quarta-feira, setembro 17, 2014

o rio de janeiro continua lindo, porém ruim

O Gregório, que é carioca, escreveu um texto semana passada sobre as coisas boas de São Paulo e detonando o Rio de Janeiro. Eu ri, pois concordei com tudo. E a principal diferença que eu sinto das duas cidades é o táxi. Em São Paulo, raros são os taxistas que não aceitam cartão. Experimenta pedir pagamento em cartão no 99 ou no easy no Rio de Janeiro, vai mofar esperando resposta, nunca tem. Se for pago em dinheiro, o paulista nunca te dá o troco a menor. Aliás, o paulista geralmente carrega as moedas mesmo. Se o troco é 70 centavos, 70 centavos você terá e, quando não, ele te devolve 1 real.

No Rio de Janeiro a corrida dá 12,30. Você dá 15 reais. O taxista te devolve 2 reais. E fica por isso mesmo, sabe por quê? Porque ninguém reclama. Porque ninguém quer se estressar por causa de 70 centavos. E fica uma coisa meio institucionalizada mesmo. Quem reclama é muquirana, miserável. Onde já se viu reclamar por centavos na cidade mais linda do Brasil e blablabla.

Prefiro morar em São Paulo.

Hoje aconteceu isso aí e reclamei na prefeitura. Não apenas pelo troco, mas pelo taxista colocar bandeira 2 fora do horário também. Você reclama e ele te chama de miserável. RYSOS. Não é por 70 centavos (beijos, Sininho), é pela falta de respeito mesmo.

E como eu trabalho também atendendo o público, sei bem onde esse público erra. Ele erra em não reclamar. Em não exigir seus direitos. Atendo todo mundo de forma cordial, mas tenho colegas de trabalho que são super grosseiros e até hoje não receberam nenhuma reclamação no órgão que nos regula. Se todo mundo que foi escrotizado reclamasse, duvido que ainda estariam lá. 

Mesma coisa o táxi. Provavelmente fui a primeira a reclamar dele. A minha reclamação sozinha não surte efeito nenhum, mas imagina se todos os clientes descontentes fizessem o mesmo? A prefeitura podia ter um respaldo para cassar sua licença.

Mas o problema é esse. Ninguém reclama.

segunda-feira, setembro 15, 2014

a fazenda 7

Tentarei acompanhar, mas acho difícil por causa da faculdade. Os horários da record são super escrotos. BBB começa as 22:30, a fazenda já teve dia de começar meia noite, sabe, sem condições. Mas aí estão minhas apostas.

Top 3:
Lorena Bueri
Está forçando uma Joana Machado? Com certeza. Mas merece pontos em fazer acontecer, em movimentar enquanto muita gente entra com discurso de paz e amor. Em 24 horas meteu o dedo na cara do insuportável do Maroni duas vezes. Musa absoluta.







Cristina Mortágua
Arrisco dizer que é o maior nome dessa edição. Não fica quieta e barraqueia até o cu fazer bico. Tenho muito carinho por essas musas do passado, por tudo que elas sofrem quando o tempo passa etc. Morri de amores por Monique e Rita. Odiei Gretchen. Espero que Cristina fique na primeira lista, até porque amo o filho dela.


Felipeh Campos
Muitos não sabem quem é. Ele simplesmente tirou Agnaldo Timóteo do armário em rede nacional e nos gerou uma das melhores frases da televisão brasileira: "Não sou assumido nem desassumido, sou apenas Agnaldo Timóteo".




 Purgatório - preciso de mais tempo para avaliar
Mc Brunninha
Chorou muito, né? Uma vibe meio Mari Alexandre, me incomodou super. Porém, ganha pontos por ter ido ao tribunal de justiça com Anitta numa briga motivada por... PIROCA. Espero que faça jus.

Andréia Sorvetão
Foi paquita, é casada com um dos caras mais sem sal, o Conrado. Aparentemente tudo perfeitinho, muito zzzzz. Quem é muito quieto na mídia esconde o monstro do lago Ness dentro de si. Espero que seja vilã e surpreenda a todos.

Babi Rossi
Nega já foi nora de Luma de Oliveira, amigos, não é pouca bosta não. E já raspou cabeça só para não perder o emprego em programa de quinta. É capaz de tudo. Acho válido.

Bruna Tang
Faço nem ideia de quem seja, mas pelo amor de deus, o papo de hippie pedindo boas vibrações? Não dou dois tempos (aka quando o efeito do rivotril passar) para despirocar tudo e barraquear até com a cabra.

Heloisa Faissol
Tem biografia lançada, O lixo do luxo. Vale a pena dar uma googlada. Muito potencial nessa aí. Mega delusional.

DH
Minha aposta? Mistura de Inominável com o Yudi da última edição. Corram.

Débora Lyra
Olha, já tinha até escrito texto detonando o primeiro dia dela, afinal foi a participante mais apagada de todos e precisa se movimentar, daí fui no google caçar foto e pá. Ela foi a miss que sofreu acidente e ficou não sei quantos dias internada.




Para manjar a rola:
Marlos Cruz
O mais inteligente do desafio. Percebeu rápido que a corda segurava ele, escalava o obstáculo e lá em cima pulava no chão, enquanto os outros desciam devagar.

Diego Cristo
Fiquei apenas com a curiosidade de saber o que a ex mulher fez para ele em rede nacional dizer "te perdôo, Michelle".










Who:
Leo Rodriguez
Nem sei quem é e nem bonito achei. Único ponto da sua participação a destacar seria a crise de riso que tive quando ele fez aquela dança ridícula se passando por sensual. Se toca, Jaime Arôxa.








Insuportáveis:
Roy
Estava odiando esse projeto de Maradona, porém confesso, me emocionei no lance da pedofilia. Se parar de babaquice do coração bão, tem um bom futuro pela frente. Mas tem vibe de ficar nessas de ser o irmão da galera e fuder tudo.

Robson Caetano
Primeira frase dele no programa é "vim pelas gostosas". Eu não sei que karma é esse da record ao escolher esportista, são sempre todos cagados, vide Viola e Dinei.

Oscar Maroni
Sabe quando a pessoa fica mais velha e começa a cagar regra? Então. Sei bem o que é isso, tenho 30 anos e faço faculdade com a galera de 20. Vejo gente fazendo muita merda, mas sabe o que eu faço? Olho e rio lembrando dos meus 20 anos. Faz parte da vida e deus me livre na minha época ter tido uma tia pau no cu mandando na minha vida e dizendo como as coisas devem ser feitas. Maroni é essa tia elevado a décima potência. "Eu sou psicólogo". Brother, não fode. O pessoal da casa precisa tomar cuidado, pois ele já está sendo excluído na sede com dois dias de convivência. O povo ama um excluído, daí para ser martirizado é um pulo.

terça-feira, setembro 09, 2014

no que se refere

Vou contar para vocês uma história muito triste.

Quando terminou o último debate pra presidente, corri pro instagram do Celso Kamura, maquiador da Dilma, para saber qual batom Dilma estava usando no dia, pois era lindo e tal e me veio uma necessidade absurda de comprá-lo.

A história triste é que até agora não obtive resposta.

Se alguém souber, HELP.

quarta-feira, setembro 03, 2014

banquei a esperta e me fudi

A inscrição em disciplinas pro próximo período da Uerj começou hoje. No clássico horário da meia noite. Fui entrar um pouco antes e tinha um questionário imenso pra responder. Pensei "opa, deixa eu responder isso aqui logo, pois quando der meia noite, fica tranquilo pra mim".

Respondi tudo. Voltei meia noite e rysos, o site dá indisponível. Nada que uma pessoa que ficou 5 horas na fila virtual da fifa, não consiga administrar. Até aí beleza. Entrei no xvideos pra dar uma ~relaxada~, depois vi um episódio de The Last Ship (super recomendo, inclusive) e voltei pro site 2 da manhã.

Ainda indisponível. Achei estranho e fui entrar no grupo do FB.

Descubro que todo mundo que respondeu o questionário antes se fudeu e não conseguiu abrir a página.

Quem deixou pra responder na hora, conseguiu realizar sua inscrição numa boa.


domingo, agosto 31, 2014

eu não sei quem é você

Sempre tive uma tendência a perceber os erros dos outros. De uns tempos pra cá percebi o óbvio: eu também erro. Não aprendi ainda como consertar, mas com certeza mudei de postura. Tive uma conversa com a minha mãe em abril bem significativa. É engraçado como eu demoro para processar as coisas. Meu tempo é lentíssimo. Não falo sobre o entendimento das situações, mas sobre o processo de digestão. Tive a conversa em abril, nós estamos em agosto e somente agora consigo falar. Somente agora foi digerido. Fica muito claro para mim. Não sou a filha que ela quis. Dói mais porque ela sempre foi a mãe dos meus sonhos, se eu tivesse escolha, seria ela mil vezes. Mas ela seria um mãe muito mais realizada se fosse mãe da Jô ou até da Rita. Ela é louca para ser avó e eu jamais realizarei seu sonho. Ela sempre quis cumplicidade na relação de mãe e filha e eu nunca consegui dar isso. Foi me cobrar nessa conversa. "Eu não sei quem é você". Acho tudo muito triste. Porque é uma incapacidade minha, nasci com essa peça faltando, na verdade acho que nasci com a peça, mas me foi roubada. O Fernando, fazendo as vezes de Bernardo, conseguiu falar sobre essa incapacidade no Livro do desassossego, lembro de pensar ao ler "taí, descobri porque sou assim". Jô é auxiliar de serviços gerais e tem dois filhos. Rita é uma delusional que engravidou do primeiro quando sentiu a idade pesar. Tenho reservas com as duas. Acaba machucando mais quando penso em uma situação hipotética da minha mãe em um plano superior escolhendo qual filha gostaria de ter. 1) Jô. 2) Rita. 3) Patricia. Tendo essas três opções, a ordem seria essa. A minha arrogância sai humilhada, pois me vejo melhor. Infelizmente ela não me vê assim. E como acredito mais nos valores da minha mãe, acabo baixando a bola, aceito a escolha. Veja bem, não estou falando de amor, não estou aqui levianamente questionando o amor da minha mãe. Jamais. Não é essa a questão. Sei da reciprocidade. A questão é a motivação desse amor. Amo a minha mãe mais por admiração do que por laços sanguíneos ou simplesmente na relação arbitrária de mãe e filha. Amo porque é a melhor mãe. O triste é perceber que o amor de volta é apenas uma questão de criação, é arbitrário. "Eu não sei quem é você". É a minha preservação. Mãe nenhuma merece. Fica tudo em suspenso. Ela quer saber, mas eu não tenho condições de contar quem eu sou de verdade. Isso implicaria abrir uma caixa de pandora. Das coisas capazes de moldar um caráter, de todas as tragédias, isso ninguém sabe. Ela sabe que tem alguma coisa aí, talvez no fundo até desconfie. Ela me conta um história de uma babá que eu tive. Um dia ela chegou no lugar mais cedo do que o habitual e me encontrou toda suja, faminta e com o carrinho virado de costas para a tv e eu tentando ver a tv virando o pescoço. Ela chora até hoje contando essa história. Já escutei mil vezes. "Eu não tinha com quem te deixar pra ir trabalhar, minha filha". Ela desaba contando isso, vai catando os cacos, se arrepende. Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa. Então, eu não posso, sabe, dar a ela a minha cruz. Ela não teve culpa de nada. Fiquei vendo ela ali sentada, ouvi tudo quieta e fui relembrando mil coisas. Eu não tenho o direito de jogar tudo isso na mesa. Jamais faria isso. E mais uma vez vamos criando essa distância, ela interpreta falta de amor e falta de cumplicidade. Eu não posso sair desse papel do halo de gelo repelindo os outros (Fernando etc). A verdade é que esse papel me cai muito bem. E assim vou seguindo a vida.

quinta-feira, agosto 28, 2014

critérios para escolha de professor

Estava montando minha grade pro próximo semestre da Uerj.

Daí tenho que fazer linguística, que é tipo meu calcanhar de Aquiles na faculdade (quase pedindo uma ajuda pra Elenita do BBB 10).

O professor que eu gostaria de pegar está num horário impossível, pois conflita com outra matéria, acaba me sobrando 2 novos professores contratados. O que é um tiro no escuro, porque se são novos, não consigo informação nenhuma sobre método de avaliação etc.

Na dúvida, fiz o que qualquer ser humano normal faria, apelei para o facebook deles.

Uma professora está no doutorado e me parece super competente pelo lattes, mas não tem nenhuma informação além disso. Entrei nos perfis dos familiares. O irmão curtiu página Bolsonaro presidente. Desisti dela. "Poxa, mas não é ela, é o irmão blablabla". NEXT.

O outro professor tem o perfil todo fechado, só consegui visualizar as páginas curtidas e estava lá... RUPAUL'S DRAG RACE.

Meus olhos brilharam.

Escolhido meu professor.

Shantay you stay e é bom me passar nessa matéria em nome de RuPaul.

domingo, agosto 24, 2014

aprendam com a diva

Um dia ainda escrevei um livro para os reles mortais que não possuem as manhas do stalkismo.

Acabo de achar o perfil no FB do meu novo professor de inglês (uma delícia). Informações que eu tinha: apenas o primeiro nome e a antiga profissão.

sábado, agosto 23, 2014

santo graal

Assistindo pela primeira vez Keeping up with the Kardashians e pensando no desperdício de vida que tive antes não vendo essa delícia. No episódio de hoje Bruce joga uma aranha na Kim, que tem pavor de aranhas. Kim, para se vingar, rouba a Ferrari dele.

Kourtney chora brigando com a mãe enquanto segura o cílio para não cair.

E Kris reclama da falta de sinal no celular. Te entendo muito, amiga.

Que sábado maravilhoso. Recomendo.

quinta-feira, agosto 21, 2014

diário da terceira idade

Estava há uma semana esperando meu fone e meu shampoo seco que comprei na americanas.com. A encomenda não chegava, eu não achava o rastreio no site, então respirei fundo e liguei pra lá descendo o pau: "absurdo não entregarem minha compra e ainda por cima sumirem com o meu pedido no site".

- Senhora, não consta nenhuma compra aqui. Sua última compra foi em março deste ano.

q

- Senhora, confira no seu cartão de crédito se houve algum débito.

q

Não houve, né. Não fiz compra alguma. Provavelmente sonhei que tinha realizado alguma compra e estava aqui esperando uma encomenda que jamais chegaria.

Lição do dia: ser mais humilde e procurar um geriatra.

quinta-feira, agosto 14, 2014

mais fodida que o pai goriot

Matéria de Teoria da literatura.

Na primeira avaliação não li o livro, porém usei toda a enrolação da malandragem das ruas e consegui tirar 9.

Na segunda avaliação, tomei vergonha na cara, li o livro e tirei... 4.

¯\_(ツ)_/¯

Qual a lição que fica, amiguinhos?

Maria de Fátima, de Vale tudo, se aqui estivesse, me diria: "Seja malandra sempre. Você vai conseguir o quê com a sua honestidade, querida?".
 

quarta-feira, agosto 06, 2014

fechou o tempo, querida

Querido diário, hoje fui destratada por um portador de deficiência visual.

*claro que joguei no google qual era a forma politicamente correta para descrever essa pessoa*

Stevie Wonder entra no meu trabalho dando bengalada em todo mundo. Como o funcionário que faz a triagem não estava no seu local, fui até lá para ajudar.

- Oi, bom dia, sou funcionária, o que o senhor gostaria de fazer?

Stevie responde mega grosseiro o que queria e eu completo com educação: "só um momento, já te acompanho". Eu precisava terminar uma parada que demorava tipo 20 segundos, expliquei e ele ficou puto com a ~demora~ (rysos) e seguiu andando e dando bengalada em todos. 

Nessa altura, eu já tinha terminado a parada e ofereci ajuda novamente. Ele recusou e disse "sai da minha frente, eu sei o caminho". Talvez fosse o caminho para topar com a parede, pois era extremamente para onde ele estava indo.

"Senhor, o caminho não é esse, o senhor está na direção oposta". Cara, eu não sabia mais o que fazer. Nisso os clientes começam a rir, Stevie acha que sou eu e volta putíssimo dizendo "a senhora está zombando de mim".

Oi?

E segue dizendo aos gritos que nunca na história desse país ele demorou tanto para ser atendido e que isso era um desrespeito.

Apenas lembrando: demorei 20 segundos.

Eis que Stevie solta a célebre frase:


- MINHA QUERIDA, VOCÊ LÊ EM BRAILLE? NÃO? ENTÃO, NEM FALE COMIGO.

Rir: só o que me resta.


terça-feira, agosto 05, 2014

tio bira e o telão da kelly

Eu contei num post sobre o palhaço do ônibus.

E a Isabela me mandou no FB um achado. O vídeo do cara com o mesmo texto, e nunca na vida me passou pela cabeça procurar no youtube sobre ele.


Apenas vendo e revendo e morrendo com as pessoas virando para trás tentando achar o telão da Kelly.

sábado, agosto 02, 2014

não que eu esteja reclamando do frio

Seção grandes desesperos cariocas de inverno: mamãe lavou os dois pares de meias felpudas que tenho. Logo, vou dormir sem meia.

Sensação térmica nos pés: medo de amputação.

quarta-feira, julho 30, 2014

caneta bic

Agora que eu já desabafei, vou contar a última do Liminha.

Um dia acordo e tem mensagem dele no FB com os seguintes dizeres:

- ME CHUPA?


Choquei, né? Podia fazer um tratado sobre como ele é um babaca machista e não me importa nem um pouco o estado alcoólico de alguém pra mandar isso às 5 da manha, mas me limitei apenas a parafrasear Samantha Schmutz e responder:

- Desculpa, querido, eu não chupo caneta BIC.

mimimi da copa

Demorei para postar, pois precisava antes escrever sobre a copa e tudo que ela movimentou em mim.

Gosto de acreditar que na teoria dos universos paralelos, em algum deles, o Brasil conseguiu ganhar em casa. Serei bem sincera. O fator humilhação, para mim, é o de menos. Foi sim a maior humilhação em copas, mas esse não é o meu ponto. O ponto é o fantasma precisando ser exorcizado desde 50. Há gente que não quer outra copa nunca mais no Brasil. Eu quero 100. Até fazer esse fantasma subir e ir embora das nossas vidas. Galvão disse no tetra em 94 que o Brasil estava exorcizando o último fantasma que restava, a cobrança dos pênaltis. Eu discordo. O último fantasma é ganhar em casa. E mais uma vez não conseguimos. Há quem procure culpados, está cheio de textos por aí, não defendo e não condeno nenhum dos nomes citados. Minha única defesa vai pro Barbosa, que merecia esse título mais do que qualquer um de nós. Gosto de pensar que, em outro universo, ele foi feliz conquistando o primeiro campeonato em 50, jamais tendo escutado a palavra Maracanazo e, quiçá, com outro termo inventado El Maracanón donde solamente gana cabrón de Brasil.

As pessoas não fazem ideia, né? Do que era aquele momento para o Brasil. Li resenhas aos montes dizendo como o 7x1 foi pior. E apenas o meu minuto de silêncio para quem, além de desconhecer a história do futebol, desconhece a história do Brasil. A primeira efervescência do orgulho negro está intimamente ligada a dois fatores: o candomblé e o samba. O percurso foi longo até conseguirem o respeito da elite branca, até, por exemplo, Heitor Villa-Lobos chamar o quarteto de ouro - Cartola, Donga, João da Baiana e Pixinguinha - para cantar para outro maestro famoso que agora não sei o nome. Era não só a elite branca olhando para o negro pela primeira vez sem desdém, como também era para o negro uma afirmação da sua importância. O Brasil e principalmente o Rio de Janeiro borbulhavam em 50 numa expectativa de ser a nova França/Paris. A confiança naquele time era absurda. E veio o revés, 2 x 1 Uruguai e o nosso bode expiatório foi o goleiro Barbosa. Uma horrível teoria antiga voltou com toda força, a de que estávamos fadados ao fracasso por causa da miscigenação. Barbosa e Bigode, o responsável pela marcação do Varela, eram negros. De onze pessoas em campo, caiu sobre eles a responsabilidade da vergonha nacional.

Nelson Rodrigues, 8 anos mais tarde, escreveu a crônica "Complexo de vira latas". Foi escrita às vésperas do início da copa na Suécia e falava sobre a falta de motivação das pessoas com frases naipe "Brasil nem se classifica" etc. Era um sentimento de pessimismo em relação à seleção que viria se consagrar campeã pela primeira vez. E o Nelson vai discorrendo sobre como esse é um problema iniciado na derrota de 50. Como as pessoas acreditavam muito naquele título, não poderiam sofrer novamente, então o pessimismo acabava sendo uma válvula de escape. Não passava na cabeça do Nelson que ali ele tinha definido o estereótipo do brasileiro. "Somos uma merda, o estrangeiro é sempre melhor". Esse sentimento sintetizado no tumblr só no brazil. Iguais essas comparações que a gente vê hoje no facebook, Ronaldo Nazario (calado é um poeta - parte II) dizendo que a Alemanha tem 100 Nobel e o Brasil nenhum e essa é a verdadeira goleada. É um acinte, né? Esquece da nossa colonização durante 300 anos. Esquece todos os pormenores. É a mesma coisa se fizermos uma comparação entre ganhadores homens e mulheres ou ganhadores brancos e negros e daí tirarmos equivocadamente que a mulher e o negro são inferiores. Falta olhar para o fundo da nossa história. A maioria das pessoas só olha a nossa superfície. A copa de 50 foi muito pior porque definiu a identidade nacional. O vira lata complexado. Ninguém ergueu a cabeça depois dos 7x1, porque ninguém recuperou o orgulho depois de 50, nem com o título em 58, nem com as outras copas, nem sendo o maior campeão. Veja bem. Ainda estamos no topo e nos comportamos como ralé.

Aqui entra outra reflexão. Quando o futebol sai da elite e passa a ser de massa, ele traz a crítica imbecil da alienação do povo. O futebol passa a ser o principal responsável de todas as nossas mazelas. Chamam o povo de alienado, de massa de manobra. Tudo isso por causa do futebol (e do carnaval também, mas isso é papo pra outro post). Como se o futebol tivesse todo esse imenso poder, como se a alienação não fosse fruto da falta de incentivo ao pensamento plural. E quem trata a população dessa forma não percebe (ou será que percebe?) o quanto esse discurso é preconceituoso. Tachar o povo de ignorante e sem condições de pensar tem outro nome senão o preconceito? Quem desmerece o esporte, lhe tira a visão de cultura. Tira o mérito, não consegue enxergar.

Por isso as coisas para mim são mais amplas. Não me atenho aos vilões ou heróis, a esquemas táticos ou confederações corruptas. Vai me interessar sempre o sentimento, a marcação da identidade nacional. Somos o país com mais títulos e ainda sim cornetamos a nossa seleção há anos. Faz parte da nossa identidade. Nunca temos o melhor time, sempre temos perna de pau. Cornetamos não apenas na derrota, mas antes dela e até mesmo na vitória. A tristeza que fica nessa copa não é a humilhação dos 7x1, mas a oportunidade perdida para vingarmos Barbosa. A oportunidade perdida para curarmos essa ferida que nos foi herdada. A ferida de quem não conseguiu ganhar em casa.