segunda-feira, agosto 17, 2015

choram Marias e Clarisses

"Todo mundo que vai, posta um cartaz de intervenção militar. Não é uma caricatura. É um caráter que emergiu. A manifestação já é. E o que ela é, sinceramente, é pouco demais. Não só pra mim. Acho que pra você também". (da MaryW)

Tava pensando sobre isso hoje. Porque me vem mesmo essa necessidade de dizer que é legítimo se manifestar, que o atual governo cometeu erros e as pessoas têm o direito de ir pras ruas e tudo mais. Em contrapartida, percebo, assustada, que o "volta, militares" não é uma minoria dentro do movimento. Então, me vem à memória o referendo do desarmamento. Tinha o sim (desarmamento) x o não (não desarmamento) e eu era do pessoal do não por entender que o cidadão (de bem, rysos) tinha o direito de ter uma arma. Eu caí no conto da liberdade do cidadão, hoje, claro, votaria sim. Tô relembrando essa história porque eu tinha uma vergonha IMENSA da campanha do não, me enojava estar ao mesmo lado do discurso do cidadão de bem etc. Então, o que eu fazia? Ficava em silêncio. Não achava brecha dentro do próprio movimento que eu era a favor, só via Datenas linchadores e aquilo não era pra mim, embora eu ponderasse "as pessoas têm o direito ao porte de armas". Alguns amigos me diziam "Patricia, olha o tipo de pessoa que tá apoiando isso". Eu não tinha como argumentar. Era realmente terrível. Acho um exercício necessário olhar para os lados e ver quem está ali. Dom Helder não fez isso com os integralistas e teve uma biografia manchada para sempre. No caso do referendo eu fui revendo conceitos e mudei de opinião. Fico aliviada de ter viajado na época e justificado meu voto. Não consegui ser uma voz que destoasse da campanha nojenta do "não". Mas vejo ser possível destoar dentro de um movimento político. No meu caso, mudei de opinião, mas poderia não ter mudado. Fico pensando na tristeza que deve ser para alguém que quer ver mudanças, mas não consegue achar um norte dentro do movimento, porque olha para o lado e tem um cartaz pedindo intervenção militar. A mudança, a meu ver, precisa ser também na oposição.

quinta-feira, agosto 13, 2015

aquele dia

Quase 32 anos e ainda me pego aqui com graves problemas de autoestima por coisas que aconteceram há tanto tempo. Outro dia eu tive uma discussão, dessas que a gente se envergonha só de lembrar "meu deus, como pude descer tanto, como pude me humilhar tanto?". E nela eu joguei pra fora. Nunca fui elogiada em alguma coisa. Parabéns pela sua nota 10 no colégio. Parabéns por ter voltado do fundo do poço. Parabéns por ter aguentado o inferno. Parabéns por ter levado a eleição no grêmio. Parabéns por ter passado. Nunca escutei nada disso. As vezes penso ser ridículo a necessidade de aprovação, mas o que é a minha vida mesmo? Uma sucessão de coisas ridículas. Aquele cartaz que circula na internet "Damares, você não fez mais que a sua obrigação". E é isso. Parece cômico, em essência acaba sendo isso aí. A minha obrigação, por isso não mereço parabéns. Volta tudo novamente. Você nunca será nada. Sua letra é horrível. Outro dia me disseram. Que garrancho. E eu percebi. Parei de escrever bonito porque simplesmente cansei e voltei a escrever ao natural. Incomoda as pessoas. O que você escreveu aqui, não consigo entender. E esse incômodo do outro me incomoda. Pelo amor de deus, esse não é um desabafo sobre falta de elogio e letra feia. É sobre aguentar as pequenas e as grandes coisas em silêncio. Como se as pessoas esperassem de mim mais do que posso fornecer. Pode fazer tudo com ela, ela aguenta. E eu queria dizer que não, me desculpa, mas faz muito tempo que não ando aguentando. A resignação com o lixo no quarto durante 4 dias no último acesso de fúria não irá se repetir jamais. Desculpa, mas de novo não dá. A menina espírita que aturava tudo em prol de um bem maior hoje não acredita mais em deus. Não tenho mais desculpas. Lembro da cara de espanto quando eu disse no aeroporto que pensava em desistir. Você desistir? Que isso, não é possível. Não é concebível você desistir. Lembro da gatinha indo pra Bahia e não aguentando 2 meses e só não foram visitar porque ela voltou antes. Quem foi me visitar em 2 anos? Silencio no hay banda. Saio calada, como aliás sempre fiz. A diferença é que deixo claro. Aqui não. E se perguntarem o que aconteceu, eu vou responder que a culpa foi minha. A culpa é sempre minha.

domingo, julho 19, 2015

sobre eva, nina simone e minha mãe

Semana retrasada assisti o documentário sobre a Nina Simone no Netflix. É realmente uma pancada, mas isso aí todo mundo já falou - e super bem - nas redes sociais. Não é novidade. Pensei durante todos esses dias na forma como julgamos as outras pessoas tendo em vista o nosso modelo de reação. Eu não aceito que homem algum me bata. Então, sempre me custou entender mulheres que aturam esse tipo de tratamento, principalmente aquelas independentes financeiramente dos seus maridos, embora haja a dependência emocional. Minha mãe ficou casada dez anos com um agressor. Sempre tive dificuldade de entender como. Por quê? Por que não se separou antes? Como continuar apaixonada por um merda e se sujeitar a isso? Algumas pessoas estão tão inseridas em uma cultura que as rebaixa que é difícil para elas perceber. Em Django livre, filme do Tarantino sobre a escravidão, um dos personagens é um negro escravizado que defende os brancos e com essa defesa ele ganha "regalias" do seu opressor. No lançamento do filme foi a maior polêmica, pois a nossa ideia do negro vítima da escravidão é a de resistência e não de complacência. Lembro de uma matéria sobre um historiador negro que pesquisou seus antepassados esperando conhecer uma história de luta e bravura, descobriu que o tataravô era o capataz da fazenda, caçava negros fugidos e os trazia de volta ao inferno. Tanto o personagem da ficção, como o da vida real, foram vítimas de um sistema, aprenderam a jogar para poder sobreviver. Minha mãe, Nina Simone e tantas outras mulheres, não sofreram a violência com resignação por falta de coragem. Talvez, para elas, era a parte que cabia. É a conta menor que tiraste em vida. Tenho um conhecido que é gay assumido, mas detesta beijo gay em público, acha um desrespeito com os outros. Uma vez pensando, ponderei o fator idade, ele tem uns 50 anos, é de outra geração. Sendo ou não a idade, a raiz está no não reconhecimento da igualdade. Eu, gay, não sou igual a eles, heteros, não tenho os mesmos direitos, sou de uma classe inferior. É um sistema estrutural que te faz pensar assim. Faz ter ódio de si mesmo. Outro dia no grupo show de horrores no whatsapp, a gata perguntou se alguém conhecia uma diarista que passasse roupas, emendou dizendo "não aguento mais passar as roupas do meu marido". Ela trabalha, ele também. Nunca imaginaria um homem fazendo a mesma pergunta. Por que ela, mulher, acredita ter essa função? Veja bem. Se há uma troca, sem problemas. Eu passo suas roupas e você faz a comida, mas a gente sabe que essa não é a realidade. Meu ponto é. A gata tem 30 anos em 2015. Olha o sistema opressor que a faz achar natural passar as roupas e "cuidar" do marido. Enxergar é difícil e meu papel aqui não é julgar mulher nenhuma, é reconhecer que, tal como o capataz negro, elas também são vítimas. E não é por vontade ou por apatia. Mexer com a estrutura é algo revolucionário, pois estamos lidando com a mudança de crenças coletivas. Conheço Maria que namora João, que ficou com Bia, melhor amiga de Maria, bêbada. Maria rompeu com a amiga e permaneceu namorando João por entender que Bia buscou, Bia provocou, Bia bebeu porque quis, Bia pediu. Maria, veja só você, é feminista. Não vejo como contradição. Vejo com uma tristeza enorme, e mais uma vez, não faço julgamentos a ela. Entender os dez anos de casamento da minha mãe com o meu pai agressor, entender as agressões e os estupros sofridos pela Nina, entender amigas namorando babacas, tudo isso me foi, até um tempo atrás, extremamente difícil. Eu não percebia que meu dedo em riste - como você pode aturar isso - era também uma forma de agressão. Pela falta de compreensão do quanto uma estrutura é capaz de se perpetuar no mundo e no imaginário das pessoas. E se reconheço essa estrutura e luto contra suas correntes, não é todo mundo que iniciou o processo de libertação. Posso nunca ter aceitado apanhar de homem, mas um dia acreditei na falácia "mulheres não são confiáveis" e me orgulhava de ter a maioria de amigos do sexo masculino. Acreditei numa história contada desde antes da ideia de Adão e Eva surgir, ideia aliás que nem é exclusiva do velho testamento. A concepção de Adão e Eva, tendo a mulher como a responsável pela queda da humanidade, está presente em várias lendas da antiguidade. A quem interessou, ao longo dos anos, contar essa história? A mim, mulher, é que não foi. Meu objetivo hoje é de uma maior compreensão diante daquelas pessoas presas em correntes, não posso quebrar a corrente por elas, é um caminho longo e individual. Minha parte é estar aqui para esperar e dar apoio nesse processo.

quarta-feira, julho 01, 2015

redução não é solução

Cada vez que uma pessoa favorável à redução posta algo raivoso como "tomara que você seja estuprada por um menor" ou "tomara que um menor mate sua mãe pra você ver o que é bom", penso que isso reforça mais ainda o meu lado nessa discussão. Sem contar que eu jamais desejaria isso para um oponente num debate, a vibe aqui é outra. Nossos pontos de partida já são diferentes porque vejo a prisão como ressocialização não como punição. É pra isso que o estado de direito nasce. Se fosse para ser olho por olho era melhor inventar uma máquina do tempo e voltar pra idade da pedra. Um mundo sem lei. 

Em 2010 a minha mãe foi agredida por um parente, teve a coluna fraturada, quebrou um dedo e foi parar no hospital com hemorragia interna, quase morreu. Teve que usar colete ortopédico por 6 meses. O responsável? Só foi chamado para depor 2 anos depois. Os inquéritos demoram, os responsáveis por n crimes sequer são chamados pra depor porque fogem e a PM não tem quadro pra procurar ninguém. Não é mais urgente revermos essa falha no sistema com crimes que representam a grande maioria dos casos? Por que esse furor midiático para discutir crimes minoritários? 

Entra mais uma vez na discussão da punição. Ninguém quer solução para o problema da criminalidade.
Roubou um celular e saiu correndo? Pega ele, mata.
Estuprou e matou? Pega ele, coloca cada membro preso em um cavalo selvagem, de modo que ao correr, cada cavalo arranque um membro e fique exposto em praça pública apenas o tronco do bandido (relato que está em Vigiar e punir, do Michel Foucault).
E por aí vai. 

Já dizia Saramago, "olho por olho e acabaremos todos cegos".

 Frequentemente, nós apoiadores da não redução, somos chamados de inocentes. "Tá louco, o cara de 16 sabe muito bem o que tá fazendo, o cara estupra, mata, assalta e o estado vai proteger?". Então, eu sempre devolvo a acusação. Alguém pode realmente achar que o estado protege crianças e adolescentes de alguma coisa? Principalmente quando esse menor é negro? Talvez um inocente pense que sim. Quem compreende o sistema, quem enxerga as estatísticas, sabe bem que o estado e a sociedade empurram esses menores para o crime. Um assunto que vai muito além de uma redução na maioridade penal. É imprescindível uma reforma no sistema prisional, reestruturação da educação e a legalização do aborto. Inocente, pra mim, é quem pede a redução sem se ligar que esses 3 temas são a raiz da situação e devem ser tratados primeiro.

sábado, junho 27, 2015

assim fica difícil

Um tempo atrás o Beethoven teve uma coceira, o vet passou vários remédios sem sucesso até que acertamos com um. A coceira passou e minha mãe jogou o vidro fora. Agora a coceira voltou e minha mãe está, juro por deus, ligando de farmácia em farmácia com o mesmo discurso.

- Um tempo atrás eu comprei um remédio blablabla, mas esqueci o nome. Você pode ver no sistema se foi aí?

E o vendedor obviamente está do outro lado da linha fazendo essa cara  ¯\_(ツ)_/¯ seguido de "claro que não sei que remédio é esse, sem nome só tendo bola de cristal".

- Mas olha no sistema pra mim.
- Não foi aqui.

- Oi, boa tarde,  um tempo atrás eu comprei um remédio blablabla.
- A senhora já ligou pra cá.

Daí viro e falo. Mãe, não seria mais fácil ligar pro veterinário e perguntar?
- O veterinário está com depressão e foi morar em Cabo Frio.

quinta-feira, junho 11, 2015

desculpa, mas o papo aqui é de profissa

Ainda bem que sou concursada, né. Imagina eu numa entrevista de emprego.

- Patricia, me diga uma qualidade da qual você se orgulha.
- Ser a primeira há meses no pet rescue.

sábado, maio 23, 2015

sobre RPDR 7, Kennedy e Ginger

 

Eu já tinha lido a boot list, então já sabia quem saia, sabia o TOP 3. E, de verdade, isso não me tirou a emoção de nenhuma eliminação. Chorei com Trixie, Katya e Kennedy, mas eu gostaria de falar dessa última mesmo porque me incomodou muito a postura dos fãs nessa sétima temporada.

A impressão é que quando se nasce ou se tem algum defeito, precisamos compensar. E, para um uma sociedade racista, gordofóbica, homofóbica, transfóbica etc, ser negro ou ser gordo é um defeito. Só podemos perdoar o negro se ele agir com humildade, só podemos perdoar o gordo se ele for engraçado, só podemos perdoar o gay se ele for invisível. Essa ideia necessita de muitos parágrafos para ser debatida, mas meu foco é a Kennedy, não quero perder.

Serei bem sincera. Kennedy e Ginger não trouxeram nada de novo, como por exemplo, Bianca e Sharon nos trouxeram com o clown e androgenia. Porém, não é um reality essencialmente sobre criatividade, mas sobre ser drag. Silvetty Montilla, a maior drag brasileira, não duraria um dia em RPDR, e quem perde, pra mim, é o show, não a Silvetty que é maravilhosa. Como fã do reality, não foco criatividade, foco ser drag. E isso, tanto Kennedy, como Ginger, têm de sobra. Kennedy inclusive é venerada por grande parte das queens de outras edições.

Então, volto para a postura dos fãs. O ódio gratuito. A comemoração como se fosse o tetra na eliminação dela. E por quê? Fazendo um paralelo com a Violet, as duas desde o início foram venenosíssimas e pouco simpáticas com as outras competidoras. Violet é amada por grande parte dos fãs. Kennedy é odiada. Volto a questão do "defeito" (como a sociedade enxerga) e me pergunto: se Kennedy fosse branca e magra, esse ódio persistiria? "Ai, não é racismo, a gente amou a Latrice". Gato, quem no mundo não ama Latrice? Ela é o anjo que veio nos salvar. Até um membro da KKK amaria Latrice. Hitler na morte casando com Eva Braun era capaz de chamar Latrice para celebrar o casamento. Não dá nem para comparar. Muitos falam sobre Kennedy não ter carisma, Pearl também não tem e taí, favorita para levar a coroa.

Pontuo mesmo essa questão da compensação. Gay em novela só é aceito se for engraçado ou possuidor de um caráter irretocável. Ele não pode ser humano com todos os seus defeitos. Gordo só é aceito se for sweetheart. Negro só é aceito se for humilde e por aí vai. Não afirmo que a postura dos fãs seria outra, apenas tenho minhas dúvidas.

Minha final dos sonhos seria Ginger, Kennedy e Katya. Amo as duas últimas, mas Ginger é a minha favorita desde o dia 1 e estou felicíssima com ela na final. Fez um bom snatch game, mostrou vulnerabilidade, superou suas dificuldades na raça e entrou na competição para ganhar. Tem minha torcida para grande final.

#TeamGinger

terça-feira, maio 19, 2015

quando nem a humanas anda salvando

Aula de literatura clássica. Professora reclama do corte repentino do vale alimentação feito nas férias dela. Fiquei meio assim na hora, porque entendo que o vale deve ser pago em exercício do trabalho. Férias e licenças nunca contaram pra mim. Mas até aí beleza, cada um reclama do que quer.

Dois minutos depois, ela, junto com o 2° aluno mais mala da letras (só perde pro monitor de latim), começa a criticar o bolsa família.

E aí não tem como te defender, amiga. A gata reclama de perder 400 reais do vale ALIMENTAÇÃO, mas vagabundo é quem recebe 70 reais, né?

O mala 2 da letras rebate a crítica dizendo que a professora trabalha e quem recebe bolsa família, não. Gostaria de viver num mundo em que é possível viver com 70 reais por mês, aparentemente há pessoas que afirmam ser possível. Estranho, pois 70 não paga nem o meu renew.

Termina com o mala dizendo que tinha que acabar com bolsa família mesmo, pois é esmola, afinal o Estado e sua constituição, onde está garantido acesso a saúde e educação, no eczisten.

Era uma aula do curso de engenharia? Medicina? Direito? 

Não, amigos. TURMA DE LETRAS.

Winter is coming.

quarta-feira, abril 08, 2015

sobre a final do bbb e o interior do brasil

Cezar com certeza foi o personagem que mais nos irritou. Não foi o mais odiado (pra mim, por exemplo, foi o Barrabás), o que irrita é mesmo o combo caipira + personalidade cansativa. Inclusive foi por causa desse cansaço da figura que nunca apostei na vitória dele. Moiséis, Marcão, Jaqueline do galo, Pink. Não ganham nunca, tem um ápice de popularidade, mas depois se dissipa. Não sustentam. É interessante como o Cezar sustentou. Realmente não confiei que fosse possível.

Rodrigo Caubói, Dhemoni, Fael e agora Cezar. Com exceção do Dhemoni, os outros não fizeram absolutamente nada pelo jogo. Tenta puxar uma cena do Fael pela memória, aquela cena pá que marca a edição, não tem nenhuma. Caubói só tem a cena da briga na varanda. Apenas. Cezar não tem nenhuma. Então vem uma enxurrada de críticas. Eu também critico, mas essa tarde tive um insight. Sobre a falta de representatividade na tv do cidadão que vive na zona rural. A maioria aí nasceu em cidade urbana, pronaf nunca nego ouviu falar, a patota do twitter então, jesus, é totalmente urbana, basicamente Rio, Sp, Brasília, Bh, Curitiba. É um nicho que até reflete bem as pessoas das grandes cidades. O problema reside em enxergar que o Brasil não é só isso. Pega o mapa do país, olha quantos milhões de pessoas vivem em áreas rurais. São pessoas que você vê na tv? Tem algum personagem na novela das 9? Silencio no hay banda. 

Não cabe a mim julgar a vitória do Cezar. Como julgar o cidadão que se vê representado por ele na televisão? E a votação não foi apenas de pessoas da zona rural, soma com a galera que votou por considerá-lo excêntrico, que de fato é, conheço mil Amandas, mil Fernandos, mil Tamires. Cezar não conheço nenhum (graças a deus, mas esse não é ponto).

Enfim. Tô putíssima com a vitória desse bocó, mas acredito que o Brasil urbano precisa conhecer mais o Brasil do interior.

quarta-feira, abril 01, 2015

calma, fera

Se tem uma coisa que eu amo na uerj são os militantes louquíssimos do cu quando o reitor decreta ponto facultativo ou recesso antecipado.

Já me rendeu cenas hilárias naipe estudantes invadirem a reitoria com o recesso antecipado do natal, o maconheiro do dce indignado "eu tinha duas provas amanhã, isso é uma falta de respeito!" e eu pensando "amigo, eu tinha 3 e graças a deus não tenho mais  ¯\_(ツ)_/¯".

E rola a galera chamando reitor de ditador, pois não consultou a comunidade antes e tal. É meio síndrome de Marina Silva, né? Precisa de plebiscito pra tudo.

Daí ontem eu comemorando o ponto facultativo de quinta, vira a gatinha e diz "depois reclama de ter aula em janeiro".

Gata, longe de mim ser portadora de más notícias, mas a uerj está falida, não paga salário de terceirizados, as aulas foram adiadas justamente por falta de pagamento, a gente tem greve ano não, ano sim, É ÓBVIO QUE TEREMOS AULA EM JANEIRO AND FEVEREIRO. Um pontozinho facultativo não fará a menor diferença lá na frente, mas hoje faz sim, pois amanhã saio do trabalho e venho direto pra casa botar RuPaul's Drag Race em dia.


quinta-feira, março 19, 2015

amo/sou afeminados

Nem sei como começou o papo de afeminados no twitter, mas daí eu contei uma história que não lembro de ter contado aqui.

Um amigo meu (não vou citar nomes, pois rysos) uma vez foi chamado pruma orgia gay, uma dessas festas pra poucos convidados, no convite tava muito claro "apenas homens machos, afeminados não entram".

Que preguiça, né? Mas enfim.

Esse meu amigo é afeminadíssimo, não pensou duas vezes, decidiu arriscar e ir na tal festa tendo em vista que: MUITAS PIROCAS.

Indo pra festa, de longe ele vê várias pintosas sendo barradas na porta. Respirou fundo. Parou de rebolar. Incorporou o machão e foi. Deixaram ele entrar.

Depois ele me contando:

- Amiga, foi muito difícil fingir que não sou pintosa, mas valeu a pena pois chupei muita rola.

terça-feira, fevereiro 24, 2015

por um mundo com mais angélicas

- A minha imponência incomoda.
RIP

O post é por causa da eliminação da Angélica, mas acaba sendo de uma coisa anterior. De uma visão que venho tendo de uns tempos pra cá e, consequentemente, desse amadurecimento como telespectadora de um reality show de 15 anos.

As pessoas não gostam de mulheres fortes. As pessoas não foram criadas para gostar de. Porque a mulher não foi criada para ser forte, ela foi criada para ser fraca e procurar um homem forte para protegê-la. Por isso é tão estranho ver uma mulher como a Angélica. Veja bem. Não é mais estranho pra mim, mas fico pensando se a Angélica entra num BBB1, 2, 3, eu total votaria igual a maioria hoje. Seria intragável aturar uma mulher que fala o que pensa e é segura de si, "eu sou linda", ela repete exaustivamente e onde muitos enxergam arrogância, eu enxergo um pé na cara de uma sociedade que não aceita ter seus padrões de beleza mudados. Angélica disse muitas vezes essa frase, mas quantas vezes ela não deve ter escutado o contrário?

Tenho observado tantas coisas de uns anos pra cá, e não somente aquele lugar comum do garanhão (positivo) x a piranha (negativo), isso meio que já um consenso pras pessoas que me cercam. Não há distinção, todo mundo pode transar igual. O meu olhar vai para os detalhes do dia a dia. Em como a mulher é vista de forma diferente fazendo a mesma coisa que um homem faz. Tem uma campanha de shampoo (rysos) ótima que retrata super bem isso. Já trabalhei com homem que falava muito, foi colocarem uma mulher igual pra ela sair com fama de faladeira. Tem a questão do palavrão também, "fulana é vulgar, né?", mas taí, homem pode falar o quanto quiser que está sussa. A própria palavra vulgar está totalmente ligada ao gênero feminino, ninguém diz "aquele homem é vulgar". Imagina como é puxado perceber que a sociedade inteira foi construída com base numa falácia? Da mulher ser fraca. Da mulher não ser capaz de. Da mulher não poder x.

Causa um desconforto quando a mulher rompe essa barreira. O padrão é quebrado e dá aquela mexida na ordem das coisas. Onde já se viu uma mulher falar o que pensa? Onde já se viu uma mulher negra ter a autoestima elevada? Onde já se viu uma mulher não ser submissa?

Desejo um mundo com mais mulheres feito Angélica.

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

fandom, a senhora é destruidora mesmo viu viado

- Fui verdadeira com meus sentimentos e valores.
RIP


Close na cara de choque do Fernando. Na cara de espanto da Mariza e da Talita. Angélica levantando tão rápido que no print parece o the flash e Aline olhando.

HAHAHAHAHAHAHAHA QUE DELÍCIA

Eu estava num bode dessa edição, nem vi alguns dias porque meu deus, imagina ter que aturar o babaca do Fernando campeão? E as enquetes todas dizendo que Amanda saía e tal. Decidi que pararia de ver, não teria mais motivação alguma e estaria bem claro o campeão. Mas aí veio as Clanessas, o fandom que deu a vitória pra Vanessa ano passado contra todas as enquetes. Elas se uniram para votar contra a Aline. Pá. Amanda ficou. A galera do sofá queria casalzinho, a edição era claramente a favor do casal, inclusive montando um paredão triplo na intenção de evitar um possível Aline x Fernando. Ambos tomaram um tapa no meio da fuça. A edição já sabe da existência do fandom desde o ano passado, mas a galera do sofá deve estar até agora. AMO.



As minhas três favoritas estão aí. Tamires foi a primeira a sinalizar essa aliança. Assumiu um legado iniciado pela Fran, tentou puxar Mariza, mas não aguentou a malice, tentou puxar Adrilles, mas quem aguenta esse psico o dia todo no pé? Tentou puxar Cezar, mas nossa, quem aguenta? E daí fechou em definitivo com as duas. Angélica, na minha opinião, também se encantou pelo Fernando (quem não, né gata?), recebeu o voto como uma traição e declarou guerra. Amanda, depois do fora, está bem menos psicótica, acho até que mais triste, mas ainda naquele período de dar a volta por cima e tal. Amanda e Angélica precisam superar. Ainda fico com Tamires, mas gosto das três.

Não acho que Cezar tem chances de ganhar. Mesmo. É um personagem que cansa com o tempo. Vai ficando mala a cada programa. 

Meu medo real hoje é Adrilles. Essa papel de amor não correspondido está sendo compradíssimo pelo público e pela edição. É um stalker mesmo. Manda várias cantadas não solicitadas pra Tamires que, sem graça, pede pra que ele pare. Ele . não . para. É um assediador da pior espécie, desrespeita o espaço do outro. Meu medo é que role a cena BOOOOM. A cena que faz alguém ser campeão da edição. Aconteceu com Bambam na Maria Eugênia, aconteceu com Rodrigo Caubói no descontrole na varanda, aconteceu no choro do Dourado. Aquela cena x do milhão. Se Tamires pegar Cezar e Adrilles chorar pela amada, o milhão é dele. Pavor.

terça-feira, janeiro 27, 2015

15 edições e ainda dói

- Você não consegue ficar quietinho com o seu voto?
RIP

Olha, 15 edições de BBB e ainda é um baque uma eliminação feita pela galera do sofá. Não dou conta mesmo. Mas veio uma esperança vento o VT hoje, Douglas foi atrás e desmontou o voto da Mariza, que se fez de vítima e foi, mais uma vez, desmontada. "Vítima não". A Tamires foi maravilhosa nesses dias, não saiu de perto da Fran. Deixou bem claro ali "a gente pode conversar depois, até quero saber o que vocês têm pra me dizer, mas a prioridade agora é ficar ao lado dela no paredão" e ponto. Fernando, Adrilles e Barrabás tentando puxar Tamires, meio no desespero cego de quem já detém o maior número na aliança, mas na soberba, querem mais. Demonizaram a Fran, agora que ela saiu, quem será o alvo dos coração bão?

Patético Fernando martelar "meu jogo não é igual ao seu", como se o jogo dele, de manipular votos, fosse mais puro de quem diz ser capaz de destruir sua aliança por dentro. Bial cita a frase do ônus e diz que foi um erro. Fran faz essa cara ¯\_(ツ)_/¯ eu sou assim, fazer o quê. Quem quiser comprar discurso de afroreggae, que compre, quem quiser comprar discurso de teólogo, que compre. Comigo não.

Barrabás está ditando os rumos do jogo, é um excelente jogador e se aproxima do Fernando sabendo que não consegue lidar com o fator Cezar. Acho que ele percebe o perigo da proximidade com o Adrilles, mas não há muito a se fazer. Vi uma galera na TL declarando torcida por ele, foi de fato uma jogada incrível essa manipulação do paredão, mas fica uma coisa meio Dourado. Excelente jogador, mas não dá pra mim, desculpa. Não consigo digerir aberrações como essa. Tenho pavor de quem se acha o detentor do bem na terra, tenho pavor de quem é desonesto em apontar o dedo para alguém e fazer o mesmo.

Minhas apostas hoje, na ordem: Tamires, Amanda e Angélica. Tenho oscilado com as duas últimas, mas numa casa com Talita, Aline e Mariza, não temos muitas opções.