era só a descrição de um fato. Escutava atenta para perceber uma condenação aos estupradores que nunca veio. No fim da história me passou pela cabeça "será que ele estava lá e participou?". Então indaguei, tremendo de medo da resposta. E o interlocutor foi taxativo. "Não, eu era casado". Eu era casado, por isso não participei do estupro coletivo. Eu choquei tanto que não disse mais nada naquela tarde. Tem uma questão. A gente sempre pensa que o vilão é o outro. Alguém distante. Alguém que já tem a nossa antipatia. Meu interlocutor naquele dia foi alguém a quem eu tinha uma certa admiração e respeito. Alguém do meu convívio. Alguém que muitas pessoas próximas a mim adoram. Depois daquela tarde nunca mais consegui manter uma conversa por mais de 5 minutos, é um desconforto muito grande, sempre saio de perto, evito ir quando sei que ele está lá. E me traz um problema muito sério porque ele de fato é uma pessoa próxima. Hoje lendo sobre outro estupro coletivo, me veio na mente toda aquela conversa. O horror que eu senti. O estuprador, quem apoia o estuprador, quem reforça a cultura do estupro, não é o outro na outra margem do rio, é alguém aqui do nosso lado. Nosso pai, nosso irmão, nosso filho, nosso amigo.

sexta-feira, maio 13, 2016

na corda bamba de sombrinha

Hoje foi a audiência do agressor da minha mãe. E por algumas razões alheias à minha vontade, não pude estar ao lado dela. A audiência foi em Minas. Enfrentamos muitos percalços para chegar até ali. Delegado comprado, inquérito arquivado, um racha irreversível na família. Até o dia que eu denunciei ao Ministério Público e me parece que a coisa andou, se dependêssemos do curso natural de uma delegacia do interior, jamais essa audiência aconteceria. Dói que ela tenha ido sozinha, foi com uma testemunha e teve que aguentar o lado de lá com seus irmãos dando apoio ao agressor. É como se ela estivesse errada em não perdoar, em arrastar a família para essa vergonha que é um processo penal. A acusação é de tentativa de assassinato. Eu nem sei como mensurar o dano que causa em mim tudo isso. Ele consegue tirar todos os sentimentos bons que eu tenho, só fica o buraco. Não consegui ler muita coisa sobre o golpe de ontem pra cá por isso, mas por alto li alguma coisa. E o que mais me pegou é a questão da mulher. O papel que nos cabe nesse mundo de merda. Tenho um mantra que sempre me apego em momentos assim. "Vai melhorar". Eu sei que vai. Mas também sei que está longe. Penso em todas as coisas que ela foi obrigada a presenciar, as cenas que foi obrigada a passar. Essa família é a pior coisa que existe. Então entro no facebook dele. Volta e meia entro pra me martirizar. Evangélico, pró golpe, a favor da família etc. Todos os clichês reunidos. E começo a ter raiva de qualquer pessoa que tenha o discurso parecido. Hoje quase saí do grupo de amigos (não o show de horrores, o de amigos mesmo). Respirei fundo e pensei nas consequências. Engoli mais essa. Hoje eu lembrei que também é dia dos pretos velhos, lembrei da minha infância com Vovó Maria Conga, fechei os olhos e pedi ajuda pra minha mãe. Só pra ela. Eu não posso pedir pra mim. Ontem me mantive forte até onde deu. Quando ela foi se despedir, desabei. Foi tudo bem patético. Coitada mais uma vez. Quem precisava de apoio era ela, no final ela quem tava dizendo que ia dar tudo certo e pra eu ficar bem. Eu tive vergonha das lágrimas no momento em que elas escorriam, mas não teve muito jeito, não conseguia parar. Tentei. Ela me liga da rodoviária. Adivinha quem esta aqui? Era a irmã dela. Indo pra Minas dar apoio ao agressor. Tudo que ela teve que aguentar. Choro mais uma vez. É só o que tenho feito desde ontem. Vamos esperar o resultado da audiência. Ela saiu tranquila de lá. Eu estou na merda, mas ela está bem, isso que importa.

sábado, maio 07, 2016

dicona pra quem tá na merda

Como dito anteriormente, não estou na melhor fase da minha vida. Está longe de ser um 2006, até porque aprendi a lidar com as rasteiras da vida, mas também está muito longe de ser bom. 

Dias desses, vendo todo mundo falar de Unbreakable Kimmy Schmidt, decidi ver. É um seriado da Netflix. Tá na segunda temporada, então pra muita gente a dica é velha, mas direciono minha dica a pessoas que assim como eu, detestam comédia, mas estão na fossa e precisam de um respiro.

Acho tão levinho, 20 minutos de episódio, não chego a gargalhar, mas dou aqueles sorrisinhos que fazem a vida ficar menos pesada. Em outros tempos, assistiria o piloto do seriado e odiaria pela idiotice, mas na atual fase não ando tendo muito critério.

Tenho orgulho de assistir? Não. Estou queimando minha língua, pois odeio comédia? Sim. Porém. O mais importante. Tem me salvado? Tem me salvado sim.

Amores que me ajudam a contar até 10 antes de surtar.

domingo, maio 01, 2016

look do dia

Tava aqui acompanhando o snapchat do David Brazil (gagalynda24, sigam, melhor snap da vida) e estou falecendo que ele foi de preto num centro de candomblé. Não sabia e nem foi avisado por Trukeira que esse não era o look correto.

Lembrei de uma vez que o Allan me fez passar por isso. Fomos num centro budista esotérico e essa cor é proibidíssima por lá. Allan nem pra me avisar. Quando cheguei ele tentou disfarçar, mas não deu né. As pessoas passavam por mim super putas e perguntavam QUEM TE TROUXE? 

Momentos.

quinta-feira, abril 28, 2016

fiscal da militância alheia

Uma coisa que eu tenho curtido demais acompanhar é o fiscal da militância alheia.

Pode reparar. Toda vez que surge um assunto que envolva direta ou indiretamente um grupo, aparece um avulso pra comentar "e aí, o que as feministas tem pra dizer hein?". Note que o avulso não está interessado em conhecer uma causa, ouvir as pessoas dessa causa etc. A pergunta é retórica. E os avulsos também querem, com sua magnanimidade, nos auxiliar com seus ideais de militância. Eles nos apontam modelos a serem seguidos, que nós, seres longe da luz, não somos capazes de enxergar. 

Daí vem a alusão ao "por que você não é igual ao meu vizinho gay que ninguém sabe que é gay, precisa ser desse jeito afeminado?" ou "pra que ir pra marcha das vadias, que nome horroroso, isso não representa minha esposa" etc. 

Outra coisa maravilhosa é quem exige nota de repúdio.

Acompanhando aqui com interesse as opiniões dos fiscais.

segunda-feira, abril 25, 2016

gente que é o corretor do word na vida real: parem

Uma coisa que me tira do sério depois que comecei a fazer letras: babaca que corrige erro de ortografia. Não relaxam, não curtem a história.

Exemplo. Tava aqui lendo o cartaz da síndica no FB que reclamou da orgia no prédio. É maravilhoso. O babacão, no lugar de gargalhar como qualquer ser humano normal com a história, comenta sobre erro de ortografia no cartaz. PUTA QUE PARIU, AMIGO. Aprenda a curtir o momento, o cartaz é sobre a síndica reclamando de condômino que fez orgia na piscina com 3 casais, aqui não é redação de concurso público não.

Daí volta e meia leio pessoas dizendo que dispensam no tinder, pois "deus me livre sair com quem escreve encino".

Vocês acham realmente que são melhores que os outros porque escrevem de acordo com a norma padrão? Aliás, você acham realmente que estão isentos de erros ortográficos? É tipo um troféu?

Amigo, você nada mais fala do que um latim vulgar. Um abraço e boa noite.

terça-feira, abril 19, 2016

bob

Amo Kim Chi e Chi Chi DeVayne, mas saber que Bob já foi presa de drag queen por protestar pelo casamento igualitário me deu aquela certeza básica: é a minha favorita.

Maravilhosa!

domingo, abril 17, 2016

las nietas

Cada dia que passa tenho mais certeza de que não há nada na vida que a religião não tenha tentado destruir. Todo mundo se fecha no assunto da política hoje, não falo sobre o resultado da votação, mas sobre a grande maioria dos discursos feitos num congresso nacional, cujo país tem a laicidade na constituição. Deus (somente o cristão) e a família (somente a heteronormativa) sendo citados como arma. Posso falar que em alguns discursos mais pesados, dá um nó na garganta, um desespero de viver na mesma época que essas pessoas. Mas também bate uma esperança quando olho pra história. Se cheguei até aqui é porque outras pessoas resistiram antes de mim. Os fanáticos religiosos passam, nós ficamos. Eles morrem e mais de nós nascemos a cada dia. O nome disso é resistência. E como nós sabemos resistir! Isso me conforta.

sábado, abril 16, 2016

que fase

Não tenho esperanças sobre a votação no domingo. O Pontual, da globo, foi muito criticado ao dizer que o impeachment não precisa ter base criminal, mas sim política. Dilma perdeu o apoio do congresso e precisa sair. Palavras dele. Acho que disse o óbvio de como as coisas funcionam, não é o que eu ou a bolha pensamos sobre democracia, mas é o que a maioria acha. É claro que passa a ser relevante. Eu tenho analisado os cenários. Na eleição passada quis muito essa vitória, mas dado a crise mundial que o brasileiro pensa ser local, adoraria ver o Aécio ou a Marina segurando essa marimba. Se o impeachment não passar no domingo (o que acho pouco provável), outros pedidos serão acatados pelo Cunha e outras votações serão convocadas. Até Dilma sair. Só não sei se passa no Senado, mas o desgaste de um afastamento é enorme. A oposição não sossega enquanto ela não cair. Não existe governabilidade desde que Dilma assumiu o segundo mandato. Um pedido de impeachment baseado em pedaladas fiscais e, que sequer há consenso no STF de ser um crime de responsabilidade, é a única arma palpável da oposição. Cada vez que o crime de responsabilidade é questionado, os chavões aparecem. "Golpe é destruir o país" . Eu entendo quem não vai pra rua para defender o governo, o que acho puxado é o chavão, porque tira a possibilidade do diálogo. Dilma e o PT viraram uma espécie de Voldemort que precisa ser abatido para a vida seguir bela como antes (bela pra quem?). Eu poderia falar o quanto desse ódio é motivado pelas conquistas sociais, mas não é só isso, claro. Não dá pra situação martelar nessa tecla, se temos n questionamentos: Belo Monte, direitos das mulheres rifados em troca de apoio, ex diretor de manicômio como coordenador da política de saúde mental etc. Entretanto, assusta ver o pmdb passar incólume a tudo, assusta a bancada evangélica, assusta Cunha ainda estar na presidência da Câmara, assusta sobretudo o nosso congresso. Pontual, criticado, disse, repito, o óbvio. O processo é político. Isso também é uma visão de democracias recentes. Talvez faça parte mesmo de uma evolução, para que sirva de lição lá na frente, caso alguém olhe para trás e passe a ponderar que uma democracia não se constrói dessa forma. Enfim. Nunca pensei que viraríamos uma Argentina. Viramos uma Argentina.

quinta-feira, abril 07, 2016

chi chi devayne



Eu não acho que é fácil amar a Chi Chi DeVayne. Veja bem. É super fácil amar a Kim Chi e a Bob.  A primeira é uma fofa e traz algo novo para o show, a segunda está pronta como drag. Posso dizer também que é fácil amar uma Acid Betty, pois taí uma artista incrível. Quem curte drags modelos (eu detesto), pode torcer pra uma Naomi Smalls ou uma Derrick e por aí vai. Cada uma ali tem um chamariz.

A Chi Chi é a drag com as piores roupas, as piores perucas, o pior make e, meu deus, sem unhas postiças, mas puta que pariu, que talento. Então tem a Visage gongando o corpo quadrado e a Chi Chi, "gata, não tenho grana pra comprar corselet, eu sou fudida". Tem o discurso de defesa da Visage que foi bem desnecessário. Não entendo muito até onde o programa ajuda com o figurino, mas tá bem claro o quanto a Chi Chi começa atrás e acho maravilhoso o quanto ela consegue fazer o jogo virar em cena. Imagina se ela tivesse todo o arsenal das outras drags.

Meu top:
1) Kim Chi
2) Bob The Drag Queen
3) Chi Chi DeVayne

Esse post foi só pra deixar registrado. Chi Chi tá ganhando muito espaço no meu coração.

P.s: Esse post tem um post irmão. Gil escreveu maravilhosamente bem sobre o assunto.

terça-feira, março 08, 2016

a favorita

Ele bradou na aldeia
Bradou na cachoeira
Em noite de luar
No alto da pedreira
Vai fazer justiça
Pra nos ajudar

A eliminação mais dolorosa foi a da Elenita, no BBB 10. Fui rever uns posts da época e lembro que no post da primeira impressão fui taxativa: chata. Ela sai com essa pecha, né. De chata. E hoje eu li um comentário no facebook "não sou eu que sou chata, é você que é só escroto mesmo". Elenita foi tão escrotizada naquela edição, por diversas pessoas, Eliéser, Lia, Anamara, Dicésar, Dourado, o paredão da sua eliminação é justamente contra duas adversárias, Lia e Anamara, que usavam gorda como xingamento diariamente. Ela é a underdog que vai para o paredão com as duas populares. E perde sem surpresa alguma. Todos saíram amados, ela saiu como a chata. Doeu demais porque obviamente me vi ali.

Lembro que quando ela saiu, me veio quase instantaneamente "será ela a minha favorita de todos os tempos?", até então era o Jean Wyllys, seguido de perto por Fanizinha, achei que deveria esperar para fazer essa declaração, a emoção sempre estraga tudo. Tempos depois pensei novamente no assunto. Elenita tinha se tornado, de todas as pessoas, a minha favorita.

Ano passado, com talvez a pior edição desde BBB 6, achei que o formato estava esgotado. Quem pisava num BBB já pisava atuando. E é aquela coisa, se for pra ver atuação eu vejo novela, teatro, cinema. Eu quero ver gente de verdade em reality show, quero que a encenação exista como meio de jogo, de manipulação, não como meio de realmente acreditar ser outra pessoa. O bode que me deu o BBB 15 foi enorme.

Então veio o BBB 16, veio a Ana Paula. Vou lembrando de cenas inteiras.

Ela dizendo que era machista, ela fazendo amizade (porque queria pegar rs) com Daniel. E tem a virada, pelo menos pra mim, que é no dia que o Ronan tenta manipular a votação do quarto com Cuércio. Munik e Juliana estavam com fogo no cu, putíssimas (com razão), Ana Paula, que até então era amiga da Macholândia, não hesitou na frente das meninas "Eu voto com vocês, é só me dizer o nome, eu voto". Pá. Ela deve ser filha de Xangô também, né. Não pode ver uma injustiça. Meu coração sorriu. Naquela altura a minha favorita da edição poderia ser Munik ou Juliana, que organizaram o levante, ali, pra mim, foi Ana Paula. Desde a primeira semana. Não hesitou em desfazer os laços com quem quer que fosse.

Dias depois, vendo Ronan isolado, não hesitou em pegar ele pelo braço e trazer de volta pra casa. Todo mundo merece uma segunda chance.

Acho que isso define a Ana Paula. Não hesitar. Quando todo mundo está na vibe:
Mas o que vão pensar de mim?
Mas e as consequências?
Vou me queimar com o público?
Como será amanhã?

Ela, nada. 

Vem a briga com o Cuércio. E só quem viu a festa pode opinar sobre a cena clássica TEM UM VELHO NOJENTO DE CUECA NO MEU QUARTO.

Todas as outras brigas. A fama que ela carrega de ser barraqueira, quando Alemão fez igual e só porque era um homem foi chamado de justiceiro. Ela, barraqueira. E se for puxar as brigas, as maiores quem puxou foi Renan.

Chamou pra si todos os paredões que conseguiu. A conversa do trio era sempre "com quem de lá que nós vamos?", a conversa dos patetas era sempre "vamos colocar dois de lá no paredão". Isso define toda a edição.

A expulsão dela foi um baque, mas como ela mesma disse, "não tinha como ser diferente". E me vem uma paz saber que hoje ela está bem. Gosto tanto que me conforta isso. Choro junto toda vez que ela chora no Snap. Choro e penso em tanta coisa, em cada entrevista "não tinha como ser diferente". São as consequências de ser quem somos. A consequência de quem dá a cara a tapa a todo momento. Num mundo de semideuses, ser alguém que não tem medo de falhar é algo raro. Não teve medo de se posicionar e acho mesmo que na vida a gente tem que tomar partido sempre. O muro não foi feito pra ela.

Esse também é um post de despedida do BBB. Nada mais nessa edição tem cor pra mim. Hoje repito a mesma história da Elenita, vou deixar para depois saber se Ana Paula é a minha favorita de todos os tempos. Só fica aqui o meu agradecimento por ela ser um raio de luz numa fase tão difícil da minha vida.

Obrigada.

quarta-feira, março 02, 2016

a torcida de rejeição

- Confia em mim, véi.
RIP



Tudo foi favorável ao nosso trio.

Existe a torcida da AP e é somente por ela que os paredões estão mega disputados, a torcida vota mesmo, organiza mutirões etc. E tem a rejeição dela que também é enorme, mas até para a rejeição é necessário um elemento de apoio, alguém que seja o oponente de quem você quer derrotar e reúna em torno de si todas as ferramentas para derrotar quem você quer.

Um exemplo. Jean Wyllys x Doutor Gê. Alemão x Alberto Cowboy. Ana Carolina x Max.

Note que a última dupla não era necessariamente inimiga, mas Max foi a cereja que faltava na torcida de rejeição que Ana Carolina tinha.

Nessa edição 16 está acontecendo algo bem parecido com o que aconteceu na edição 10 do Dourado. Dourado tinha torcida e tinha rejeição, mas ele não possuía um oponente forte. Dicesar não era páreo, porque tinha a vibe do fofoqueiro, de falar pelas costas, ele não foi alçado ao posto de escudo de uma torcida. Quem era contra o Dourado não necessariamente gostava do Dicesar e isso foi determinante para sacramentar o vencedor. A torcida de rejeição sozinha é uma andorinha que não faz verão. É necessário juntar grupos que votam contra E juntar grupos que reconheçam determinado participante como seu favorito. Esse basicamente é o problema da torcida de rejeição da Ana Paula, eles não gostam da Adélia, do Renan ou do Tamiel. O único capaz de fazer isso era Daniel, primeiro eliminado dos Patetas, até nisso o nosso trio teve sorte, se Munik não indica Daniel naquela semana, algum sopro de esperança os anti-AP teriam.

AP, dona do jogo total, dona da porra toda.

sexta-feira, fevereiro 26, 2016

quadrilha suicida

- Não estou jogando sujo, não combino voto.
RIP



Não sei quem comentou no twitter, mas eu concordei demais, que o nosso trio AnaPaula-Munik-Ronan é a vingança da selva sobre a praia. O povo barraqueiro e causador x o povo da meditação tô aqui pra crescer enquanto ser humano.

Na terça, após a saída da Juliana, quem pôde acompanhar no ppv testemunhou o maior desespero de um grupo em 16 edições. Jogaram a toalha mesmo, de um jeito que nunca tinha acontecido no bbb. Lembro de cenas clássicas, do André Gabeh perguntando "como o Brasil vota pra esse cara ficar?" após a trilhogésima volta do Tantan. Lembro da cabeça erguida do Jean Massumi diante do Dhemoni, lembro da turma do Dr Peidovan seguindo o mesmo caminho, e principalmente, Selva e a turma do Alberto Cowboy. Nunca arregaram, foram fiéis até o último momento em tentar derrotar o favorito do público. O caminho já tinha começado e não adiantava voltar. A conversa da Adélia e do Tamiel é uma só: "De que adianta ficar aqui, ela já ganhou", o Renan, dos três, é o único que permanece no desejo de ficar e combater, mas ele obviamente também não entende.

Até a reflexão deles é limitada. Se AP e Ronan voltam dos paredões, a reflexão deveria ser "onde foi que erramos?" e aí o questionamento da Adélia é "quem assiste ppv está com a gente", minha nossa senhora da siririca, eu não dou conta. Tem o fator do carisma da Ana Paula que eles não conseguem enxergar também. É difícil lidar com ela dentro de uma casa fechada, somos da torcida, mas pelo amor, isso tá bem claro. Então ali eles só enxergam a pessoa que dá problema, que briga, que faz barraco, que toda hora gera essa tensão. Só que o público enxerga além. Não só pelas câmeras, mas por todo o contexto. AP peita. E isso é maravilhoso. Ela peitou Cuércio, peitou Daniel, peitou Juliana, peitou Tamiel, peitou Renan. E segue até com aliados, peita Ronan a todo momento, Matheus, Geralda. A única que ela não consegue é Munik, porque Munik tem uma tática, ela não dá palco, deixa AP falando sozinha, não bate palma. E AP no lugar de crescer, murcha. Quem levanta a crista precisa de plateia, o Renan falou isso essa tarde. Só que eles seguem dando palco e ela, ainda bem, segue crescendo.

O público também fica eclipsado nesse poder. E os pontos negativos vão passando despercebidos, como praticamente todas as conversas que ela tem com o Ronan. Ele sabe que tá preso na teia, talvez até goste. Se Ronan sair dessa teia, ele sabe que perde. Exatamente como Dr Marcelo perde depois que briga com a Gyselle. Ana Paula tem o plus de ser divertida. A torcida por ela é por causa do combo inteiro: ela mete o dedo na cara, causa, é divertida e protagoniza. Merece muito toda a torcida que tem, mas tá cedo pra dizer se vai ganhar. Acho que a fase pós paredão fake passou, não periga mais ter o mesmo efeito da Maroca. O efeito que oferece perigo agora é mesmo a relação com os aliados, ninguém se importa se AP comerá o fígado dos três patetas Renan-Adélia-Tamiel cru ou frito, mas a forma como é conduzida as relações com os aliados, sim. Ronan continuará sendo escrotizado? Quando Munik finalmente bater de frente, o que acontecerá? E até mesmo Geralda, por causa da idade, o combate não deveria ser tão direto como costuma ser.

Só se fala nela. Comecei esse post querendo falar sobre o trio, mas taí, não deu. Acho que a única pessoa que pode tirar esse prêmio da Ana Paula é a Munik. Em BBB não lembro de ver esse desenrolar, mas em Survivor acontece direto. Quem faz o jogo sujo muitas vezes perde na final para o aliado que surfou a mesma onda pelas beiradas. E é um jogo ótimo também, porque basicamente também é um jogo. Ronan foi resgatado por AP das profundezas da exclusão na casa, mas também não é do tipo que chora como Dourado fazia para dar o pulo do gato.

Então, é isso.

O top.

Ana Paula
Munik
Ronan.

quarta-feira, fevereiro 24, 2016

candie e os machistas

Eu comecei a ter a noção de ir na raiz do problema no filme Django Livre, do Tarantino. Claro que tudo já estava encaminhado dentro de mim antes do filme, que é recente, mas foi só nele que eu entendi. No filme, o Leonardo di Caprio faz um escravocrata, Calvin Candie, dono de toda uma região, que promove lutas entre escravos que só terminam quando um morre. Nem preciso falar mais para dar a noção de que é uma figura abjeta. Um dos escravos de Candie, Stephen, interpretado por Samuel L. Jackson, é uma espécie de governante da casa, já é um senhor, de modo que viu Candie nascer, foi escravizado por seus pais etc. Stephen funciona ali como um defensor de todo aquele sistema, ele realmente ama Candie, o tem como um filho. E aí temos o impensável. O escravo que ama o senhor de escravos. É curioso como o Stephen desperta mais ódio do que a própria figura que o escraviza.  Saí do filme com muitos questionamentos, mas o principal é a forma como nós odiamos mais os oprimidos que não enxergam a opressão do que os próprios opressores. Fugimos sempre da raiz do problema. É essa a mudança que o filme me trouxe. Eu não poderia nunca odiar mais o Stephen se eu tenho diante de mim um Candie.

Então, durante a semana, fomos bombardeados com inúmeros textos atacando a Fernanda Torres. É basicamente o que ela faz no primeiro texto, ataca feministas. Apenas observo. Assim como Fernanda, também um dia eu já disse muita merda, já acreditei em coisas absurdas pois fui condicionada a acreditar. O meu olhar hoje para uma mulher que fecha os olhos para a causa feminista é de uma profunda paciência. Eu espero o tempo que for, e estou disposta a falar e escutar caso a pessoa queira ter uma outra interpretação. Estou aqui, pode me chamar.

Aí vai o segundo texto da Fernanda. Não posso falar por todas, mas eu aceito super feliz as suas desculpas.